Olá pessoal!

Vamos falar hoje sobre o livro de uma autora até então desconhecida pra mim. Tem gente que ainda se prende a ler apenas obras de autores e autoras de renome, títulos que são indicados em revistas de circulação nacional e perdem muita chance de desfrutar outras possibilidades, pois há gente talentosa produzindo coisa bacana.

Verdades – Nem tudo é o que parece” da Nize Morais é uma mescla de drama e suspense, e com algumas pitadas de humor. São 281 páginas de uma história que a gente lê sem se cansar, pois não há momentos de lentidão nem procrastinação. Considero que a fluidez é um dos pontos principais que integram uma boa trama.

Que vida maravilhosa, Ana Lúcia. Tenho 26 anos, moro num belíssimo apartamento, tenho um emprego que muitos matariam para estar no meu lugar, ganho bem… e você não consegue arrumar ninguém decente para transar há quase um ano”(p. 09).

Ana Lúcia é uma garota inteligente, proativa, esforçada. Ela mora em um aparamento que pertencia ao seu pai Osvaldo em Ipanema, no Rio de Janeiro. Marta é a pessoa que cuida de quase tudo para ela. As duas são bem próximas, e como não possui parentes por perto, Ana Lúcia a considera bastante; a relação das duas vai além da patroa e emprega. Marta é como se fosse uma irmã mais velha.

Lu, para os mais íntimos, passou por momentos difíceis na adolescência e no início da fase adulta. Seu analista recomendou que ela registrasse as suas lembranças num diário e é dessa forma que ficamos sabendo da sua vida na fazenda dos Souza Salles. Ela cresceu junto com Pedro, filho dos proprietários, apesar de seus pais serem apenas funcionários. O garoto não era filho biológico do Sr. Eduardo Salles, mas deu-lhe seu nome.

Ana Lúcia, mesmo com seu pai fazendo de tudo para tê-la mais tempo em sua própria casa, passava muito tempo na moradia principal; era tratada como se fosse filha dos Salles. Chegava muitas vezes a dormir lá, junto com o filho dos patrões e isso não era visto como problema até o momento em que os dois já estavam bem crescidos, e Anabelle, mãe do garoto, passou a criar resistências. Com os hormônios a todo vapor, ficava cada vez mais difícil controlar os sentimentos pelo rapaz e Ana Lúcia se viu apaixonada por ele. As coisas foram ficando complicadas e mais complicadas, e a vida da moça virou uma tragédia quando a morte tirou dela os dois homens a quem mais amava: Pedro e seu pai. Restava-lhe seguir, tocar a sua vida bem longe da pequena cidade de Laigos.

Acho que você só esqueceu de dizer a cor da calcinha (p.10)”.

É na festa de aniversário do seu afilhado Carlos, filho de suas chefas e amigas Carla e Cátia, que Ana Lúcia conhece Diogo. A coisa é bem engraçada. Sentindo-se isolada, ela decidi ir para um lugar reservado e começar a falar em voz alta sobre a sua vida, de como ela tem certo sucesso mas não consegue arranjar alguém para fazer sexo. Acontece que o rapaz também se encontra ali e ouve tudo. Depois dos pedidos de desculpas e das apresentações, os dois começam a conversar e pinta um clima quente, até o momento em que são interrompidos com a chegada de alguém.

Mas o destino iria colocá-los em breve frente a frente. A empresa onde trabalha está para ser vendida, e suas chefas planejam uma recepção para o provável comprador. Lu recebe a incumbência de se fazer presente, e vai mesmo contra sua vontade. Lá, depois de beber mais do que devia, ela sente a necessidade de ir ao banheiro, e no seu estado, acabo molhando a calcinha. Tentando resolver a situação, acaba encontrando mais uma vez Diogo. O clima de constrangimento vai dando espaço para outros sentimentos, e mais tarde, os dois terminam a noite numa transa alucinante.

As coisas entre os dois vão ficando cada vez mais apimentadas e íntimas. Contudo, ela não entende e irá procurar explicações pela obsessão que o Diogo tem pela segurança dela. Além disso, novos acontecimentos irão bagunçar a vida de Ana Lúcia, e ela terá que encarar mais uma vez as situações trágicas de seu passado em Laigos, fazendo-a reviver traumas e angústias que julgava ter resolvido.

De forma geral “Verdades – Nem tudo é o que parece” se mostrou uma história interessante, que consegue prender o leitor. Os fatos são bem amarrados e a autora não deixa buracos nem situações apresentadas sem respostas. Pensei inúmeras coisas sobre o Diogo e sua exagerada preocupação com a segurança da Lu. Em determinado momento cheguei até considerá-lo um psicopata. Ainda bem que os motivos eram outros bem diferentes.

Uma coisa que destaco é que além da boa escrita, a autora consegue fugir das situações clichês que a gente tá acostumado a ver. Chega a ser frustrante quando a sensação de já ter visto acontecer em algum lugar anteriormente se concretiza.

Convido então a vocês viajarem nas páginas dessa história.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here