Utopia

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Utopia.

 

Para quem não sabe, a palavra UTOPIA teve a sua origem devido a um livro escrito por Thomas Morus, em 1516, onde ele apresenta uma sociedade perfeita, no entanto, inexistente. E foi a partir daí que essa simples palavra passou a representar tudo o que é imaginado e sonhado como algo perfeito, ideal, enfim, utópico.

Vejam bem, foi escrito no século XVI e estamos  no século XXI, e por incrível que pareça, não parece estar tão distante assim. Para ilustrar esse fato é preciso entender que o livro tem duas partes, ou dois livros, sendo que no primeiro há uma crítica à Inglaterra da época e no segundo, uma sociedade que seria algo em contraponto à sociedade inglesa. Nele o personagem principal, Rafael Hitlodeu, narra a sua viagem à Utopia.

O autor escreve no primeiro livro que os camponeses estão sendo expulsos do campo e migrando para as cidades (alguém lembra dos êxodos nacionais exatamente iguais?). Assim, descreve que: 1) há bandos de ladrões, 2) a justiça é cega e cruel, 3) a realeza é ávida por riquezas, 4) há perseguições religiosas, 5) um povo oprimido pelo trabalho para manter quem está no poder, 6) a sede de riqueza por parte de quem está no poder é tanta a ponto de causar miséria do povo com aumentos de impostos, além de cavar um abismo entre as classes sociais.

Não sei se mais alguém percebeu, mas eu notei que há uma semelhança muito grande com a nossa atual realidade.

A crítica de Thomas Morus, em seu livro Utopia, serve muito bem para nosso país, e até mesmo para o mundo. Mas convenhamos que a nossa sociedade, principalmente aqueles que estão no poder, se parece demais com a realeza da Inglaterra do Século 16. A Inglaterra continua sendo monarquia, mas algumas coisas mudaram por lá. Não é um país perfeito, mas muitas mudanças foram feitas e o povo parece algo que satisfeito.

Aqui, no entanto, parece caminhar para um abismo sem volta. O povo ainda não compreendeu que é preciso mudanças, algumas até mesmo radicais, para que nos tornemos mais parecida com a sociedade utópica descrita no livro de Morus.

Aquela sociedade alternativa não tinha problemas, pois lá não se podia prejudicar ninguém em favor de uma religião, a intolerância e o fanatismos eram punidos com exílio e servidão (claro que isso teria que ser modificado, por exemplo, por leis mais severas do que temos atualmente), o povo podia escolher  suas crenças e cultos, podendo coexistir em harmonia ecumênica, além de desfrutar de paz (as guerras que vivemos em nosso país contra o crime e os traficantes se equivales às guerras que o Rei Henrique VIII travava em sua época. E o mais importante, o parlamento zelava pelo bem do povo.

Alguém acredita que os nossos políticos e representantes do povo pensam realmente no bem de quem vota neles?

Precisamos de uma nova república, mas essa mudança tem que partir do povo, pois somos um país democrático, que talvez ainda não tenha aprendido o quanto é poderoso um voto.

Se a Inglaterra de Thomas Morus se aproximou bastante do seu sonho utópico relatado em um livro, por que não podemos sonhar com a nossa utopia brasileira?

Antonio Henrique Fernandes

Colunista

 

 

 

 

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