Tony Ferraz

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1. Fale-nos um pouco de você.
Meu nome é Tony Ferraz, eu nasci em 10 de setembro de 1984 em São Paulo. Sempre fui uma pessoa muito curiosa e precoce, com interesse por muitas coisas. Tive uma infância muito influenciada por dramaturgia televisiva, filmes, desenhos e literatura. É da minha natureza também uma necessidade quase obsessiva em adquirir conhecimentos gerais e tentar progredir como pessoa. Lia muitos livros técnicos e revistas de psicologia, religiões, filosofia, ciências e história. Essas preferências fizeram parte da minha formação na infância moldaram minha personalidade. Provavelmente isto se reflete nas principais direções em que decidi colocar minha vida neste momento: As artes marcias e a literatura.

2. O que vc fazia/faz além de escrever? de onde veio a inspiração para a escrita?
Eu gosto muito de artes, de todos os tipos. Trabalhei como designer por causa da minha facilidade com o desenho. Estive também envolvido com publicidade, até largar tudo para me dedicar às artes marciais, mais precisamente o Jiu Jitsu, que é hoje a minha principal profissão. Escrever é algo natural pra mim, sempre fui uma pessoa imaginativa. Provavelmente a inspiração em criar outros mundos e histórias vem das influências em minha infância que citei acima.

3. Qual a melhor coisa em escrever?
Pode deixar registrados seus pensamentos.

4. Você tem um cantinho especial para escrever? 
Eu escrevo em casa, tirando raríssimas exceções. O Artífice eu escrevi numa mesinha que ficava de encosto à parede no quarto, mas que hoje não está mais lá. Hoje escrevo na sala do meu apartamento. Segue foto.

5. Qual seu gênero literário? já tentou passear em outros gêneros?
Acho bem difícil de classificar meu gênero. Ele tem um arcabouço de suspense, principalmente suspense policial, mas um fundo muito extenso de filosofia. Estou trabalhando em inserir elementos distintos, como composições românticas e diferentes tipos de discurso nos meus próximos livros, com o intuito de me desafiar. No entanto, acho que o suspense a filosofia estarão sempre presentes no meu trabalho de alguma maneira. Isto porque, quando você escreve suspense principalmente, fica difícil escrever outra coisa, já que se tem sempre a sensação de que a forma de apresentar os fatos está pouco interessante, que a curiosidade do leitor tem que ser mais instigada. Além disso, eu sempre tentarei transmitir minhas ideias sobre o mundo através dos livros, acho que a principal função de um livro é ser informativo e objeto de reflexão, ele não deve ser limitar ao entretenimento.

6. Fale-nos um pouco sobre o livro “O Artífice – Um detetive, um monge budista e um assassino”
O Artífice é um livro que eu escrevi precocemente, como 16 anos, mas não é um livro infanto-juvenil. É um suspense policial que discute questões existências. Trata também de filosofia taoísta e zen budismo. O enredo narra uma série de assassinatos em Londres, durante a chuva. Um maníaco mata através de armadilhas muito elaboradas, quase artísticas, e deixa pistas esotéricas com o intuito de confundir a policia. O detetive responsável pelo caso é obrigado a procurar um mestre budista para tentar decifrá-las e esta é a base da trama.

7. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?
Eu costumo pesquisar referências históricas e filosóficas sobre os temas que estou abordando, e os nomes saem daí. Muitas vezes a nomenclatura dos personagens reflete parte destas pesquisas, como Haryel (Ariel) e Nebro, que são dois nomes utilizados em o Artífice e representam nomes do demiurgo de Platão no gnosticismo. Ambos são nomes de anjos, e o assassino pinta quadros com anjos após os assassinatos. Outra curiosidade é que “Artífice” é uma das traduções possíveis para demiurgo.

8. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
O primeiro tipo acontece antes de eu decidir escrever o livro, porque eu sempre escrevo sobre algo que me interessa. Então, eu já tenho aquele assunto, aquela coisa sobre a qual eu gostaria de falar na cabeça antes de começar a escrever. Depois disso, eu pesquiso referências que ajudem a tornar a história mais verossímil (dentro dos limites possíveis pra ficções simbólicas, como a que eu escrevo), como mapas de ruas, hábitos e história do local onde se ambienta a narrativa. O resto são pesquisas agregadas que ajudam a validar minha filosofia, como autores que já disseram coisas parecidas ou muito diferentes.

9. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
Não, mas obviamente eu tenho influência de tudo que já li, assisti ou vivi. Ultimamente eu tenho tentado estrar em contato com o trabalho de alguns autores românticos pra me ajudar a inserir elementos diferentes na minha obra, mas isso tem que ser feito com muita cautela porque eu sou uma pessoa que absorve coisas com muita facilidade, e eu gosto da ideia de ter um discurso próprio e original.

10. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
Sim, demorei 14 anos para publicar O Artífice.

11. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
Acho muito interessante que o foco literário esteja se direcionando um pouco mais para os autores nacionais. Temos uma longa tradição literária no Brasil. Uma coisa apenas que me preocupa é que os autores que estão no mainstream não são necessariamente os que têm mais qualidade, e muitos permanecem desconhecidos. Um trabalho de pesquisa é importante para encontrar bons livros nacionais. Pegar os mais vendidos ou os mais populares não é garantia de bons livros, normalmente é o contrário disso. Sugiro aos leitores que pesquisem e encontrarão boas obras.

12. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
Acho que a popularização da leitura é sempre produtiva. Acredito que a qualidade de um autor não se confirma em curto prazo. Temos alguns livros nacionais que atingem o status de best sellers, e após algumas semanas são esquecidos, outros, como Malba Tahan por exemplo, mesmo não tendo muitos picos de vendas, possuem trabalhos que alcançaram várias gerações e uma grande longevidade, o que confirma sua relevância.

13. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
Não acho que os livros nacionais estão caros, pelo contrário. O preço normalmente é equiparado aos estrangeiros e grandes sites de vendas de livros eventualmente fazem promoções espetaculares, onde mal se consegue entender como conseguiram colocar a obra naquele valor.

14. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
O Alquimista e Fausto de Goethe.

15. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 
The Doors, Riders on the Storm. Costumava ouvir essa enquanto escrevia O Artífice. Mas toda a obra do Pink Floyd também cai bem.

16. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
Acho que para mim foi o Tao Te King, de Lao Tzu, cujas várias citações uso em O Artífice.

17. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Estou escrevendo a continuação de O Artífice, com o título provisório de “Entrevistando o Demônio”. Tenho um projeto de um terceiro livro baseado em uma lenda indígena que conheci lendo alguns trabalhos de antropologia.

18. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? o que você acha sobre isso?
Acho que toda a crítica, boa ou má, é sempre válida quando se preserva o respeito.

19. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
Qualquer pessoa que precise daquela informação e que se sinta uma pessoa melhor depois de ler.

20. Qual a maior alegria para um escritor?
Ser lido. Saber que suas ideias entraram em conexão com outra mente, outra pessoa e que viverão ali daqui pra frente é definitivamente a melhor coisa. Ser lido é uma maneira muito bonita de se imortalizar.

21. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
Espero que vocês tenham algum contato com o meu trabalho e que isso possa agregar alguma coisa em suas vidas. Sempre persistam nos seus sonhos e valores, persistir depois de vitórias e depois de derrotas é o caminho do sucesso.

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