Valdeck Almeida de Jesus (O Poeta Baiano)

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Baiano de Jequié, nascido de pais analfabetos, sete irmãos menores. Aos 16 anos fiquei órfão de pai, com uma responsabilidade de criar os irmãos e cuidar de minha mãe, paralítica. Graças a ajuda de vizinhos e conhecidos sobrevivemos todos. Minha mãe aprendeu a ler e escrever comigo, coloquei meus irmãos para trabalhar e estudar e hoje são independentes.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de escrever, sou funcionário público há vinte e seis anos. Além de prestar serviços ho órgão público, eu frequento saraus de poesia, grupos de estudo, faço contação de histórias, viajo para eventos literários, dou palestras, faço oficinas de criação literária, assessoro o Fala Escritor na parte de comunicação, e visito amigos, curto pedaladas em finais de semana e, quando dá tempo, tomo umas cervejas para relaxar.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder me despir de todos os preconceitos, me libertar de amarras, posso ser assassino, prostituta, posso ser um policial do bem ou do mal, crio asas, mergulho nas profundezas da terra. A melhor coisa em escrever é essa liberdade, inclusive das regras gramaticais.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Não tenho canto especial para escrever. Ando sempre com papel e caneta, e, ultimamente, com um celular na mão ou no bolso. Onde pinta uma ideia legal, anoto, faço rascunhos e guardo. Às vezes o texto é concluído onde eu estiver, no trabalho, no médico, num ônibus ou na praia. Às vezes fica ali, guardado, esperando ser completado, por semanas e até meses.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Meu primeiro gênero literário é a poesia. Mas textos simples, sem muito rebuscamento. Tenho pressa, muitas vezes, quando desejo realizar algo. E com a escrita não é muito diferente. Meus poemas precisam ser processados, todos, a fim de se tornar publicáveis. Mas também tenho muita preguiça em ficar reescrevendo. Daí parti para o cordel, contos, crônica e já me aventurei em três romances, um deles inédito.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O primeiro romance é sobre minha família, em tom biográfico. A inspiração veio de amigos que cobravam um texto mais longo, em 2005. Fiz o primeiro, depois de publicado reescrevi inteiro, e agora está na quinta edição, pela Chiado Editora, de Lisboa. Tem o “Sim, sou gay, e daí?”, inspirado em histórias reais, notícias de jornais e invenções de minha cabeça (risos), que narra a aventura de um homossexual em busca de amor e as desventuras decorrentes dessa busca.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Eu leio muito, sou fuçador de sites de notícias, gosto de livros de aventuras, sou observador astuto. Posso ficar horas num evento, apreciando a programação e, ao mesmo tempo, olhando a movimentação, as pessoas, as histórias que elas contam ou inventam. Daí, muitas vezes, essas histórias me interessam como base para algum texto narrativo, anoto e vou desenvolvendo. Outras vezes passo por situações constrangedoras e não consigo revidar. Crio uma história e me vingo da pessoa, rs… Escritores são assassinos!

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não necessariamente eu leio em busca de inspiração. Adoro leituras, mas não consigo imaginar a partir de uma narrativa já pronta. Eu gosto de desafios. Não tenho muita coisa escrita no estilo romance, pois acho que tudo já foi escrito. Mas assim mesmo, fico imaginando formas ou histórias que ninguém contou ainda. Minha inspiração vem mais da vida real, dos acontecimentos ao meu redor, de histórias que me contam.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sempre tive dificuldade para publicar. Quem não teve que atire a primeira pedra. Sempre banco a publicação de meus escritos, mas mesmo assim nem sempre é fácil, pois os custos de produção, impressão e distribuição são proibitivos. Na verdade, publicar hoje em dia é a coisa mais fácil. Mesmo em papel, em pouca tiragem, ou até mesmo livro eletrônico. O difícil é fazer o livro chegar ao leitor, estar em livrarias, chegar às escolas.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Não vejo muita coisa de novo, não. As dificuldades é que aumentaram muito. Publicar e lançar literatura é uma tarefa para utópicos sonhadores, insistentes mesmo. Viver de literatura é quase impossível. Isso é assim desde o começo, é só ler a histórias de vida dos grandes escritores. A indústria do livro, quando tem filões que vendem, alimentam grupos fechados. Assim, de novo, nada vejo no cenário.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Sempre é bom que surjam novos autores. Mesmo que não sejam bons. O importante é criar o hábito de leitura nos brasileiros. O tempo e a demanda vão fazer a parte deles, que é limar, polir, obrigar a que se produza cada vez algo melhor. É assim que penso. Se não tiver quem produz, não se alimenta a cadeia produtiva. O que falta é incentivar os outros elos, a venda, a distribuição, fazer o livro chegar a todos os recantos, ter críticos, resenhistas, professores adotando esse ou aquele autor etc.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Deveria ser mais acessíveis. Não só os nacionais.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Seria uma trilha incidental, música instrumental, algo sem letra, suave, com momentos de tensão, algo tipo ópera talvez.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Admirável Mundo Novo, de Adous Huxley, e Carta ao Pai, de Kafka.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Viver de livros, viver de vender livros, poesia, romance, crônicas… Estou nessa carreira há muito tempo e ainda não vejo um cenário favorável.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Poucas críticas são contundentes, acrescentam algo que faz a gente pensar. Muitos fazem apenas um texto superficial da leitura que fizeram. Mas é válido, quanto mais se falar sobre literatura, melhor.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Jean Wyllys.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ter seu texto comentado, para o bem ou para o mal.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Leitura, leitura, leitura. Se envolver com o universo da escrita, da contação de história, conhecer outros autores, pessoalmente ou através de suas produções. Não dá para se isolar e criar literatura. Tem que ter conexão com o mundo, com as criações de tantos escritores bons desse mundão de meu Deus.

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