Zulu – Caryl Férey

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Sinopse: Quando criança, Ali Neuman fugiu de sua terra natal para escapar das milícias do Inkatha, em guerra com o partido rival, o Congresso Nacional Africano. Ele e sua mãe foram os únicos membros da família a sobreviver àqueles anos de terror, e Ali carrega traumas, emocionais e físicos, que não compartilha com ninguém.

Hoje chefe da polícia criminal de Cape Town, vitrine da África do Sul, Neuman tem que lidar com dois terríveis flagelos que assolam a primeira democracia da África: a violência e a AIDS. Seu trabalho se complica quando a filha de um ex-campeão mundial de rugby da elite branca é encontrada brutalmente assassinada, com vestígios de uma droga desconhecida no sangue. Ali Neuman, Dan Fletcher – o jovem braço direito do capitão zulu –, e o turbulento tenente Brian Epkeen parecem andar em círculos na investigação, seguindo uma pista falsa após a outra, enquanto a carnificina se intensifica. Ainda que o apartheid tenha sido extirpado da cena política, velhos inimigos continuam agindo à sombra da reconciliação nacional.

Carregado de violência e desvelado por um texto primoroso e premiado, Zulu é um raio-x estarrecedor da realidade criminal de uma nação marcada por desigualdades e contradições.


Resenha: Zulu, do escritor francês Caryl Férey, foi uma grata surpresa. Consegue sair da mesmice que boa parte das obras de ficção policial se prendem. O autor consegue levar seus leitores a um estado de expectativa, de ansiedade, de apreensão com os fatos que se sucederão dentro da narrativa. Em determinado momento cheguei a considerar que o história não necessitaria de tantas informações, mas elas se justificarão com a proximidade do desfecho da trama.

O enredo se passa na África do Sul, pós apartheid, e às vésperas do maior evento esportivo que o país iria vivenciar, a Copa do Mundo de futebol. Uma garota branca, Nicole Wiese, filha de um ex-jogador de rubgy é encontrada morta, com marcas de muita crueldade. Ali Neuman, o protagonista da história é  o chefe de polícia encarregado da investigação. Ali é negro. Quando pequeno, viu seu pai e seu irmão serem assassinados pela mílicia, e teve que fugir da sua terra natal junto com sua mãe. Ele tem ao seu lado a presença dos policiais Dan Fletcher e Brian Epkeen, sendo que este último desempenhará um papel fundamental nas partes finais do romance.

 Outro crime acontece, em circunstâncias semelhantes. Outra garota  e o chefe de policia juntamente com sua equipe se veem envolvidos num grande quebra cabeça, onde as peças parecem não se encaixam. A medida que conseguem alguns avanços, outros crimes vão acontecendo. E as vítimas muitas vezes são aqueles tomados como suspeitos.

O livro é um verdadeiro mergulho na realidade social e política sul africana. O autor recorreu à bibliografias sobre a história e costumes do país para desenvolver a trama, e acertou em cheio. Na narrativa temos conhecimentos sobre diversos grupos étnicos, sobre a estrutura social, dos imensos problemas que atingem a população mais pobre (negra, evidentemente) atingida pela violência, pelas gangs que disputam os pontos de tráfico, e pelas doenças, principalmente a aids. Como é descrito nas páginas “o apartheid político pode ter acabado, mas existe fortemente o apartheid social”.

Super recomendo. Para quem curte o gênero policial é indispensável a leitura. A historia foi ao cinema com Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia, A Filha do Presidente, Os Reis da Rua) e Orlando Bloom (O Senhor dos Anéis, Tróia, Cruzada).

Resenha de Renato Neris, resenhista do Arca Literária

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