Tony Ferraz

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Eu nasci em São Paulo. Tive uma criação com forte influência do interior de São Paulo (por parte da família de minha mãe) e do Rio Grande do Sul (por parte da família de meu pai). Sou um ser-humano substancialmente curioso desde criança e essa talvez seja minha principal característica. Hoje me considero uma pessoa amena e em paz.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Eu tenho muitos interesses diferentes. Passo a maior parte do meu tempo dedicado às artes marciais, especialmente ao Jiu Jitsu. Sou faixa preta e costumo competir. Também trabalhei como designer e no mercado corporativo, com publicidade.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Eu acho que é poder transmitir seu pensamento, quase por mentalismo, a outras pessoas. Escrever é uma maneira de imortalizar-se. Pelo menos, é assim que eu vejo a escrita: como algo que eu deixo para o mundo.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Costumo escrever no meu quarto. Agora tenho a foto do Tolstoi como papel de parede… (risos)

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Eu entrei na literatura através do suspense, e acho que hoje é o gênero em que mais atuo, mas não acho que será assim no futuro. Sou um escritor experimentalista e que gosta de testar coisas novas. Meu último conto tem um aspecto um pouco neoclássico, com uma linguagem rebuscada, que não é minha característica principal (costumo escrever objetivamente e com termos simples), de modo que, estou sempre mudando de voz e de rosto, embora qualquer coisa essencial se mantenha. Acho que uma característica imutável é que minha escrita possivelmente sempre terá um cunho filosófico, ainda que não seja manifesto.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meu costume é sempre procurar um nome que possua um sentido arquetípico, que partilhe da substância do personagem ou do livro. “O Artífice”, meu primeiro livro, vem de uma citação de “O livro dos espíritos” que diz “É pela obra que se reconhece o Artífice”. Quase todos os meus personagens têm um nome que exprime qualidades de suas histórias e personalidades. Para a o pensamento chinês, assim como para Sócrates, o nome é algo muito importante, e é através dos nomes que se ordena o mundo.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Pesquiso sobre tudo que eu acredite que o livro deva ter. Cidades, costumes, histórico. O google tem sido uma grande ferramenta. No meu primeiro livro a internet não estava tão desenvolvida, então eu costumava frequentar bibliotecas e livrarias. Pesquisava em livros de viagem e mapas.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Em cada obra eu tenho uma ideia de como quero que aquilo soe. Ultimamente minhas maiores influências são os russos e franceses do século XIX

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Meu primeiro livro foi muito difícil. Demorou treze anos. Com “Entrevistando o Demônio”, meu próximo livro, estou tendo dificuldades na escolha da editora.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que comercialmente melhorou muito na última década. É possível viver de literatura se você decide atuar como escritor de obras que supram as necessidades do mercado. Pra quem tem preciosismo artístico é um pouco mais complicado. Eu enxergo escrever como uma coisa muito séria, tenho preocupação e responsabilidade com o que escrevo, por essa razão, o trabalho acaba sendo mais demorado e menos lucrativo em curto prazo (ainda que eu acredite que seja mais perene).

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Quanto mais valorizada for a literatura e mais respeitados forem os escritores, melhor. A qualidade sempre teve um espaço limitado no mercado, que é guiado por fatores de lucro e consumo. Não acredito que atrapalhe em nada o sucesso de livros nacionais, ainda que muitos não atendam aos meus critérios pessoas de “boa obra”, ao contrário, penso que eles são excelentes portas para o mundo da leitura. No geral, acho que é uma boa coisa que ocorre no mercado.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Não acho que estejam caros. Há muitas promoções online. O Artífice, por exemplo, por vezes está por R$ 17,90 e até R$ 9,90 em promoções no Submarino. Não faço nem ideia de como eles conseguem chegar neste preço.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Crime & Castigo (Dostoievski) e O Alquimista (Paulo Coelho).

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Joy Division e The Doors caem bem com O Artífice. Talvez “Riders on the Storm” e “Ceremony”

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Vários. Se for pra escolher um único, seria o Tao te King, atribuído a Lao Tzu.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Por ora vou me dedicar ao Jiu Jitsu. Acabei de dar meu último folego de literatura para os próximos meses, publicando uma noveleta na Amazon chamada “O Golpe das Bruxas”, sobre a situação política atual do Brasil.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho sim. Acho que é como tudo. A qualidade da maioria é neutra, alguns são muito bons e outros muito ruins.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Qualquer um que precise daquela mensagem. Não tenho pretensões com ninguém famoso. O que me importa é que o texto seja útil.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para mim é ser lido e sentir que suas ideias foram partilhadas e vivem dentro de alguém.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Ler é uma maneira única de expandir nossa capacidade de raciocínio. É uma maneira de entrar dentro da mente de outra pessoa e entender como ela calcula as coisas do mundo. Nunca se privem dessa linda ferramenta; e escolham bons livros e mentes admiráveis. Desta maneira vocês poderão partilhar das ideias de grandes homens.

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