Valentina Fernandes

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou mineira, mas fui criada na cidade de Vitória ES, onde estudei, fiz universidade, me casei e tive o primeiro filho. Em 2002 por questões de trabalho do marido, voltei para Ipatinga, Minas Gerais, onde resido até a presente data.  Mãe de dois lindos meninos: um de 17 e o outro de 10 anos, casada com um homem maravilhoso há dezenove anos. Meu marido sempre me apoia e embarca em meus sonhos. Gosto das coisas simples da vida. Amo minha família, um bom papo, sou extremamente carinhosa e apaixonada. Romântica de carteirinha. Acredito sempre no amor. Odeio injustiças, intolerância e arrogância. Meu lema: conhecimento é para ser compartilhado, não guardado em sete chaves. Por este motivo, adoro ajudar as pessoas. Se descobrir algo legal que pode ajudar, divulgo na hora. Adoro chupar limão rs, só durmo com travesseiro no rosto e morro de vergonha de chorar em público. 

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de autora, sou graduada em serviço social pela Universidade Federal do Espírito Santo e graduada em gênero pela Universidade Federal de Ouro Preto. Sou assistente social efetiva da Prefeitura de minha cidade, trabalho na Saúde atendendo vítimas de violência sexual e pacientes de HIV/AIDS. Amo minha profissão. Minha inspiração vem de fatos do cotidiano, de músicas, filmes e de observação. Adoro sentar em uma praça de alimentação e observar as pessoas. Desde o momento em que iniciei minha escrita de forma profissional, desejei colocar em meus livros assuntos polêmicos e muitas vezes invisíveis aos olhos da sociedade. Então, por meio do entretenimento, do romance, do drama, da comédia, resolvi trazer para meu leitor situações que o fizessem refletir sobre assuntos que não são tratados de forma clara, ou com informações necessárias. Desta forma, venho abordando violência sexual, violência doméstica, acessibilidade, adoção tardia, preconceito contra deficientes, adoção por casais homoafetivos e disputa judicial pela guarda dos filhos. Nos dois primeiros livros, os protagonistas são advogados, que atuam com estas questões. Ressalto ainda, que todos os casos citados são baseados em minhas experiências profissionais.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder levar minha mensagem ao leitor em vários lugares do Brasil e também do mundo. Lembro-me da emoção em ver no gráfico do aplicativo wattpad que tinha leitores em Moçambique, Angola, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Canadá, EUA e México. Inclusive mantenho contato com alguns. Além disto, receber o amor do leitor é muito gratificante. Eles vibram, torcem, sofrem com a história e com você.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Tenho um cantinho lindo que foi todo feito pelo meu marido. Ele desenhou, comprou o material e fez para mim. Coisa mais linda.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu escrevo romances, com foco em drama. Estou arriscando no gênero fantasia infanto-juvenil.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Em meus livros os leitores sempre irão encontrar amor, drama, superação, comédia e uma pitada de erotismo. Outro ingrediente que não pode faltar são temas nos quais atuo em minha profissão e insiro nas obras como forma de prestar um serviço de utilidade pública. Para os títulos faço uma ampla pesquisa para tentar ficar o mais distante possível de outros já existentes. Para nomear os personagens, geralmente uso de pessoas queridas ou pesquiso na internet.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Faço pesquisas nas áreas de saber dos personagens. Por exemplo, no caso dos advogados, uso dicionário de Direito, li muito o código penal e pesquisas em sites jurídicos. No caso do arquiteto, fiz extensa pesquisa na internet sobre tendências do mercado e também sobre o que há de mais moderno na área de acessibilidade a deficientes físicos.  Pesquiso ainda cidades, locais de turismo, comércio local, costumes dentre outros.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não me inspiro em nenhum autor para escrever, tampouco em livros.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Eu ainda sou autora independente, então publico os livros primeiro na amazon em e-book para depois colocar em venda no físico. As dificuldades encontradas são referentes ao investimento financeiro, que são bastante alto e também a divulgação que é um processo bastante complicado.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Ainda estou tentando entender melhor este cenário. Acredito que a literatura nacional está passando por um momento equivocado. Por exemplo, a Bienal de São Paulo que deveria estar focada em literatura, a meu ver está mais interessada em youtuber e celebridade, que em explorar novas possibilidades da escrita. Infelizmente, tudo girando em torno de dinheiro, a qualquer custo.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Bom, acredito que todo este alvoroço, onde todos pensam que são escritores, vá passar, porque escrever de verdade é trabalhoso, cansativo e precisa ser feito por amor à escrita. Como toda moda, esta também vai passar. Vão ficar os que escrevem por Dom, por amor a profissão e por missão. Quem pensa em ficar rico ou ter glamour com a escrita, vai perceber que não é tão fácil assim. Infelizmente, me preocupa muito alguns autores que não tem responsabilidade com a mensagem deixada, pois um livro se eterniza, cada autor vai deixar um legado, positivo ou negativo. Nós autores, somos formadores de opinião, pessoas públicas, então precisamos ter muita atenção ao transmitir nossas ideias aos leitores. Não sabemos quem está do outro lado, quais seus fantasmas, anseios, então determinados livros tem me preocupado muito, principalmente aqueles que romantizam a violência. Até por que, trabalho com violência há quatorze anos e posso garantir que não tem nada de romântico neste ato repulsivo.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Infelizmente, os preços elevados dos livros nos prejudicam imensamente. Aumentam e muito a pirataria, além de prejudicar a disseminação da literatura, pois sabemos da condição financeira de grande parte da população brasileira.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Diário de uma paixão. Na universidade participei durante doze meses de um projeto de pesquisa voltado aos familiares de pessoas acometidas por Alzheimer, e o autor foi esplendido em mostrar o drama das famílias que convivem com a doença e principalmente, em evidenciar o amor.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Andança de Beth Carvalho

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Amo o livro O Alquimista de Paulo Coelho

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou terminando de escrever a Serie Sonhos que é formada por cinco livros, quatro deles com personagens masculinos como protagonistas e o quinto com uma mulher como protagonista. Estou desenvolvendo um livro baseado em um conto meu que está na Amazon e que recebi vários pedidos para se tornar um romance. O conto chama-se Imperdoável – Do pensamento ao ato. Estou ainda trabalhando timidamente em um livro de fantasia para o público infanto-juvenil.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho algumas críticas. Observo que infelizmente, alguns blogs não dão abertura a autores iniciantes, evidenciando sempre os autores nacionais de maior fama. Porém, em contrapartida existem aqueles que dão abertura a todos. Tenho feito boas parcerias. Acredito, que para nós autores, o trabalho dos blogueiros é de suma importância.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Com certeza meu Divo Nicholas Sparks.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para mim, com certeza o reconhecimento do leitor e seu carinho. Este amor não tem preço e é o que me estimula a continuar no meu caminho.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Quero agradecer aos leitores por todo amor e pedir que leiam de tudo um pouco, diversifique, escolham outros gêneros, ouse mais. Livros tem o poder mágico de te levar a qualquer lugar. Valorize a literatura nacional, ela não deixa nada a desejar em relação à estrangeira. Divulgue seu autor, você é a único incentivo que ele tem para continuar. Convido todos a conhecer um pouco da minha vida em meu site www.autoravalentinafernandes.com.br

Aos iniciantes, estude muito. Tenha responsabilidade com seu leitor, com a mensagem que deseja passar. Não tenha pressa, tudo que vem rápido demais, acaba na mesma velocidade. Pesquise as editoras, não aceite o primeiro contrato que aparecer, infelizmente há muitas ruins no mercado. Busque opinião de outros autores, consulte um advogado de sua confiança. E por último, mas não menos importante, fuja das intrigas desde meio, seja honesto, transparente e parceiro. Há lugar para todos, não precisa disputar de forma desleal. Talvez se os autores brasileiros fossem efetivamente mais parceiros, a literatura nacional estaria em um patamar maior a que se encontra.

 

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