Tereza Reche

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Dei início a minha vida literária aos 8 anos, escrevia desde histórias em quadrinhos até finalmente aos 12 anos concluir meu primeiro romance histórico.

Entre o ano de 1988 e 2000, escrevi três romances e uma antologia, ingressei na Faculdade de Biomedicina em 2001, e a partir de então após formação na área profissional, trabalhei em laboratórios clínicos e hospitais, até finalmente em 2008 ingressar na docência de Ensino Superior.

Na Faculdade Anhanguera atuei como Coordenadora do curso de Biomedicina entre 2009 a 2011, onde implantei projetos e um Laboratório Escola que hoje recebe os alunos estagiários do curso de Biomedicina.

Publico em 2012 a trilogia histórica intitulada ARMADILHAS DE UM TEMPO, em 2013 o romance místico O SILÊNCIO DE EULLER, em 2015 o romance histórico DITADURA DE CORAÇÕES. Todos pela Editora PerSe de maneira virtual.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Biomédica por profissão, respondo em Laboratórios de Análises Clínicas. Já atuei na docência de ensino superior e médio nas áreas biomédicas e exatas, atualmente atuo na área da saúde.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

O momento da pesquisa, do mergulhar em novos conhecimentos e descobertas. Quando investigamos a história, a geografia ou qualquer outro instrumento necessário para dar continuidade a nossa criação, estamos abrindo um fractal de conhecimento único desse cenário só nosso.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Meu quarto sem dúvida é sagrado, ali eu me inspiro, eu vivo, eu reflito e gero todos meus personagens e livros. Não me lembro de tê-los escrito fora de onde adormeço e desperto.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Sempre foquei no romance histórico, ARMADILHAS DE UM TEMPO foi minha melhor obra. Uma trilogia de aproximadamente 2000 páginas que aborda questões político religiosas do século XVI. Sim, tentei o gênero contemporâneo no romance espírita O SILÊNCIO DE EULLER, dentre outros.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

ARMADILHAS DE UM TEMPO: É um romance histórico, então permeia fatos verídicos enquanto mescla fatos fictícios. Há muitos personagens reais como Calvino, João Knox, Miguel de Servet dentre outros, como os que criei como Esteban Delmar e Catalina Laguna. A trilogia conta desde as primeiras décadas da Reforma Protestante em 1536 até 1598 no grande Édito de Nantes na França. Muita guerra, muita intriga, inquisição, santo ofício e huguenotes, são os temas principais do livro que gira em torno do líder huguenote Esteban e da ex noviça Catalina.

O SILÊNCIO DE EULLER: É um romance espírita, conta a história de um físico bem-sucedido e cético chamado Euller, que carrega um fantasma consigo desde os 15 anos. Uma bela garota lhe aparece sempre em sonho, banhada em sangue. Com o decorrer da trama, ele descobre que é a reencarnação de um rapaz chamado Daniel, ele e Dnajara, a garota de seus sonhos, haviam vivido um evento na década de sessenta que teria que ser resolvido. O romance alterna as duas encarnações nas 100 primeiras páginas.

DITADURA DE CORAÇÕES: Romance escrito para um concurso, portanto o único com menos de 500 páginas. Aborda a Revolução Constitucionalista através do romance avassalador entre o jornalista republicano Felipe Russo e a filha de um Tenente Coronel. Eles lutam arduamente em tempos de guerra para ficarem juntos, mas nada será tão fácil como eles imaginavam.

Sobre a inspiração…. É algo bem transcendental. Mágico. As ideias fluem de lados contínuos e quando percebo escrevi 70 páginas!

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Quando estou inserida na história já há algum tempo, imersa mesmo, então a pesquisa parece fazer parte dessa imersão, está lá, pronta para ser usada de instrumento para dar continuidade. Então é feito buscas de artigos, livros se necessário, no caso de ARMADILHAS até a Torre do Tombo entive o cuidado de entrar em contato por e-mail, houve retorno, para trazer veracidade à história. Pesquisei anos por exemplo para escrever essa trilogia.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Gosto da escrita minuciosa de Fiodór Dostoiévski, suspiro lendo os livros dele por sentir o que ele escreve. Seja o que for. É isso que pretendo atingir um dia, escrever de tal forma, que possam sentir a emoção naquele pequeno fragmento escrito.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim. O Silêncio de Euller

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Extremamente competitivo, crescendo exponencialmente em relação a quantidade de autores. Porém, quando se fala em conteúdo, ou ainda, em gênero literário o que se vê na verdade é o contrário. Se estratificarmos desde os gêneros que mais vendem, até os que sequer saem da livraria, veremos que o que temos hoje é um aumento sim literário em relação ao passado, porém, por produção. Não é algo feito de forma lapidada, original, são sim histórias muito boas, entretanto um novo modelo de literatura, não a que conhecemos, algo criado nos dias de hoje. Interessante, digno de apreciação e até admiração, mas não confundamos literatura deste século permeada de “inspirações muleta” onde se inspira na história do outro para escrever a sua, com a inspiração de essência, onde essa é tão somente advinda do seu autor. Acredito que trazemos muitos traços de nossos ídolos literatas, mas isso de longe significa o que se vê hoje na maioria das vezes.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Concluindo o raciocínio acima, é exatamente o que eu citei, há uma facilidade muito grande em publicar virtualmente hoje devido à internet. Como as Editoras, não todas claro, mas algumas, não se importam com a reputação do escritor, não o acolhem revisando seus textos dando-lhe auxilio. Simplesmente o deixam livres na plataforma, o que ocorre é que centenas de novos autores surgem por dia nessas plataformas, esses livros ficam totalmente perdidos lá pois geralmente pesquisamos no máximo algumas páginas. Ou seja, livros excelentes perdidos talvez, e livros péssimos nas primeiras páginas? Isso denigre a imagem da Literatura, por isso tenho comigo a teoria de que, a literatura que temos hoje, é um modelo totalmente individual e distinto da que carrega os grandes nomes da Literatura que conhecemos. Tanto pelos valores, quanto pela atenção que se dispõe a ela.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É uma questão complicada, sobretudo muito relativa. O preço geralmente tem um histórico justificável desde a revisão, diagramação, arte, capa, impressão, número de páginas dentre muitos detalhes. E dentro de todo esse cenário mesmo variando entre um romance como o meu de 866 páginas e outro de 250 páginas, a editora não poderá distanciar tanto os valores para não assustar o leitor. Mesmo sendo nacional, mesmo sendo produzido aqui, não existe milagre. Escrever sai caro, ser escritor é caro!

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Tristão e Isolda. É um romance celta do século XII que desde a primeira vez que eu li, já o li várias vezes e já pensei nisso sim.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

ARMADILHAS DE UM TEMPO: Álbum completo – Deuter

O SILÊNCIO DE EULLER : Haja o que Houver – Madreus

DITADURA DE CORAÇÕES: Anywhere – Evanescense

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

O Idiota – Dostoiévski

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, alguns livros em andamento:

O CÁTARO – romance histórico

DELÍRIOS DE CASSANDRA – drama

CALENDÁRIO DA VIDA – romance

OS FILHOS DE BONACCI – suspense policial

MÓRBIDA SENTENÇA – (roteiro) suspense policial

PÁCTOS CÓSMICOS – ufos/ficção/romance

LIMPE MEU SANGUE- romance

INÚMERAS PALAVRAS II – ensaio poético

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sim! Arduamente. Acho maravilhoso, leio resenhas, vejo o interesse dos leitores, e respeito o leitor de uma forma quase sagrada! Então acompanho sim, e acho de extrema importância que se tenha muita integridade antes de decidir discorrer algum texto ao público. Por que quando você lê um blogueiro citando seu livro, o que achou dele ou criticando-o, você vê ali certa despretensão. Isso é confiável e necessário para o aprimoramento do escritor, é o termômetro para o aperfeiçoamento contínuo.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

A escritora e poetisa Adélia Prado.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Escrever. Nada mais.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos leitores, minha admiração, meu respeito e, sobretudo, minha inspiração e vidas em forma de personagens, cenários de guerras, romances, intrigas, medo e beleza. Aos que iniciam, entreguem sua vida à escrita de tal forma que não mais vivam sem ela. Só assim, saberão se realmente são escritores.

 

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