Vitor Machado

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1. Fale-nos um pouco de você:
Sou um português nascido no Rio de Janeiro (dupla nacionalidade, portanto) que já conheceu os quatro cantos do país e do mundo, sempre colecionando impressões que hoje viram contos… Tenho três filhos (um de 21 anos na faculdade de Filosofia em BH) e duas princesinhas de 5 e 9 anos. Resido atualmente em Curitiba e daqui não saio mais… Afinal, melhor inspiração para contos de terror, talvez só Londres. Esse fato já explorei na introdução de um livro de contos chamado “Curitiba Sinistra”. Quem sabe fica conhecido através da Rico?

2. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
Por formação acadêmica sou Biólogo (mestrado em Genética) e Administrador de Empresas (especializado em Gestão de TI) e minha ocupação formal é de auditor-fiscal, mas a cada dia transfiro mais e mais energia para a escrita! A melhor inspiração sempre vem da vida real, mesmo em se tratando de Horror (ou até mais nesse caso…). Uma de minhas experiências mais impactantes ocorreu na infância e está descrita num conto chamado “Slenderman”. Meu favorito, portanto…

3. Qual a melhor coisa em escrever?
Viver (ou reviver) situações diferentes e excitantes

4. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)
Escrevo principalmente na biblioteca de casa (mas isso não me protege grandemente do assédio das princesinhas….

5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
Escrevo e gosto muito de Horror, em suas mais variadas formas. Entretanto tenho dois romances ainda não acabados que são Ficção Histórica, mas sempre com uma pitada (ou mais…) de macabro. Como também sou Sommelier há décadas, tenho um livro sobre degustação de vinhos, aguardando apenas tempo para ser revisado. Daí, nada de terrível (só algumas experiências com vinhos ruins!).

6. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?
Como disse antes, a inspiração vem sempre da realidade, pois a construção dos personagens e do ambiente sobretudo, fica bem melhor. Além disso, fica mais divertido escrever. Os nomes são sempre da família ou de conhecidos, incluindo um pouco (ou muito) dessas pessoas. Gosto que elas se reconheçam nas histórias! Quanto aos títulos, é justo o que me toma mais tempo. Só consigo in iciar a escrita quando tenho um título do qual gosto. Eles surgem por “geração espontânea”…

7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
Essencialmente a ambientação vem de experiências vividas, mas uma vez escolhida, complemento o aspecto visual com navegação na web e livros de minha coleção.

8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
Meus favoritos são justamente dois da antologia (Poe e Lovecraft), acrescidos do mestre M.R.James. Não diria que me inspiro, mas eles estão sempre lá, “inside my mind”. Meu desejo secreto, mas praticamente impossível para qualquer um, é conseguir imprimir nas minhas obras o medo gelado que brota das histórias de fantasmas do James.

9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
Comecei agora e portanto isso ainda não aconteceu. Estou “colecionando antologias”… Antes compartilhava minhas escritas com amigos e seguidores na Web.

10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
Acho animador, especialmente no campo do Horror. Até recentemente, se você fosse sugerir leituras nacionais de horror, acabaria ficando em mestres bem antigos, como Gastão Cruls, por exempo. “O Espelho” desse cara continua sendo o máximo, de qualquer forma. Hoje começam a surgir talentos em profusão. Em antologias, por exemplo….

11. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
Recorrendo aos meus conhecimentos de Biologia (minha formação original, como disse no começo), o que está ocorrendo é clássico: um ambiente novo que se abre sempre predispõe ao aparecimento de miríades de novas “espécies”. Entretanto, logo em seguida, a malvada da Seleção Natural aparece para escolher os melhores. É um estágio de evolução, sem dúvida.

12. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
O grande entrave. Nasce obviamente do absurdo Sistema Tributário brasileiro (lá vem meu lado Auditor da Receita… Isso sim é terror!), mas também do minúsculo público leitor. Procura x Oferta, simplesmente. Simples porém profundo, já que nos remete a questões densas de nossa História. Não ficção de Horror….

13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
Vou citar um conto que me assombrou por toda minha infância – “Ratos do Cemitério” de Henry Kuttner.

14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)
Meio óbvia, mas forte e adequada – “Quadros de uma exposição”, do russo Modest Mussorgski.

15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
“Ghosts Stories of an Antiquary”, de M.R.James e a primeira aventura de Sherlock Holmes, de Conan Doyle (Um Estudo em Vermelho).

16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Até já toquei neles antes. Meu livro de contos “Curitiba Sinistra”, ambientados na Londres brasileira, os dois roimances de ficção histórica (um começa com tribos celtas na região do atual norte de Portugal e o outro sobre viagem no tempo, ambientado no nosso saudoso Segundo Império). Sem esquecer do livro sobre degustação de vinhos, produto de 20 anos de aulas e eventos eno-gastronômicos.

17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
Até acompanho, mas sempre tive uma certa birra com críticos ou comentaristas. Lembram comentaristas de futebol do rádio, dizendo para você que está no estádio o que se passa na frente de seus próprios olhos…

18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
Meu sonho seria ler em voz alta um conto meu, nas reuniões de Natal em Cambridge, onde M.R.James lia os seus trabalhos para os alunos! Entre os vivos, Vianco.

19. Qual a maior alegria para um escritor?
Sem dúvida ser publicado. E lido, claro!

20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
Ponham o máximo de suas próprias vidas nos teus escritos. Sangue, suor e vísceras!

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