Talvez um Dia – Colleen Hoover

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Uma das mais prestigiadas representantes do NA-lit – Literatura New Adults – a americana Colleen Hoover se sobressai ao não seguir uma fórmula de sucesso em todos os seus livros, o que é muito comum nesse gênero literário. Inovando no ritmo da escrita e nos caminhos percorridos para desenvolver o enredo, cada universo ganha uma atmosfera única, prendendo a atenção do leitor da primeira à última página. Digo isso por experiência própria, pois já li pelo menos uma meia dúzia de suas obras.

A Galera Record, acertadamente, manteve a capa de “Talvez um Dia” (Maybe Someday, 2016) idêntica a versão original norte-americana. Esse livro, provavelmente, é um dos mais ousados da autora. Sem vilões e mocinhos, apenas as circunstâncias da vida, que às vezes, podem ser bem controversas.

Sydney, no dia em que completaria 22 anos, vê sua típica vida de universitária desmoronar ao descobrir que seu namorado, com quem relutava em ficar noiva, e sua melhor amiga mantinham um relacionamento secreto. Traída e sentindo-se humilhada, a garota encontra em Ridge, seu misterioso e atraente vizinho, abrigo e apoio.

Mantendo, até então, uma amizade unicamente através de Whatsapp, o vizinho oferece um quarto em seu apartamento em troca das letras escritas por Sid para suas melodias. E é através dessa parceria musical que os dois encontram o que nenhum deles estava procurando: afeto e conexão verdadeira. E é essa cumplicidade natural que ambos terão que lutar contra, já que o músico também ama Maggie, sua namorada de longa data.

Ridge definitivamente está longe de ser o galã de romances que estamos acostumados por diversos motivos que não poderei detalhar para não revelar nenhum spoiler, mas fica impossível não se apaixonar pelo talentoso compositor, principalmente porque Colleen Hoover intercala cada capítulo entre as perspectivas de Ridge e Sidney.

Sustentando-se no uso da tecnologia para aproximar as pessoas, a narrativa depende de aplicativos para celular e redes sociais para se desenrolar, o que torna o livro não moderno, mas totalmente natural como nosso dia-a-dia. Afinal, quem consegue ficar desconectado?

Mas a grande ousadia da autora está em extrapolar os limites do livro ao tornar reais as músicas que Sid e Ridge compuseram durante a história. Em parceria com o cantor Griffin Peterson (ex American Idol), Colleen Hoover disponibiliza gratuitamente no site oficial do livro – http://www.maybesomedaysoundtrack.com/ – as oito canções para serem acompanhadas durante a leitura. Vale notar que as letras das duas canções escritas por Ridge antes de conhecer Sidney, “Living a Lie” e “Something”, deixam claro que o motivo do seu bloqueio artístico se deve ao receio de encarar as decisões que precisavam ser tomadas.

Assim como temos afinidade com certos livros, o gosto musical é extremamente pessoal, mas, além de ter apreciado o som, a experiência auditiva somada às emoções do romance me agradaram de uma forma surpreendente, fazendo com que me angustiasse juntamente com os dilemas dos protagonistas.

Não são somente Sidney, Ridge e as músicas os pontos fortes do enredo. Os personagens secundários são tão bem concebidos que tem direito a atenção especial. Maggie ganha um merecido epílogo – também disponível no site da autora – e Warren, amigo de infância de Ridge, sofrerá nas mãos da difícil Bridgette no novo romance “Maybe Not” (Colleen Hoover, 2014, Editora Atria Books, 129 p.). Atrevo-me a dizer que também torço por um livro focado no irmão cantor de Ridge. Quem sabe o que pode vir por aí?

 

“Palavras, às vezes,

podem ter um efeito

muito maior sobre um

coração do que um beijo”.

(COLLEEN HOOVER,

in: Maybe Someday, 2014)


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Um comentário

  1. Este é meu livro favorito da CoHo! A sacada de fazer as músicas com um compositor e cantor foi genial. Não cansava de ouví-las enquanto estava lendo (e depois também).

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