Um Final de Semana Qualquer

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A cidade estava vazia por causa do carnaval. Tão quieta. Tão tranquila. Tão morta.
Eu fiquei sozinha naquele final de semana. Deixei os amigos de lado. Não botei o meu bloco na rua. Preferi festejar com o controle remoto da TV.

Abri uma lata de cerveja, comi umas batatinhas e me esbaldei nas lágrimas da solidão quando assisti ao filme Livre. Sim, um brinde à solidão! Ao tempo consigo tão necessário à sanidade.
Era apenas mais um final de semana. Uma manhã qualquer. Uma marca de cerveja qualquer. Uma palavra qualquer. Um filme qualquer? Talvez um sentimento qualquer. Qualquer coisa já valeria a pena.

Os dias passavam depressa demais. A cama e o sofá desconfortáveis para minha preguiça. Sozinha em casa sem nada para fazer e a angústia do isolamento aumentava. Estava no cárcere de minhas emoções. Busquei a liberdade no sono profundo para ver se a vida passava e deixava de cobrar sua parte, mas na terça-feira de carnaval eu despertei.

Não era mais uma manhã qualquer. Era o dia em que fiz um brinde à mim mesma. Levantei a cabeça. Sacudi a poeira do meu ser e naquele final de semana me encontrei.

Me encontrei entre as paredes da casa vazia. Paredes mudas. Me encontrei no sol que atravessou a janela do quarto e esquentou meu rosto. Me encontrei nas árvores e plantas do jardim e na rede no quintal. Me encontrei no cafezinho da tarde e nos olhos silenciosos que percorrem o jornal. Me encontrei aqui, ali, lá e talvez acolá eu ri para não chorar. Me encontrei e já não era mais um final de semana qualquer.

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