Yitzhak Ben-Gurion

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  1. Fale-nos um pouco de você.
    Nasci em uma família muito simples, no município de Patos de Minas. Não que eu me lembre do meu nascimento, pois eu era muito criança para me lembrar disso. J Foi meu pai quem me contou isso. Meus pais moravam numa casa de pau-a-pique, rebocada com bosta de vaca. Meu berço era um cesto de bambu, que meu pai mesmo fez. Ele era lavrador. Mas em pouco tempo ele aprendeu a profissão de dentista com meu tio, então ele se tornou dentista prático. Quando adolescente descobri que gostava de escrever versos para as garotas, e então comprava cartões e dava de presente com meus versos. Um dia uma professora de redação disse que eu tinha futuro para a escrita, e então eu me dediquei ainda mais aos meus versos. Mais tarde eu cheguei a arriscar a escrever pequenos contos, mas só consegui escrever o primeiro livro depois dos quarenta anos. Quando eu tinha quatros anos meu pai se mudou para São Luiz de Montes Belos,  interior de Goiás, e lá morei até meus 21 anos. Aí fui morar em Goiânia onde estudei Processamento de Dados. Em 1998 vim para São Paulo para trabalhar com sistemas de computação em grandes empresas. Atualmente moro em Santos com minha esposa e dois filhos.
  2. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
    Sou Analista de Sistemas por formação e dedicação, mas nas horas vagas eu gosto de escrever poesias e livros. A inspiração para escrever livros foi uma continuação natural das poesias.
  3. Qual a melhor coisa em escrever?
    A melhor coisa em escrever é poder misturar várias ideias diferentes para construir histórias ainda mais diferentes e instigantes. Eu gosto de construir universos paralelos.
  4. Você tem um cantinho especial para escrever?
    Não tenho um cantinho específico, mas gosto de lugares quietos. Escrevi várias poesias em padarias e lanchonetes, uma era de frente para um cemitério. O livro Pacto Maldito eu escrevi metade em casa, nos finais de semana, e metade dentro do ônibus fretado, voltando do trabalho para casa.
  5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
    Gosto de ficção que misture realidade com fantasia. Por isso acredito que seria penoso para mim ter que escrever uma biografia. Minha tendência natural seria começar a biografia de modo fiel, mas começar a fantasiar logo em seguida. Ainda não tentei mudar, mas pretendo, mais tarde, fazer também Contos. Já tenho algumas ideias preparadas.
  6. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens? Minha mente viaja muito. No dia-a-dia eu gosto de apimentar as relações acrescentando piadas e situações bem humoradas, e mudando um pouco a perspectiva quando conto algum fato. Isso para mim é natural. Pacto Maldito é meu segundo livro, ele é uma continuação não linear do livro Revelações do Sinai. Ou seja, não importa qual você vai ler primeiro, você vai entender a história toda. Gosto de misturar temas polêmicos e dar uma nova explicação para assuntos recorrentes. Misturei questões religiosas, políticas e históricas, e o que saiu foi um livro que força o leitor a rever vários conceitos. É do tipo de livro que mexe com as convicções, pois cria um jogo de espelhos tão bem elaborado que deixa o leitor sem chão, sem saber onde termina a realidade e onde começa a ficção. Mas além do enredo cativante procuro trabalhar a narrativa de modo que o leitor nem se importe com o desfecho da história, pois a narrativa em si já produz satisfação suficiente para continuar a leitura.

    Gosto de títulos pequenos, mas que transmitam grandes ideias. Quanto aos nomes, procuro fazer pesquisas criteriosas para que os personagens realmente pareçam fazer parte de uma verdadeira história.

  7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
    Gosto de ler bíblia, livros de história (China, Europa, Oriente Médio, América, etc), ciência em geral. Então eu misturo tudo e crio um mundo onde tudo é como eu quero que seja, onde eu possa dominar. Eu não sei pintar, mas gostaria de aprender. Então eu sinto que cada palavra que escrevo é como se fosse uma cor de tinta. Ao escrever um texto é como se eu estivesse pintando um quadro, e então cada situação, cada cenário, cada personagem, eu sinto que é um quadro, uma pintura, por isso procuro dar vida ao meu trabalho dizendo o que realmente quero dizer. Procuro usar poucas palavras, mas palavras que tenham uma grande carga de significados para expressar meus sentimentos. Eu procuro encher de sentimentos cada ideia que crio, cada frase que escrevo.
  8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
    Não, não me inspiro dessa forma. Se faço isso é involuntário, eu realmente procuro apenas construir mistério e suspense que seja instigante, e procuro também criar situações emocionantes. Como gosto de escrever poesias eu procuro dar uma carga de sensibilidade e humanidade às minhas palavras. Procuro impregnar em cada frase um desejo de viver, uma paixão pelas pequenas coisas. Apesar de serem histórias de mistério e suspense faço questão que a narrativa seja profunda, e que ela cative tanto quanto a história em si.
  9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
    Em formato de papel, sim, como todos, ainda tenho dificuldade. Não quero apenas imprimir e levar para casa para vender para os amigos, e o mundo editorial ainda pertence a poucos.
  10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
    Muitos veem o novo cenário de forma apocalíptica, mas vejo luz no final do túnel. É o momento dos novos autores se mostrarem. Não dependemos mais tanto dos editores tradicionais, pelo contrário, esses editores é que estão precisando se readaptar, pois um chão está se mexendo debaixo deles. Para os autores isso é bom, a internet e os moderníssimos livros digitais são portas abertas para um mundo de oportunidades.

    clique na imagem para ler a resenha
  11. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
    É natural que seja assim. Tem mercado para todos, cada um apresente a sua ideia. Todos têm direito de se manifestar e mostrar a sua arte. Muitos se acham escritores, mas os leitores é que vão dizer quem deve se firmar no mercado.
  12. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
    Os livros não são exceção no mercado. Como qualquer produto o que vale é a lei da oferta e da procura. Se você vende pouco, precisa aumentar o preço dos seus produtos para conseguir pagar suas contas. Se você vende muito, tem condições de fazer um preço melhor. E como o Brasil vende poucos livros, com relação à quantidade de pessoas, então precisa ter um preço alto.
  13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
    Não tenho nenhum nome que expresse plenamente essa situação, mas o livro O Código da Vinci, de Dan Brown, talvez seja o que mais se aproxime, pela forma como foi feito. Ou seja, o autor soube misturar vários fatos reais com várias fantasias e criou uma história que flerta com a realidade, mexe com as convicções e cria discussões reais.
  14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor).
    Não tenho uma música que defina uma trilha sonora para meus livros.
  15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
    O livro da minha vida acredito que seja algum livro que ainda vou ler.
  16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
    Sim, tenho. Estou meio atrasado, mas pretendo concluir minha trilogia no segundo semestre de 2016 com o livro Os Filhos de Caim. Dereck Kidner e sua amiga Susan com certeza irão protagonizar mais esse livro. Essa história vai seguir a mesma linha de mistério, aventura e suspense, com descobertas de mistérios antigos que nos fazem refletir e questionam nossas convicções. Essa história começa na África, na época do comércio escravo, e continua no Brasil, nos dias atuais. Depois de concluir essa trilogia pretendo escrever alguns contos também, mas seguindo a mesma linha, baseados em fatos reais.
  17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
    O universo blogueiro é um mundo paralelo que se abriu para beneficiar a todos, e não apenas no mundo literário. Com isso diminuiu o poder dos grandes conglomerados e abriu espaço para os pequenos artistas, ou grandes artistas, mas com pouca visibilidade. É importante saber o que os outros pensam sobre nós e sobre o nosso trabalho, isso nos faz crescer na medida em que nos permite corrigir os nossos erros. E os blogueiros abrem essa perspectiva, servindo de espelho para nós. Daqui para frente todos os grandes mercados (de livros, cosméticos, roupas, músicas, tecnologia, carros, etc.) vão ter que fazer reverência aos blogueiros sérios.
  18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
    Eu escolheria a Luciana Villas Boas, que atualmente é agente literária, mas já foi diretora da editora Record e entende quase tudo sobre o mercado literário. Receber uma crítica dela seria mais que um prazer, seria orientador.
  19. Qual a maior alegria para um escritor?
    Muitos diriam que é ver seus livros publicados, mas para mim seria ter meus trabalhos publicados e com retorno financeiro. 😉
  20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

          Escritor não é profissão, é missão. Acho que é algo como ser mãe, como pôr filhos no mundo e depois            se dedicar a eles com desapego tal que você já não se sinta completo sem eles. Eles nasceram através            de você, mas você nasceu para eles. Se você pensa em escrever apenas porque gosta de fazer uma                   redação, ou apenas porque acha bonito ser escritor, você ainda não está pronto(a) para ser mãe.

Yitzhak Ben-Gurion – Author

www.YitzhakBenGurion.com

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