Ulisses Alves

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou alguém muito nostálgico e extremamente ansioso. Sou namorado da minha esposa e pai de dois filhos. Moro em Teresópolis, cidade que amo por causa das densas neblinas e clima de cidade pequena do norte dos EUA, embora fique na região serrana do Rio de Janeiro.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de escrever eu sou motion designer e editor de vídeos. Trabalho com audiovisual há mais ou menos 8 anos. Mas escrevo há 11 anos. Como sempre fui muito tímido e com muita dificuldade para me expressar, encontrei na literatura essa liberdade de expressar ideias nas quais acredito.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Viver, em primeira mão, aventuras em outra dimensão. Bem longe dos limites da realidade.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Eu sonho em ter um, haha. Mas ainda não tenho. Mas, por outro lado, gosto de escrever onde posso. Na sala pela manhã, no escritório numa tarde de domingo, na minha casa, casa dos meus pais, etc. Gosto dessa variedade. Na verdade, acho que gostaria mesmo é de fazer de cada lugar aleatório, um lugar especial para a escrita, haha.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu sou péssimo para classificar os gêneros da minha escrita. Eu gosto mesmo é de colocar um pouco de tudo na minha escrita. Mas ouso dizer que comecei com fantasia e humor, e passei para o surreal sombrio, e hoje escrevo terror, mistério e drama, mas sempre com um pouco de fantasia.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Minha inspiração vem de situações vividas, ou de sensações experimentadas. A inspiração para o primeiro livro, Esquimolândia, veio quando eu estava indo para casa de carona com minha mãe, e havia muita neblina na rua. Sempre achei a neblina absurdamente inspiradora. E então comecei a escrever uma aventura pela rua nebulosa de um lugar que chamei de Esquimolândia. Tudo que escrevi nesse primeiro livro e no segundo, foi uma mistura de tudo que eu absorvia naquela época: Star Wars, Senhor dos Anés, Pink & Cérebro, Harry Potter, Sailor Moon, Pokémon, Osama Bin Laden, Chica da Silva, emos, Orkut, MSN, emoticons, Cristo Redentor, Bonecões do Posto e etc. Haha, um milhão de coisas. Tudo me inspira, por isso meus livros e personagens são bastante variados.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Ah, depende demais de livro pra livro. Geralmente eu não escrevo sobre algo que precisa de muita pesquisa específica. Gosto de escrever explorando mais as sensações dos personagens com experiências comuns do cotidiano. E muita coisa eu invento a partir do conhecimento que eu já tenho mesmo.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Hoje me inspiro muito em Carlos Ruiz Zafón e Machado de Assis. Mas quando escrevi meus primeiros 2 livros eu nem gostava de ler, hahaha. Então o resultado é bastante original. Mas por coincidência, todos comparam muito com Douglas Adams. E realmente parece, embora eu nunca tivesse lido O Guia Do Mochileiro das Galáxias até pouco tempo.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Minha maior dificuldade é segurar a onda pra publicar um livro por ano, haha. Mas já quis publicar por uma editor paga e não tive dinheiro, o que atrasou a publicação do meu segundo livro em dois anos.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Minha impressão é que o mercado anda bem movimentado. Mas equivalente ao que sempre foi. Antigamente poucos escritores conseguiam chegar às editoras, e menos ainda chegavam aos seus leitores. Hoje, todo mundo consegue chegar em uma editora. É só usar o e-mail e ter um dinheirinho, e mesmo assim tem editoras que facilitam o muito o pagamento. E é ainda mais fácil chegar ao seu público leitor, com tanto recursos que temos hoje! Porém, é tanta facilidade que a competitividade é bem maior. Por isso acho que está, de certo modo, a mesma coisa de sempre.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que o mérito saiu um pouco da qualidade da escrita para a quantidade de divulgação. Quem divulga mais tem mais leitores, simples assim. E muitas editoras só olham números, então. Se muita gente gostou de algo que não tem tanta qualidade assim, então passa a ser meio que novo padrão de qualidade, haha. Mas sei lá, vai que é um novo movimento literário surge daí? Haha.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Nunca reparei. Estão muito caros? Poxa, meu livro tá bem barato.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Pra ser sincero, acho que nunca pensei assim sobre história nenhuma. Até porque sou inspirado pelo que absorvo (leituras, vivências, músicas, filmes, seriados, jogos, etc) e no final das contas, qualquer ideia com a qual eu tenha contato, meio que vai contribuir de alguma maneira para qualquer história futura minha. Então, nunca senti vontade de ter tido alguma ideia. Quando me deparo com uma ideia genial, eu simplesmente a admiro, haha.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Acho que o “conjunto de obras” que eu tenho até agora, se é que posso chamar assim, haha, é muito bem traduzido na música The Logical Song, do Supertramp.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Até agora, o livro que mais me marcou foi A Mulher do Viajante do Tempo, da Audrey Niffenegger.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Ah tenho. Ah se tenho! Hahaha. Depois que publicar os últimos 4 livros que escrevi, tenho planos para dois livros sobre design gráfico, uma aventura nos confins do universo, uma história sobre imortais que começa na época da Inquisição e um livro sobre a relação de um homem e seu anjo da guarda. Tem também algo sobre uma menina de olhos prateados que vive em um hotel abandonado e mais um monte de outras ideias, haha.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não acompanho muito, para falar a verdade. Mas quando se trata das minhas obras, eu confesso que adoro ler as críticas, e me divirto muito! Adoro saber a impressão que tiveram sobre o que leram.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Ah, André Vianco! Gostaria que ele fosse meu leitor, haha.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ganhar o Nobel! Hahaha. Brincadeira. Embora isso deva ser maravilhoso, a maior felicidade é saber que sua história e seus personagens inspiraram algum leitor. Livrou alguém de seus problemas, mesmo que por algumas horinhas, ou melhor ainda, que transformou positivamente a vida de alguém. Por isso eu amo escrever sobre o que sinto, e minha perspectiva de minhas experiências. Porque, no mínimo, pode ser que alguém leia um livro ou conto meu e pense, “poxa, ninguém me entende, mas pelo menos, nesse momento, posso me identificar com esse livro”.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Minha dica para os iniciantes é: não escutem dicas para inciantes! Vocês devem escrever e então ler até realmente gostar do que leu e quando você não conseguir evitar o pensamento de “nossa! O mundo precisa ler isso que eu escrevi, porque é genial!” aí quer dizer que você está no caminho certo. É claro que ajuda demais da conta você ter boas referências e ser muito caprichoso (a). E aprender algumas técnicas de dramaturgia ajuda demais na qualidade do seu texto. Mas no início? Apenas se divirta? Não se cobre demais, pelo amor de Deus! Isso vai deixar a sua escrita agarrada, arrastada. Se você escrever com medo, com muita auto cobrança, isso sempre fica evidente ao leitor. Seja leve e divrta-se, e o leitor sem dúvidas vai se divertir também. E se por algum acaso o leitor não gostar, dane-se, pelo menos você divertiu. Imagina você se torturar pra escrever algo, e depois dessa experiência desagradável, você sentir só alívio em publicar, ao invés de ansiedade e animação, e ainda por cima, o leitor não gostar? Então o importante mesmo é fazer do seu jeito o que você quer. Se nenhuma editora quiser, dane-se também, editoras tem mania de rejeitar coisas geniais! Você se autopublica e divulga bastante. E a fase de iniciante de um escritor, deve ser a melhor fase! Porque quando você é um best seller tem muita responsabilidade. Quando você está começando e ninguém te conhece, você não tem que agradar a ninguém. Não por obrigação. Então, divirta-se e escute mais as coisas que seu coração cochicha pro seu cérebro do que as dicas de outros escritores, porque cada pessoa tem um caminho diferente e é justamente as circunstâncias únicas da sua vida é que vão te definir como escritor (a). XD

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