Vi Portalli

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Vivian, 30 anos, leitora compulsiva (leio de 2 a 4 livros por semana, entre físicos e kindle). Sou casada, tenho 2 filhos, de 7 e 4 anos. Moro em Porto Alegre, RS.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de escrever, faço doces e bolos por diversão, trabalhava em um conselho regulador de profissão em tempo integral, mas optei por trabalhar meio turno em uma editora, com revisão de periódicos jurídicos. Estudo Licenciatura em Letras. Canto nas horas vagas (são poucas.

A inspiração para a escrita vem da minha curiosidade com a leitura. Desde pequena sempre queria saber o máximo de coisas possíveis, tanto que me ensinaram a ler antes de ir para a escola, para que eu não ficasse perguntando o que estava escrito em todo e qualquer lugar. A leitura foi a descoberta de mundos maravilhosos, e quanto mais eu lia, mas queria descobrir e achava maravilhoso que uma pessoa pudesse inventar tanta coisa e criar uma história com isso. Sempre escrevi bem na escola, mas a vontade real de escrever e publicar veio ao ingressar na faculdade e perceber que, apesar da minha origem humilde, de ser bolsista e ter estudado em escola pública, a avaliação dos professores era de que eu escrevia melhor que a maioria dos colegas. Esta avaliação me animou a colocar no papel o que estava na minha cabeça.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa em escrever é poder tornar real, de certa forma, coisas que existem apenas na minha cabeça, ou externar sentimentos que nos afligem. Era uma criança tímida, não falava muito, mas observava tudo a minha volta, e nestas observações eu costumava imaginar as inúmeras possibilidades de cada situação, que reações viriam de certas ações, a imaginação funcionava muito bem, principalmente no que se referia às minhas próprias ações. Na verdade, sempre tive uma Vivian interior muito ativa e impetuosa, a despeito da Vivian real introspectiva e tímida.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Nunca pensei em ter um cantinho especial para escrever. Como as ideias vem a qualquer hora, criei o costume de ter um bloco na bolsa, e escrever sempre que algo surgia. Uma vez escrevi todo um capítulo de uma história dentro do ônibus, ao voltar para casa. O detalhe é que o ônibus estava lotado e eu estava de pé. Escrevi mesmo assim. Se não dá mesmo para escrever, costumo mandar sms para mim mesma com a ideia para desenvolver depois. Ou seja, escrevo onde e quando dá.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Sou apaixonada por literatura fantástica, diria que este é meu gênero literário base, mas não vejo problema em tentar outros gêneros. No caso das antologias, por exemplo, basta ter o tema, a ideia para desenvolver virá para aquele tema, dentro do gênero que foi proposto. Acredito que o escritor deve se desafiar para que sua escrita melhore, e passear nos mais diversos gêneros é um desafio que gosto de superar.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Bom, sobre os títulos, não acredito que seja muito boa com títulos. No geral escrevo primeiro e depois avalio um título que possa ser adequado, mas sou péssima nisso. Já os nomes dos personagens são mais fáceis. Gosto de pensar em significados, mas não óbvios demais, quando nomeio os personagens, mas também procuro adequar esses nomes ao universo onde eles existem. Por exemplo, tenho uma história iniciada onde metade dos personagens são índios, então os nomes deles basicamente representam algo da natureza, pois é esta cultura em tribos indígenas.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

As pesquisas para criação do universo de um livro dependem inicialmente do gênero textual, se ele se passará em um local é época real ou se será algo criado especificamente para aquele livro. A partir disso, pesquisas relativas ao local, ao clima, geografia, arquitetura, para preparar os ambientes. Também pesquisas relativas à profissão, a uma atividade que os personagens possam realizar, possíveis doenças ou transtornos que sejam relevantes, etc.. Conforme vou escrevendo e a história se encaminha para um ou outro lado, vai surgindo a necessidade de uma pesquisa específica sobre algo, e as vezes acabo por reescrever trechos que possam deixar a situação verossímil.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Como falei antes, amo fantasias, e a inspiração vem de livros fantásticos. No momento meus preferidos são As Crônicas do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss, pois o universo criado por ele é incrível e diferente de tudo que já lí até agora.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sou uma escritora iniciante, então não tenho livros publicados (ainda). Participei de três antologias, sendo que a primeira, apesar de fazer quase um ano de aprovação, ainda não foi publicada por problemas na “editora” responsável. Isso fez com que eu desistisse de participar de outras antologias desta editora. Já as outras duas antologias, que estão em processo de publicação e finalização, foram incríveis. Organização e suporte excelente aos escritores, editora responsável, prazos cumpridos.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Apesar de não acompanhar muito o cenário da literatura nacional, posso perceber que existe um crescimento no que se refere à leitores e escritores. As novas plataformas de publicação e as redes sociais, que permitem aos escritores se divulgarem e mostrarem sua obra, incentivam cada vez mais pessoas a se aventurarem na escrita. Em contrapartida, percebo que a publicação e a comercialização de livros físicos não são baratas. Comprar livros está mais caro, o que desestimula o crescimento neste aspecto. Ainda assim, vejo com bons olhos o futuro da literatura, e espero que surjam grandes autores em todos os gêneros, que se destaquem e levem a literatura brasileira para leitores de todo o mundo e mostrem que a produção nacional pode ser tão boa e muitas vezes melhor que o que se produz lá fora.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Vejo isso de duas formas: o brasileiro costuma subestimar tudo que é produzido por brasileiros, então o fato de que muitos estão lançando livros, apesar da desvalorização, é algo positivo. Ser bom ou não é um segundo aspecto. Acredito que em outros países a situação seja semelhante, mas como só chega a nós o que é sucesso internacional, parece que tudo que vem de fora é maravilhoso, ou seja, não sabemos qual a porcentagem de coisas boas entre tudo o que é produzido fora por que só temos o que já foi considerado bom. Na minha opinião, quanto mais gente estiver publicando, mais gente estará lendo. Isso é muito positivo, e a possibilidade que dentre todos estes autores, algum se destaque de forma excepcional aumenta na medida que mais autores se encorajam a publicar suas obras.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Livros no geral estão caros. Mesmo as versões digitais têm preços elevados, o que derruba o argumento de que o processo de publicação física encarece o livro. Acredito que justamente o boom de publicações e o aumento de leitores fez com o comércio se aproveitasse disso para lucrar. E com isso incentivam inclusive a pirataria, pois o que mais vemos por aí é gente que procura os pdf’s da vida para não comprar os livros porque estão muito caros. Ao mesmo tempo, esse povo que reclama dos preços é meio hipócrita, pois hoje uma ida ao cinema paga tranquilo um ou dois livros, uma saída de fim de semana para uma saga inteira, então a desculpa do custo não cola para mim, é falta de vontade mesmo. Ter livros é caro, mas é um investimento, então vale a pena pagar um pouco mais sim, mas acredito que o incentivo à leitura acaba prejudicado pelo valor dos livros.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Com certeza, O nome do vento, d’As Crônicas do Matador do Rei. O universo desta série é incrível, e meu sonho é criar um universo completo em uma das minhas histórias, algo diferente de tudo que já foi feito.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Nunca pensei em uma trilha sonora para meus livros, mas tenho um amor especial por uma banda, cujos álbuns sempre me fazem pensar que seriam ótimas trilhas: Pain Of Salvation. Algumas músicas deles parecem. Na verdade, pensando agora, o último álbum – In The Passing Light of Day tem músicas perfeitas para uma das minhas histórias…

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Não tenho um “livro da minha vida”, mas tenho livros preferidos, de momentos da minha vida até agora. São livros que costumo reler várias e várias vezes, quando quero rememorar sentimentos.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Como só participei de antologias até o momento, tenho sim projetos solo, os quais ainda estão no início. Um deles já tem título, A Lenda Ancestral, que se passa em uma tribo indígena na Amazônia. A personagem principal, Evelyn, se descobre no centro de uma lenda de eras e acaba envolvida em uma série de acontecimentos sobrenaturais que irão mudar a realidade da tribo e a forma como ela vê o mundo, a vida e a si mesma. Também pretendo continuar participando de antologias, sendo que a próxima é a “3:33 A Hora do Demônio”.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não tenho acompanhado críticas de blogueiros, no geral procuro curiosidades de livros que já tenho interesse, e esbarro nas críticas às vezes.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Pergunta difícil… hoje tenho poucos referenciais brasileiros, mas um que gosto de ler e admiro muito é o André Vianco. Se eu fizesse algo específico de terror, gostaria que ele lesse.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Acredito que a maior alegria para um escritor é ver sua obra sendo lida e ter retorno dos leitores a respeito dela.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para os leitores, eu digo: leiam o máximo que puderem. Ler abre a mente para o mundo. Ler nos permite aprender, e nos permite escapar. Ler é entrar em mundos e questionar o nosso próprio mundo. Quanto mais lemos, mais possibilidades vemos em toda e qualquer coisa. Então leiam, se permitam, conheçam coisas novas. E se possível, contatem os escritores para dar sua opinião.

Para vocês que querem escrever, sejam corajosos. Às vezes ficamos desapontados porque aquilo tudo que imaginamos não ficou tão bom quando escrito, mas é assim que funciona. Escrevemos, lemos, odiamos, descartamos, reescrevemos, evoluímos. Escrever requer prática, e coragem para expor nossa mente ao mundo. Sejam corajosos e se libertem. A alegria de saber que uma pessoa que seja leu e achou bom o que você escreveu é indescritível.

40 Comentários

  1. Parabéns Vivi, sempre muito talentosa e de uma grande humildade, que no meu olhar faz a diferença. Te desejo muito sucesso.

  2. Sem dúvida a Vivian que conheço. Muito determinada e organizada no cumprimento de suas metas. Parabéns por seguir (perseguir) teus sonhos… Sem dúvida vais realizar muitas coisas nesta vida além das que já realizastes até então. Todo sucesso para ti !!!

  3. Ótima entrevista, lhe desejo sucesso para que consiga alcançar suas metas e objetivos Parabéns ??

  4. Legal Vivian!!! Já fiquei curioso… n sei sobre as receitas que saem os doces – que ficam tão bons!! Mas sei que para escrever, tem que ter na receita criatividade, sensibilidade, inteligência, sabedoria, e outras nerdices mais… coisas que tu já tens muito!! Bota pra fora e SUCESSO!!!

  5. Parabéns Vivi, não conhecia esse teu lado”escritora” muito bom, espero que tenha muito sucesso, percebe-se que esse é teu mundo, vá em frente. Abraço

  6. Realmente tem uma Vivian dentro dessa que eu conheço. Tão maravilhosa quanto. E que tá pronta pra se revelar através da sua escrita. Sucesso Vivian vc tem talento.

  7. Parabéns Vivian. Não conhecia este teu lado leitora e escritora. Sucesso a você nas novas propostas. Excelente entrevista.

    • Obrigada! Eu nunca espalhei muito a noticia rsrs… Mas agora pretendo publicar, então preciso divulgar.

  8. Amei a entrevista da Vivian Portalli, sensível e inteligente. Como é bom saber que temos autores novos e talentosos. Já estou curiosa pra ler essa nova Antologia! Sucesso!!

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