Um tanto clichê

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Bolada

Eu consegui voltar a escrever. E escrevi assim:

As coisas ganham e perdem sentido tão rápido…

As esquinas de repente todas ficaram iguais; é como se você estivesse em cada uma delas, em uma mesa bebendo uma Coca-Cola e olhando a paisagem, nunca olhando para mim, apenas o infinito da paisagem onde nós, as pessoas que amam, costumam se perder.

Essas esquinas que estão em avenidas velozes, highways para qualquer lugar, essas esquinas sempre cheias e no entanto vazias, esquinas em escadas, à beira-mar, à meia-luz de madrugada, no espelho quando a gente se olha bem dentro do olho, essas esquinas de repente todas iguais porque em todas você está.
Eu, é como se não estivesse…

Nas paredes da cidade estão cartazes com as feridas que em seu recôndito desenhei, sem ver, acredite. Toda vez que olho para eles, pareço sangrar; ou talvez seja você quem sangre, ou o mundo inteiro apenas.

E nas janelas velhinhas sonham com o tempo em que eram felizes, eu sonho com a época em que sonhava, era mais livre. Até acho que não ando fazendo nada direito, isso é certo e também incerto, mas vou andando por aí. Recolhendo um pedacinho aqui, outro ali. Não é fácil se achar nessa multidão de gente que raramente se dá ao trabalho de se procurar.

Mas hoje, só hoje, eu procuro tudo o que não tenho. Às vezes acho que não sei ter. Mas eu posso aprender. Aprender a ter, tanto quanto tenho aprendido a perder…

E nada mais clichê que a falta.

Fonte da imagem: We Heart It.

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