Vanessa Santos

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Vanessa dos Santos, sou bacharel em Inglês-Literatura pela UERJ e “Qual a falta que nos move” é meu primeiro livro.  Sempre tive interesse pelo mundo da ficção. Cinema foi meu primeiro grande amor. Não somente a parte técnica, mas também e principalmente o roteiro e as histórias contadas. Meu interesse por livros só ocorreu quando fiz pré-vestibular.  Os professores incentivavam bastante leitura para desenvolver nosso senso crítico. A partir daí foram livros e mais livros. Após anos imergindo em leituras, a vontade de criar um mundo ficcional despertou em mim. Criei um blog chamado Mar de letras e ali criava o meu mundo.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou professora particular em um curso preparatório e esse ano começarei minha segunda graduação: Português-Literatura com o intuito de fazer um mestrado na área daqui a um tempo. Pode parecer clichê, mas a inspiração vem da própria vida. E difícil definir um foco de inspiração. Pode ser uma conversa no metrô, alguma questão interior que procuro  explorar como forma e que pode ser uma boa história ou até mesmo através de sonhos como já aconteceu. Há um conto ( Seu Almir)  no meu livro que me ocorreu através de sonho, por exemplo.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Pergunta difícil! Mais acredito que a melhor coisa seja a reflexão sobre nós mesmos e o mundo que vivemos. Seja qual for o gênero, o grande lance em escrever é o fato de ela nos provocar. Provocar pensamentos que normalmente não temos ocasionando autoconhecimento. Mas quando colocamos no papel ou na tela vazia do computador vamos aos pouco nos preenchendo.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Não tenho um espaço físico mas  quando a inspiração vem, já começo a anotar as ideias no bloco de notas do celular, bloco de papel, e etc…O que tiver em mãos. Quando chego em casa passo a limpo no meu notebook.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Definitivamente são contos. Acho incrível poder tocar alguém, provocar o inimaginável no leitor em poucas linhas ou em poucas paginas. E também porque não tenho aptidão para escrever um romance ou algo mais longo. Logo me enjoo da história e deixo de lado.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

“Qual a falta que nos move” é meu primeiro livro e foi publicado pela editora Multifoco. Esse nome é uma homenagem ao meu filme brasileiro favorito: “A falta que nos move”. Esse título coube perfeitamente com os contos do livro, pois os personagens, ainda que seja uma coletânea de contos com histórias completamente diferentes, são unidos e movidos por uma falta por vezes material e por vezes de afeto.

Com relação aos nomes dos personagens, sempre procuro um nome que reflita a situação do personagem. Como tenho muito interesse em Mitologia e filosofia, muitas das vezes a inspiração vem daí.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Para falar sobre as pesquisas que faço, preciso falar um pouco sobre meu livro. São contos variados divididos em várias seções como Amor, condição social, cotidiano e etc… É a voz dos comuns, marginalizados cujas vozes são anoitecidas (como diz um livro de Mia Couto)

Para esse fiz muita pesquisa através da internet e em alguns contos através de conversas informais com pessoas que sofreram determinada situação que merecia ser contada e pensada.

     8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Há épocas em que apenas leio e como consequência dessas leituras passo outra época somente escrevendo. Mas não me inspiro de forma objetiva. Acredito que pra mim os livros que leio e autores que admiro me ajudam a expandir minha mente para novas histórias e me estimulam desenvolver meu próprio estilo e escrita. Meus autores favoritos e os livros que leio são meus grandes professores.

   9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sempre ouço falar sobre a dificuldade de novos autores em entrar no mercado editorial e se lançarem como autor através de uma editora séria e de tradição. Quando escrevi “Qual a falta que nos move” enviei para inúmeras editoras e somente uma respondeu. Tive muita sorte, pois a editora Multifoco abriu as portas de forma rápida, eficiente e sem grandes custos para quem está iniciando. Está sendo um importante pontapé inicial.

    10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Sou bastante otimista. Há muita gente boa publicando de forma independente ou tradicionalmente através das editoras. Apesar das dificuldades para publicação há outras formas e mídias para publicação de forma independente e novos e bons autores estão sendo valorizados.

clique na imagem lar a ler a sinopse do livro

    11. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Vejo essa situação com bastante otimismo. Ainda que esse boom aconteça, creio que é bom para o mercado. Dá uma injeção de capital nas editoras, amplia as vendas e mantem as portas de grandes e pequenas editoras abertas para obras de qualidade. É similar ao que acontece na sétima arte. É necessário o capital produzido pelos grandes blockbusters para o financiamento e produção de obras de qualidade. E claro, a sustentação dos cinemas.

     12 . Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É um fator crucial que dificulta a ascensão e divulgação de grandes artistas. Elevam o preço de autores nacionais e baixam o preço de best-sellers de autores internacionais. Em tempos de crise, qual livro o leitor irá escolher?

      13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Fácil! Vésperas de Adriana Lunardi pela originalidade da ideia. Conta o último dia de grandes autoras antes de cometerem suicídio. Perca tempos do Gregório Duvivier pelo estilo e originalidade na forma sucinta de suas histórias e Os Suicidas do Raphael Montes pela profundidade no psicológico dos personagens ao mesmo tempo em que entretém o leitor. Dá pra ler em uma sentada, mas a história fica na nossa mente por um bom tempo.

    14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Com certeza seria Blues da Piedade do Cazuza. Assim como a música os personagens de meus contos em “Qual a falta que nos move” é uma ode aos comuns e invisíveis de nosso cotidiano.

     15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sempre que termino de ler um livro digo isso. “Que livro sensacional! Esse é o livro da minha vida!” Mas se fosse escolher um seria A fogueira das Vaidades de Tom Wolfe. Foi o primeiro livro que li na vida e me mostrou o que é Literatura.

     16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Meu plano é continuar escrevendo. Já tenho um quase pronto de mini contos na mesma linha de “Qual a falta que nos move” e outro já em andamento.

    17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sempre gostei de acompanhar resenhas e criticas. Cinema, Literatura, música… Costumo acompanhar as criticas de blogueiros para estar atualizada com as novidades no meio e para dar uma força e motivação também. O meio mais especializado pode ser cruel.

   18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Virginia Wollf. Sem sombra de dúvida.

   19. Qual a maior alegria para um escritor?

Não há somente uma. É uma tríade. Escrever, ser lido e tocar pessoas com as histórias contadas.

  20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Leia, leia, leia e escreva, escreva e escreva. Leia os clássicos, leia os atuais, leia os best-sellers, leia os alternativos. Grandes autoras, grandes autores, grandes e pequenos livros. Esqueça oficinas de escrita, cursos de formação de escritor. Livros e autores que admiramos são grandes professores e tudo que precisamos saber esta aí. Recorra a amigos, peça a opinião deles e também de professores. Quando achar um estilo próprio, quando pensar que tua história pode fazer algum tipo de diferença na vida do leitor envie seu original para editoras pequenas e conhecidas por dar um ponta pé inicial na carreira de novos autores. O segredo é ser perseverante.  

Faça parte de nosso quadro de entrevistas!

 

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