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Renato Neres

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Sabe quando sua vida está um verdadeiro marasmo, a rotina te consome e nada de diferente aparece para alterar essa realidade? Quando você precisa se desdobrar mais do que normalmente é necessário e as complicações da vida parecem recair apenas sobre sua pessoa?

 E quando de repente, do nada, do inesperado, tudo muda, acontece um giro espetacular de 180° e você passa do “lixo ao luxo”? E por fim você percebe que toda essa mudança é um sonho que pode se tornar um pesadelo, e que você poderá experimentar no final situação pior do que antes?

Bem, tudo isso parece se desenhar na vida da protagonista de nossa resenha de hoje. Ela se chama Caroline de Francis e está presente nas páginas de “ go site 14 dias” livro da escritora http://relationshipcoaching.net/workshops/women Barbara Biazioli. A publicação é de 2015, possui 130 páginas e é distribuído pela Bezz. O acabamento é simplesmente perfeito, característica marcante nas obras dessa editora. Todas as que já tive acesso seguem o mesmo padrão de eficiência.

A moça é órfã de pai e mãe. Mora sozinha num minúsculo apartamento. Estuda engenharia. Sua meta de vida é formar-se, conseguir uma ocupação melhor no mercado de trabalho e ganhar dinheiro para poder ter as coisas que ela anseia. Também deseja poder viajar para os lugares de seus sonhos. Trabalha como arquivista numa grande empresa, a ARTAME. Num prédio de 87 andares, ocupa o que ela mesma chama de “cubículo”, no segundo subsolo.

Neste dia especificamente Carol está muito irritada. Sozinha, possui inúmeras coisas para arrumar, pois precisa deixar tudo pronto para o inventário. Por diversas vezes é interrompida por alguém solicitando ou entregando algum arquivo, e ela tentar fugir a todo custo de quem começa a puxar papo. No corre para concluir seu trabalho nem se dá conta do horário. Já passa das 23 horas e ela perdeu uma prova importante na faculdade. Minutos depois o telefone toca, e ela pergunta quem a incomoda uma hora daquelas.

Ela atende, identifica-se mas a pessoa do outro lado desliga. Minutos depois a mesma voz aparece na sua frente. É nada mais, nada menos que Pedro Villas Boas, seu chefe. A pessoa a quem ela nunca vira nesse período que trabalha lá. Também, quem iria sair das luxuosas acomodações da cobertura para ir até o subsolo?

Pois bem, eles trocam algumas palavras, Pedro ajuda sua funcionária em algumas tarefas e se dispõe a levá-la para casa, pois já são quase 3 da manhã! Carol fica fascinada por aquele homem que conheceu a poucas horas. Mas é seu chefe, e ele irá casar-se em duas semanas. Esquece.

Chegando ao local onde ela mora, o cara decide subir para conhecer o apartamento, e em poucos minutos sai. Ela fica meio frustrada, pois imaginou que ele queria algo a mais… Faz dois anos que terminara o seu último relacionamento e desde então ela não sabe o que é homem. Minutos depois alguém bate à porta; ela vai abrir e é Pedro. Ele a agarra com força, dando-lhe um beijo quente e demorado. Ela fica meio atordoada mas deixa-se levar pelo momento. É gostoso demais! A coisa não fica apenas nisso:

“Ele abre a minha perna e lambe do início ao fim o meu sexo… Ele abocanha e lambe verozmente, circulando com sua língua macia me fazendo gemer alto…” (pag. 16)

“- Preciso que você goze na minha boca, agora – ele ordena e eu obedeço…” (pag. 16)

Confesso que o relato me causou certo espanto, ainda que eu soubesse que se tratava de uma literatura erótica! Talvez tenha sido a intensidade da coisa! E o lance entre eles segue nessa pegada o tempo todo.

Depois desse primeiro encontro as coisas entre os dois irão se aprofundar. Pedro confessa que já tinha observado Carol antes, através das câmeras da empresa. Que ela o excitava. E faz uma proposta inusitada: nos próximos 13 dias ela será a namorada dele. Irão se comportar como um casal, tudo isso discretamente, sem ninguém ficar sabendo. Ele deseja ter um romance com ela, antes de casar-se. Daí o porquê do título.

Carol fica balançada a principio, mas acaba aceitando a proposta do chefe. Ele providencia para que ela saia oficialmente de férias do trabalho, e os dois partem para uma aventura recheada de muito, muito sexo, prazer, lascívia, satisfação:

“Preciso que você arrume os seus objetos pessoais… assim que terminarmos o jantar, partiremos” (pag. 33)

“- Eu vou gozar – ele declara e enche a minha boca, e sem pensar engulo cada gota” (pag. 43)

“E quanto mais forte ele me invadia, mais eu o queria; e durante os golpes e os puxões de cabelo, sinto na entrada de meu útero sua presença e gozo, rebolo loucamente com seu membro enfiado até o limite em mim” (pag. 46)

O trato daquela relação não incluía sentimentos. A garota, contudo, parece que se deixou envolver demais:

“Como posso descrever aquela sensação? Tudo tão novo. Pode parecer algo simples, ele apenas me banha, mas é algo mais que isso. Sinto-o tomando posse de algo que nunca permiti alguém tomar. E quando me dou conta, estou gozando na mão dele”. (pag. 30)

Está chegando o dia do casamento e a aventura encerrar-se. O que será de Carol? Será que haverá alguma possibilidade desse conto de fadas tornar-se realidade?

As páginas finais responderão essas e outras questões.

A narrativa dá uma queda depois da metade do livro. Senti falta de algo mais substancial, mais envolvente para o desfecho da trama. O final, pra mim, fica devendo.

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Assim que soube que follow url Lázaro Ramos estaria lançando um livro trazendo reflexões e considerações sobre negritude, fiquei interessado em conhecer o conteúdo. O fato de se tratar de uma personalidade que está sempre na mídia, que possui considerável nível de fama e que sempre aparece na tela das tv’s através das novelas que participa certamente despertou o interesse de muita gente. Talvez não tenha sido o meu caso; talvez sim. Não vejo novela e por isso sou incapacitado de avaliar os papéis representados por ele. Mas vi vários de seus filmes.

Uma amiga querida certo dia postou um comentário em certa rede social falando que “o livro do Lázaro não tem nada demais”. Isso me deu certo freio em querer ler, pois a pessoa que produziu tal comentário é muito “ligada” nas discussões quem envolvem a questão de raça, de preconceito, e nós já debatemos sobre a temática convergindo em muitos pontos. Ainda assim decidi que iria experimentar a leitura, incentivado pela oportunidade de comprar o livro por um valor promocional.

Pois bem, here Na Minha Pele, distribuído pela Editora Objetiva e com 147 páginas é um livro que, ao meu ver, pode ser encarado por dois lados: se a pessoa  já tem certo engajamento nos debates que envolvem a problemática do racismo, é possível que considere esta obra como “mais uma” e que de modo prático pouco tem a acrescentar. Se por outro lado o leitor ou leitora for alguém que pouco se interessa ou pouco se dá conta do quanto é importante trazer esse problema à tona (e me parece que o objetivo é alcançar esse público) não se pode desmerecer o valor de sua importância.

O autor nas primeiras páginas começa falando de suas origens, de sua família e do local onde nascera, no interior da Bahia. Ressalta que quando criança não se sentia diferente, diminuído, pois no ambiente em que vivia não havia espaço para privilégios de acordo o tom de pele. Depois que veio morar na capital baiana, na sua adolescência, é que veio passar por situações em que pode perceber que ser negro tinha as suas consequências impostas cultural e socialmente.

Ainda na adolescência Ramos começou a envolver-se com a arte de representar. Participou de alguns grupos, e foi no Bando de Teatro do Oludum que viu aflorar toda a sua negritude, onde pessoas semelhantes a ele batalhavam pelo mesmo propósito. Era onde ele podia se sentir igual. Onde o olhar de diminuição, de menosprezo não o alcançava. Era onde ele encontrava força e coragem para enfrentar os desafios.

Depois ele vai tratar de sua carreira. Fala dos seus primeiros trabalhos. Dos muitos “não” que recebeu. Das vezes que viajava apenas com o dinheiro da passagem. Do seu encontro, de sua amizade e da parceria que constituiu com o também baiano e ator Wagner Moura. Conversa sobre seus personagens que o tornaram mais conhecido. E das recusas que fez ao ser convidado para representar papel de escravo. Fala também dos seus projetos no cinema e no teatro.

Mas não é só sobre sua vida e carreira que o autor aborda. Ele traz comentários sobre o valor do respeito à ancestralidade e à religiosidade. Trabalha bastante a questão da família, de como ela foi e é importante para a sua formação como homem. E de como é necessário que nós, negros, mostremos aos nossos filhos, netos, sobrinhos ou até mesmo vizinhos valores que enalteçam a cultura negra, enalteçam o que é ser negro.

Destaca também suas entrevistas no programa “Espelho”. Cita alguns de seus convidados e convidadas e da importância que tiveram ao apresentarem suas ideias e reflexões sobre negritude.

Lázaro conquistou o seu sucesso através de muito trabalho e do seu talento. Ele pode ser considerado um exemplo pela comunidade negra? Por moças e rapazes pertencentes à classe pobre e que sonham em ver um dia alcançados os seus ideais? Pode servir de inspiração para um leque de pessoas que cotidianamente esbarram em obstáculos ali colocados pelo simples fato de sua cor não ser a mesma de quem tem os merecimentos? Eu acredito que sim.

Nós ainda vivemos numa sociedade em que o negro e na negra são vistos como subalternos. Em regiões como a Bahia, por exemplo, onde o número da população negra é maior, somos olhados com espanto quando ocupamos um cargo de importância ou demonstramos ter certo nível de conhecimento, ou até mesmo nos propomos a falar sobre variados assuntos.

Vivemos num ambiente onde negros e negras são tratados como excêntricos. Onde características próprias da negritude são tomadas como acessórios por gente de pele clara. Onde os corpos negros são hipersexualizados, e somos tomados como meros objetos descartáveis que possuem a obrigação de proporcionar prazer.

Termino deixando um trecho que considero pertinente para trazer reflexão:

“Meus amados amigos brancos, vocês têm sim, que pensar muito sobre isso ao educar seus filhos. Afinal eles têm que ter o compromisso de tornar toda essa merda um lugar um pouco melhor. Têm que saber que tem gente que recebe tapa na cara da polícia com dez, doze anos de idade por só uma suspeita. É pouco? Você acha mesmo pouco? Você acha mesmo lógico? Tem gente que só por ter as características que tem é considerado de menos valor. O seu filho que é branco, não experimenta essa sensação.

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Quais os critérios que usamos para classificar um livro como bom ou não? É verdade que gosto é algo muito particular; o que me agrada pode não agradar a você, e vice versa. Eu defino como bom o livro que contém uma história coerente, que inspira, que diverte, que ensina, que nos faz pensar. Uma história que seja capaz de nos surpreender. E foi exatamente o fator surpresa que mais me agradou neste livro que estou resenhando.

Para começar pela capa eu já fui tecendo algumas ideias: tem “cara” de livro espírita, essa coisa assim bonitinha, um casal juntinho, o mato verde aparecendo e tal. Depois foi o título: “ How i get money from internet job Um Filho Para Mariana”. E eu pensei: deve ser dessas histórias de mulheres que desejam engravidar, mas descobre que ela ou o marido possui alguma dificuldade que impede a concepção. Tudo muito comum. Pois bem, não é nada disso.

O livro foi escrito pela go to link Vanessa Cardoso e possui 261 páginas que a gente lê, assim, sem perceber o tempo passar de tão agradável que é. A história é narrada em primeira pessoa pela personagem-título, o que ajuda na fluidez com a qual toda a trama é desenvolvida.

O ano é de 1988. Mariana é uma pessoa bastante agradável. Trabalha como técnica em enfermagem num hospital e ama o que faz. Teve que batalhar muito para chegar até ali. Suas funções eram exercidas principalmente no berçário, onde ela aprendia muita coisa sobre maternidade. Ela sabia, por exemplo, só apenas de observar o olhar e o comportamento das pacientes e seus familiares, se a gestação havia sido planejada, se a gravidez transcorreu com a participação do pai, entre outras coisas.

Também, o que ela destaca no exercício da profissão é a proximidade com alguns pacientes. Muitos no leito, vendo o findar da vida e aproximação da morte, falam de suas dores, de seus lamentos, de suas angústias, de seus arrependimentos. Também de suas conquistas, de suas alegrias, dos momentos agradáveis que carregam dentro de si. Ela se sentia mais íntima dos pacientes que dos colegas.

Ela é casada com Paulo, um excelente arquiteto. Aos 30 anos, seu marido era a desorganização em pessoa, mas quando tomava o rumo e a concentração, realizava as coisas quase que na completa refeição. Tem uma coisa na relação do casal que me chamou muito à atenção: tudo era faixada. Eles se amavam, mas apenas fraternalmente. Nunca houve qualquer contato mais íntimo entre ambos. Eram amigos desde a infância e estavam nessa há quase 11 anos. Para mim não é algo novo; sei de histórias verídicas de pessoas que vivem situação semelhante. No transcorrer dos fatos vamos entender o porquê.

Depois de um plantão puxado, tudo o que ela queria era tomar banho e relaxar. Mas algo de muito grave acontecera: Mariana atende um telefonema, e é informada que seu sogro falecera, provavelmente vítima de infarto. Ele vivia no interior, na sua fazenda. Paulo é filho único, mas sua relação com o pai nunca foi boa. Ainda assim ele se mostra muito sentido, e os dois se preparam para viajar rumo ao funeral.

Quando eles retornam, Paulo diz a Mariana que está na hora dela realizar um dos seus desejos: ser mãe. Como eles não possuem relacionamento sexual, o método seria através da inseminação. Surge entre eles um momento de euforia com esse objetivo, mas as coisas se complicam. O rapaz tem estado gripado com muita frequência. Numa recaída, consultam um especialista, e o médico revela à enfermeira sua suspeita, que mais tarde é confirmada: Paulo está com aids.

Vale lembrar que a história se passa em finais do século XX. Naquela época, não tínhamos as opções de tratamento disponíveis hoje. As pessoas que contraíam a doença morriam em pouco tempo. Além disso, o preconceito era muito porque a maior parte das vítimas eram homossexuais masculinos, e a enfermidade era chamada de “peste gay”. As pessoas contaminadas escondiam até onde podiam, pois a exclusão social era certa.

Aconselhados pelos médicos, o casal abandona a ideia da gravidez. Com a desculpa de descansar e resolver algumas pendências na fazenda, Paulo propõe a Mariana que eles tirem férias juntos o mais rápido possível. Isso acontece. Ele é o único herdeiro, mas decide tomar providências para que sua esposa, e seu primo Pedro, que era o braço direito de seu pai na administração do negócio fossem contemplados.

Mariana acha estranhos alguns movimentos do arquiteto. Ele está em constante contato com o advogado, em reuniões demoradas e secretas. Além disso, Paulo insiste em fazer com que ela tenha algum tipo de “caso” com outro homem, e meio que indiretamente empurra seu primo Pedro, que é solteiro, para ela.

Passado alguns dias, Paulo levanta cedo, e diz que irá sair para caminhar. As horas passam, e como ele não retorna, Mariana vai com Pedro procurá-lo, receosa que alguma coisa de mal lhe tenha acontecido. No trajeto, se depara com uma cena que mudará o rumo de toda a sua vida.

Volto a dizer que o livro é muito agradável. O fato de ser uma história simples, porém muito bem escrita, faz com que eu possa indicar, sem medo. Confira!!!

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Olá pessoal.

Na resenha de hoje iremos conversar sobre o livro de uma estreante no mundo da literatura. Trata-se da autora http://ajm-web-designs.co.uk/feed/ Flávia Pimenta, que publicou em 2016 pela Editora Novo Século “ follow url No Seu Olhar”. A obra faz parte da coleção Talentos da Literatura Brasileira e possui 217 páginas.

De início, a capa é belíssima. Os elementos presentes retratam bem características da personalidade dos dois personagens centrais. A qualidade do papel é perfeita, o tamanho da fonte da letra o ideal. E mais. Os capítulos não são muito grandes o que torna a leitura bem dinâmica sem excluir detalhes ou informações que dificultem nossa compreensão. Cada um deles (capítulos) recebe o nome da pessoa que está narrando.

Antônio, ou como ele é geralmente chamado Tony, é um cara de 28 anos. Mora em Caxias do Sul e trabalha na MV Paper, empresa de seu pai. Ele é formado em administração, mas o seu sonho é atuar no ramo da música. Ele ama compor. Tony se vê totalmente deslocado dentro do mundo administrativo e seus processos. O pai é um cara muito exigente e cobra muito do filho. Numa discussão que os dois travam, o rapaz decide abandonar tudo, e mesmo após ameaça paterna de tirar tudo o que ele tem, não desiste de ir em busca do que ele realmente anseia.

Essa cobrança excessiva para com ele talvez tenha outro motivo além da sua falta de aptidão: sua mãe morrera ao trazer-lhe ao mundo, e fica meio que pairando no ar ideia da culpa da morte sobre Tony. Seu irmão mais velho Tavinho é um cara ambicioso e o braço direito do pai.

Sem dinheiro e sem ter pra onde ir, o jovem pede ajuda a seu amigo Paulo, que além de hospedá-lo temporariamente, consegue uma oportunidade. A irmã dele, Mariana, trabalha em São Paulo numa grande empresa do ramo musical, a LUNEX.  Ela e Tony são amigos desde a infância, tanto que ele a trata como “irmãzinha”. Mas Mariana tem outros sentimentos, e a expectativa de tê-lo morando em seu apartamento e trabalhando no mesmo local provoca-lhe excitação. Ele enxerga a possibilidade de seu talento musical ser reconhecido futuramente.

A LUNEX é administrada pela Lívia. Mulher determinada, de personalidade forte, empresária jovem e bem sucedida, uma verdadeira leoa. Gosta das coisas impecáveis e possui um estilo de vida de alto padrão. Ela não gosta de viajar de avião, tem verdadeiro pânico em saber que precisará se deslocar para algum local distante. Seus pais morreram num acidente aéreo.

Numa reunião para traçar metas em que Lívia e Tony estão presentes surge uma atração mútua. Ele se sente encantado por aquela mulher esbelta, e ela fica interessada naquele rapaz que transmite uma sensualidade incomum. Mas se trata da chefa e de um subalterno.

Todavia o destino tem lá seus meios de aproximar as pessoas. Num final de expediente, os dois terminam por entrar no elevador ao mesmo tempo. Ocorre uma pane, e Lívia se sente mal. Tony prontamente presta ajuda, e quando tudo se reestabelece ela agradece. Surge o convite para uma cerveja, e ambos acabam indo para o luxuoso apartamento da chefa, com a sugestão de comerem uma pizza. Lá chegando a excitação entre ambos era palpável, e o rapaz que de tímido nada tem toma a iniciativa.

O sexo entre eles é algo mágico. O momento não sai da cabeça de ambos nos dias seguintes e relação volta a acontecer outras vezes. Existe algo além de transa envolvendo o casal, mas eles precisam manter isso em total sigilo. Lívia não quer ser vista ao lado de um simples funcionário, e Tony tem lá os seus “segredos”: a garota não sabe que ele mora ou tem aproximação com a Mariana, e muito menos sabe que ele é músico. Vai ficar parecendo que tudo é um golpe.

As coisas entre eles vão seguindo até que algo acontece que poderá mudar o rumo de tudo: Lívia acaba descobrindo que ele é do ramo musical, e uma notícia com que Tony tenha que sair de São Paulo e voltar para Caxias do Sul. Como eles dois irão contornar isso? Poderão continuar com o caso mesmo estando distantes? São respostas que vocês descobrirão ao ler, rsrsrsrsrsr. Além disso, outras coisas interessantes irão ocorrer, mas não fica bem dar spoilers aqui.

Além do casal protagonista, Tavinho e Mariana possuem determinados destaques dentro da história. Os dois irão reencontrar-se em determinado momento (lembrem que são da mesma cidade).

Recomendo. Pode colocar na sua lista.

Ah, tem outra coisa que me fez gostar dessa história: a trilha sonora. As referencias musicais mencionadas são bem o meu estilo. Em certa parte, o Tony está cantando “Have You Ever Seen The Rain?” do Creedence Clearwater Revival. A música ficou um tempão na minha cabeça.

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Vingança. Sem dúvidas um dos mais vis dos sentimentos, um desejo muito longe de ser nobre. Quem nunca arquitetou um plano vingativo, por mais “inocente” que este pudesse aparentar? Ninguém escapa. E se na vida real estivermos isentos de nutrir tal vontade, muito possivelmente nos tornamos aliados de personagens da ficção que carregam na alma a total necessidade de vingar-se de quem, um dia, lhe fez sofrer.

www iqoption it “Terra sem Lei” do escritor http://gatehousegallery.co.uk/?myka=opzioni-binarie-promozioni&283=00 Luís Boto é uma história que possui o enredo que possivelmente os amantes da leitura já conhecem ou pelo menos ouviram falar. Ainda assim, a trama nos surpreende pela forma dinâmica de como ela se desenvolve. A narrativa, feita em terceira pessoa é repleta de detalhes, drama, ação, suspense, emoção. As 477 páginas nos proporcionam um entretenimento muito agradável.

“Como uma cidadezinha do interior no início do século XX, Ibipiranga deveria ser um lugar extremamente pacato”.

A história se passa na região do sertão da região Nordeste, exatamente no interior do Ceará, na cidade de Ibipiranga. Como muitos lugares assim, a cidade possui um “manda chuva”, alguém que tem muito dinheiro, anda rodeado de capangas e que dita as ordens. Que controla a administração pública e as autoridades policiais locais. Aqui, essa pessoa chama pelo nome de Carlos Lucena.

Utilizando-se de todo seu poder e influência, Lucena tenta a todo custo comprar as terras do humilde José da Silva. Motivo: na localidade existe uma jazida de granito, fato desconhecido pelo proprietário. Depois de muitas tentativas sem sucesso, Carlos parte para uma ação extrema: ordena que um grupo de seus capangas, liderado pelo temido Zé Caolho, execute toda a família Silva.

Surpreendidos, um a um vão sendo exterminados. O último deles, que tentou se esconder, foi localizado pelo Jeremias, um dos atiradores. João Filho, de apenas 10 anos, ao se deparar com o seu executor, acaba sendo poupado, recebendo ordens de sair correndo pela mata e nunca mais aparecer pela cidade.

Dezoito anos se passaram. Os negócios de Lucena estão cada vez mais prósperos. Sua influência na cidade é ainda maior devido à exploração do granito. Ele e sua esposa estão na expectativa grande, pois seus filhos estão para retornar à Ibipiranga. Foram mandados ainda pequenos à São Paulo para lá estudarem. Orlando se formou em medicina e Vivian em Direito. A moça chega primeiro, e é recebida com muita festa.

Logo depois, um jovem chega à cidade. Na hospedagem procura informações sobre uma determinada senhora chamada Bernadete. Yara, a proprietária da pousada fica receosa, mas depois de ter a palavra do recém-chegado de que nada aconteceria à mulher, diz onde encontrá-la. Dia seguinte ele vai e ao vê-la, revela sua identidade: ele é João Filho, o caçula do finado João Silva. Bernadete é tia rapaz. Sem acreditar que o sobrinho ainda vive, ela ouve dele toda a história do massacre e seu objetivo ao retornar: vingança contra os assassinos de sua família. Bernadete pede para o jovem ter cuidado, pois ela sabe da maldade de Lucena. Após herdar as terras da família Silva, ela foi obrigada a vendê-las para Carlos. O homem poderoso da cidade mandou executar o marido dela e ameaçou fazer o mesmo com a filha da viúva.

Antes de ir à casa da tia, João demonstrou toda sua habilidade ao enfrentar e derrotar sozinho alguns homens dos “Caninos”, um dos grupos de cangaceiros da região. Por coincidência este mesmo grupo armou uma emboscada para Lucena, que voltava da cidade com sua família. João salvou a vida do homem que mandou matar seus parentes, e cai nas graças dele. Ao ser convidado para trabalhar na fazenda de Carlos, viu a grande oportunidade de executar sua vingança.

Quando a filha do fazendeiro rico e o novo empregado são apresentados, surge uma atração mútua. Poderá essa aproximação facilitar os planos de João? Ou terá efeito contrário?

 Reviravoltas, revelações, e muitos tiros irão compor o desenrolar da história.

Fiquei ansioso para ver o desfecho da trama. Não me decepcionei.

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click As Eternas Manhãs e o despertar de um poeta é uma publicação da Rumo Editorial, lançada no ano de 2014, com 144 páginas. Foi escrita pelo mineiro opcje binarne jaki broker Francisco Borges Pereira. Bonita capa. Diagramação bem feita.

Alguém já disse que “escrever é lutar com as palavras”. Sem dúvidas, quem se dispõe a trazer vida aos seus sentimentos, emoções e inspirações através da escrita possui a tarefa nada fácil de transportar tais sentimentos à sua própria compreensão e também daqueles com os quais deseja compartilhar.

Neste livro, observamos que o autor traz muito de suas vivências, de suas experiências, de suas paixões. Apresenta características que podem ser definidas como fruto de sua vida de homem do interior. Por isso ele reforça que é “um trabalho inédito calcado no dia a dia de um homem comum, de origem interiorana e, por isso, muito pura no seu relacionamento com os semelhantes!”

O livro é bem diverso. Não apresenta apenas uma ou duas linhas de pensamento. Os temas não estão agrupados, o que nos permite transitar por variadas esferas alternadamente. Eu gosto disso!

Sentimentos conflitantes, tão comuns entre os poetas, e que podem de forma intensa abalar a estima de qualquer pessoa são observados em textos como “Angústia” e “Infinita Ilusão”.

A valorização e a admiração da alma feminina, seus atributos sendo destacados e enaltecidos, são alguns dos elementos que compõem o texto de poemas como “Mulher” e “Moça”.

O amor, talvez o mais nobre dos sentimentos não poderia ficar de fora. São vários os textos no livro que exalta o tema. Destaco “Inspiração” e “Soneto de Amor”.

A natureza e seus encantos, que nos provocam muita inspiração servem de plano de fundo para o autor nos presentear com poemas, tais como “Sonhos de Primavera” e “As Ondas do Mar”.

Lembranças. Quem não as tem? As recordações, verdade que nem sempre as melhores, nos acompanham por toda a nossa existência. Vemos isso em “Saudades da Minha Terra” e “Sonhos de uma Noite”.

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O que você faria se conseguisse acertar os números da mega sena, sozinho? Ou até mesmo dividir a bolada com mais um ou dois outros acertadores? E mais: o que faria se tivesse em suas mãos a fórmula que te possibilitasse acertar os números dos diversos tipos de jogos semelhantes, não só aqui no Brasil mas também em outros lugares espalhados por todo o planeta? Tentador, né?

O livro que iremos apresentar nessa resenha nos mostra essa possiblidade. Trata-se de A Fórmula do Sorteio, história escrita pelo autor Gil Vasconcelos e que foi publicada no ano de 2016 pela Editora Autografia. Possui 172 páginas. Pela dinâmica em que se desenvolve dá pra ler em um ou dois dias, tranquilamente.

O jovem Diego é muito crânio na matemática. Concursado, trabalha na Caixa Econômica Federal.  Sua facilidade em lidar com números é explicada. Ele é portador de Sinestesia Numérica. Sinestesia é um distúrbio neurológico que faz com que o estímulo de um sentido cause reações noutro, criando uma mistura sensorial entre os órgãos. No caso do personagem citado, ele possui uma percepção hiper aguçada para números e fórmulas que o ajudam a raciocinar muito rapidamente a cerca de muitas coisas. Na maioria de suas falas, ele termina a frase dizendo 123.

O sonho do Diego é receber a Medalha Fields, uma espécie de Prêmio Nobel da Matemática. Para alcançar tal feito, o rapaz tenta a todo custo concluir a fórmula que desvenda os segredos dos números sorteados na mega sena e também em outros jogos. E depois disso apresentá-la num evento onde a tal medalha poderá lhe ser conferida.

Só que algo acontece e os planos do jovem podem não ter o final almejado…

Em uma visita ao psicólogo que o acompanha desde a adolescência, Diego expôs para ele a tal fórmula, e escreve num papel a sequência das três próximas combinações que serão sorteadas. Esse papel acaba parando nas mãos de Chico Treva, um bandido muito esperto e também muito perigoso. Ele anda sempre acompanhado de Pablo, uma espécie de guarda costas particular e comparsa.

No decorrer da história iremos descobrir que as ligações entre Diego e Chico são muito fortes, e remonta aos antepassados do garoto.

Depois que o bandido tem acesso aos números, as coisas ficam muito difíceis para o jovem Diego e sua vida passará por uma turbulência enorme. Ele passa a ser procurado pela Polícia Federal, pelo Governo, e também por grupos internacionais. Acusado de estelionato, fraude, e formação de quadrilha, ele precisa esconder-se para não ser preso, e ao mesmo tempo provar a todo custo sua inocência.

O livro apresenta outros personagens que possuem importância na vida do rapaz: Jota, seu amigo e colega de trabalho; D. Lourdes, sua mãe; sua avó, carinhosamente chamada de Vovó Mami, e Ceiça, namorada do Diego.

No que diz respeito ao conteúdo, é uma boa história. Tem sequência lógica. Não é cansativa. Possui momentos de ação, tensão e mistério. Por se tratar de uma temática diferente, a sinopse desperta curiosidade e o livro não decepciona. O final me causou surpresa; era algo que sinceramente eu não contava.

Tenho uma observação. Existe algumas falhas no tocante a qualidade gráfica. Notei algumas palavras escritas erradas e alguns termos sem concordância verbal. Também há alguns erros de pontuação que podem prejudicar a compreensão do texto. Acredito que o autor e a editora já possuem ciência do fato e certamente numa nova edição esses pequenos erros serão corrigidos.

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“Escrever poemas é um paradoxo…liberta e machuca, fronteiras indisponíveis”

Ode ao Amor” é mais quem um livro de poemas. Suas 96 páginas retratam com beleza e ternura a intensidade de um amor que se mostra maior que a própria vida. É a declaração pura e singela, e ao mesmo tempo estratosférica, do sentimento de uma mulher para o seu amado, aquele com o qual ela experimentou quem sabe a mais profunda das sensações: amar e ser amada.

Cada um dos poemas que Candy Saad transportou de sua alma para as páginas deste livro revela um pouco da relação agradável que ambos possuíam.

Aqueça-me com seus braços / abraça-me forte…

“Conhecer-te”, “Abraços” e “Carícia” estão entre os poemas que realçam a importância e a satisfação dos corpos estarem juntos, unidos como um só. São os momentos em que cada uma das partes pode desfrutar do melhor que o outro pode oferecer e sentir a completude.

“O vento chega / balançando as folhas / anunciando o entardecer…”

Aqueles momentos de tranquilidade, de paz, em que muitas palavras não necessitam aparecer, pois o simples fato de estar de juntos, de mãos dadas ou abraçados, contemplando a natureza, o pôr-do-sol ou o vai e vem das águas já diz o bastante. São situações descritas em textos como “À Tarde”, “Caminhar com Você”, “Cheiro de Terra Molhada”.

É possível descrever o amor? Alguns dizem que não há palavras suficientes que consigam defini-lo. Arlindo Cruz canta que “se perguntar o que é o amor, pra mim, não sei responder, não sei explicar…”. Candy Saad tenta dizer o que é esse sentimento que envolve ela e seu amado em poemas tais como “Amor Verdadeiro”, “Almas Amantes”.

Não sabemos o porquê de certas coisas acontecerem conosco. A pessoa que serviu de inspiração para a produção deste livro infelizmente não teve a oportunidade de vê-lo em vida. Uma fatalidade. Mas o verdadeiro amor é eterno. Nada, nem mesmo a morte, pode nos afastar de quem amamos. “Acalanto”, “Antes Que” e “Quando Penso em Você” são alguns dos textos em que autora fala da falta que ele faz, das muitas saudades. E das lembranças memoráveis que ela carregará para sempre consigo.

Uma boa dica para os amantes da poesia

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Histórias policiais estão entre os meus estilos preferidos de leitura. E quando uma boa história cai em minhas mãos, não levo muito tempo para concluí-la. Foi o que aconteceu recentemente quando tive a oportunidade de ler mais uma boa trama da literatura brasileira.

Baseado em fatos reais, “Atrás do Crime” é um livro que trilha caminhos não desconhecidos do público, pois sempre estamos ouvindo falar: mergulha no mundo do narcotráfico no Brasil e todo o esquema que envolve traficantes, altos figurões da sociedade, lavagem de dinheiro, e envolvimento de quem é responsável em combater esse tipo de crime: a própria policia.

O livro é do ano de 2016 e foi lançado pela Editora Giostri. A autora chama-se Cristiane Krumenauer. Ela possui outros, e sinceramente fiquei curioso em conhecê-los, pois além de curtir bastante a história, gostei muito da forma como a Cristiane conduz todo o enredo, com uma linguagem simples e objetiva, e recheada de todos os ingredientes que uma boa história policial deve possuir.

De um lado temos Alberto, um cara muito, muitíssimo inteligente. Ele é conhecido como o “Mestre da Logística das Drogas”.  Teve uma infância muito pobre, passou por muitas dificuldades. Ele e seu irmão Alexandre foram criados praticamente sem pai. Mas sempre teve em mente que sua situação não ficaria assim. Desde cedo era muito observador, e essa sua característica aliada à sua inteligência foram fatores determinantes para que, ao ingressar no mundo das drogas, fosse galgando postos e aos 18 anos já possuísse local de destaque na organização.

Ele era o responsável por todo o trâmite logístico e o braço direito de um dos maiores mafiosos do país. Numa ação policial bem sucedida esse homem foi preso, e a liderança da organização passou para as mãos da Giuliana Saletti, mulher muito bonita. O comando deste grupo fica situado na cidade de São Paulo.

Na outra ponta dessa guerra temos o não menos inteligente e habilidoso policial federal Giorgio. Ele é casado e tem um enteado, fruto da relação de sua esposa com o primeiro marido. O policial é conhecido nacionalmente pela eficácia de seu trabalho no combate às drogas, principalmente depois de ser o responsável por uma das maiores apreensões do produto já realizada no país. Ele e sua família moram em Porto Alegre.

Certo dia Giorgio chega em casa, e precisa passar uma informação para seus familiares. Ele fica sem saber como fazê-lo, mas no dia seguinte aproveita determinado momento e dá a notícia: ele fora transferido para a capital paulista, para ajudar na investigação sobre um grupo que comando a distribuição de drogas naquela cidade. Esposa e principalmente o enteado não recebem com bons olhos essa informação de mudança para outra cidade, coisa que não irá acontecer, pois, pensando na segurança deles, Giorgio acaba viajando sozinho.

O grupo de Alberto toma conhecimento da chegada de um novo policial, e toma “providências” para que ele se sinta intimidado. Sequestra a esposa dele, ainda em Porto Alegre, e já em São Paulo, arromba o apartamento onde Giorgio está instalado. O policial fica intrigado e logo chega à conclusão obvia: existe um informante na delegacia, chefiada pelo João Carlos.

Esse informante tem atrapalhado as investigações. E Giorgio decidi que todas as informações que ele colher ficará apenas com ele, e com Benjamin, policial que já havia trabalhado com ele anteriormente e de sua confiança. Seu colega, contudo tem algumas atitudes suspeitas.

Além dos protagonistas citados, outros personagens merecem ser destacados pela importância que possuem na história: a esposa do delegado João Carlos; a esposa do Benjamin; Marcelo, um adolescente crânio em informática. Alexandre, que já mencionei anteriormente, é um problema para Alberto. O irmão mais novo do Mestre da Logística é rebelde, tem algum envolvimento com o crime, e a todo custo tenta descobrir o que o irmão mais velho realmente faz da vida para dar todo aquele luxo para ele e sua mãe.

Os caminhos de Alberto e Giorgio irão se cruzar. E o que resultará disso? Um interessantíssimo duelo entre essas duas mentes geniais, e um final simplesmente surpresa. Eu pensei que as coisas iriam para um determinado lado, que a meu ver já era bom. Todavia uma última dose de ação dará outro rumo.

A história é contada em terceira pessoa. São 186 páginas que você termina assim, sem perceber, devido à dinâmica da narrativa dos fatos. Pode colocar na sua lista de futuras leituras, tenho certeza de que não irá arrepender-se.

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Ainda existe a ideia de que toda a evolução vem no sentido de melhorar a vida do ser humano. Tornar as relações entre os indivíduos mais propícias. Será mesmo? Bem, eu tenho cá minhas dúvidas. A era digital está aí, e é praticamente impossível não ser impactado e influenciado por ela. Não pode-se negar que benefícios inúmeros foram alcançados com todo esse avanço tecnológico.

O advento das redes sociais e aplicativos tem permitido que a comunicação seja cada vez mais instantânea, independente da distância. Isso é ótimo. Mas tem gente que se isola, se prende demais, mergulha de cabeça nesse mundo virtual e abandona o calor humano, o aperto de mão, o abraço, o encontro para a resenha no fim do dia ou fim de semana, a descontração num barzinho…

E os perfis fakes??? Eu mesmo já tive alguns (e ainda tenho, rsrsrsrsrsrs).  Manter contato sem ser devidamente identificado, por quaisquer que sejam os motivos é uma estratégia utilizada por muita gente. Infelizmente algumas dessas pessoas usam desse recurso com planos maldosos e isso é lamentável.

Mas, vamos à nossa resenha.

Além do Fake” é uma publicação da Chiado Editora, lançada no ano de 2016. Já li outros livros bem interessantes dessa editora. A autora chama-se Nathalie D. A, uma gaúcha que mudou-se para São Paulo a fim de estudar Direito. Tem 172 páginas.

Annie é uma adolescente como tantas outras. Viciada desde cedo em redes sociais e chats, mantinha contato com outros perfis fakes. Pessoas para falar sobre qualquer assunto, mas sem ter qualquer elo.  Acontece que sempre há alguém de quem nos “aproximamos” e criamos afinidade. Lembro que na época em que frequentava salas de bate papo, tinha um pessoal que saía do virtual e se encontrava toda sexta feira na praça de alimentação do shopping. Tenho uns três ou quatro amigos que conheci dessa forma, e isso já tem pra lá de 15 anos!

O uso contínuo da internet também era uma espécie de fuga para a garota (o é para muita gente). E também as suas leituras. Morava a pouco tempo naquela cidade, conhecia pouca gente, se sentia só. Características próprias da adolescência.

“Nos dias que não falava com ele eu sentia como se estivesse faltando algo, como se eu tivesse esquecendo de fazer alguma obrigação naquele dia. Eu sentia simplesmente um vazio, um buraco em meu peito. Acho que eu ainda não sabia o que estava sentindo…”

Bem, a garota encontrou um rapaz com quem tinha afinidade, e surgiu ali amizade. Falavam-se todos os dias pelo chat, depois passaram a manter contato por telefone. Chamava-se Thomas e morava em outro estado. Com o passar dos dias a aproximação entre os dois só crescia e ambos sabiam que havia um sentimento mais forte. Ele escreveu uma carta para ela (a história se passa em 2009; é raro alguém escrever cartas hoje em dia) e a menina respondeu, onde expressava aquilo que estava no seu coração. Mas não teve coragem de postar.

Não era a primeira vez que ela experimentava aquilo. Por viver desde cedo conectada, Annie teve um namorado virtual. Isso mesmo! Muita gente já teve. Ele chamava-se Nick. Mantiveram contato por quase três anos, sem nunca encontrarem-se pessoalmente. A menina sabia que sentia algo forte, mas o contato foi interrompido. Agora ela vivia esse “romance” com o Thomas.

A vontade de poder finalmente se conhecerem estava para ser saciada. A mãe do Thomas iria fazer um curso de teatro exatamente na cidade em que a garota morava. Annie ficou animada, ansiosa, nervosa. Em pânico. A possibilidade de ter nosso sonho realizado também pode nos provocar inúmeros sentimentos receosos. Como eles não conheciam a cidade ficou certo da mãe da menina ir buscá-los no aeroporto e ajudá-los a encontrar um local para ficarem hospedados. Vale salientar aqui que ambas as mães sabiam da existência dessa amizade/romance virtual.

Tem uma coisa que me surpreendeu muito. Thomas e a mãe ficaram na casa da mãe da Annie nos primeiros dias. Pensei sinceramente que os dois adolescentes iriam aproveitar para “tirar os atrasos”, pois apesar da vigilância da Jess (mãe da garota), eles tiveram essa oportunidade. Todavia o que se viu foi algo diferente. Havia muita cumplicidade entre os dois jovens, muito a compartilhar e as outras coisas seriam consequência.

Como Thomas estava com tempo livre enquanto sua mãe estudava Annie o levou a vários lugares. Numa das oportunidades em que saíram juntamente com a amiga da garota, um fato aconteceu. Algo totalmente inesperado para Annie. Algo que mexeu profundamente com as suas emoções. E que daria rumo de certa forma surpreendente ao final da historia.

Eu gostei do livro. A temática me desperta a atenção. Além disso, o livro é bem escrito. Não é cansativo e a autora consegue sair do lugar comum, dando outras possibilidades às situações vividas pelos personagens.

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A resenha de hoje é sobre uma história que se passa nos anos de 1930. Trama policial que envolve um elemento inusitado: cartas de tarô. Outros elementos vão compor o enredo da trama: um roubo bem sucedido, um assassinato sem explicações, um determinado grupo que exerce influência sobre o povo e alguém que anseia fazer a sua própria justiça.

Crimes do Tarô é uma obra publicada no ano de 2014 pela Premius Editora. São 333 páginas distribuídas nos 86 capítulos que compõem o livro. Escrito por Leonardo Nóbrega.

Primeiro, o assalto ao banco. A loira assaltante consegue fugir levando uma boa quantidade de grana. Conseguir deixar um guarda totalmente sem ação e provoca a morte de uma pessoa. Como possível pista, deixa duas cartas de tarô nas gavetas onde o segredo do cofre ficava guardado. O inspetor Tomás, responsável pelo caso indaga: de quem foi a ideia inteligente de deixar guardado o segredo do cofre exatamente próximo de onde ele fica?

Sem qualquer tipo de pista concreta e quase nenhuma informação prática que pudesse dar um norte para a solução do caso e localização da infratora, o inspetor apela para o único objeto que parece ser o caminho a seguir: as cartas. Dirige-se ao acampamento cigano, localizado na outra parte da cidade. Lá ele aprenderá que cada carta tem determinado significado, e é preciso saber interpretar. Tomás se vê num jogo complexo, pois outros crimes acontecem por toda a cidade, e novas cartas são deixadas nos locais, indicando que a autoria dos delitos é responsabilidade da mesma pessoa.

A loira misteriosa parece ter um padrão. Tomás chega a essa conclusão, que o induzirá a encontrar certas respostas: O que os crimes possuem em comum? Por que exatamente estas pessoas foram as vítimas? O que exatamente a ladra consegue ao praticar tais crimes?

A partir daí outras descobertas são sendo feitas. O que leva ao inspetor chegar a outra conclusão: nem tudo é o que parece e ninguém, absolutamente ninguém pode ser tomado como inocente.

O inspetor passará a contar com ajuda importante de mais duas pessoas: Carlos, outro inspetor que será incorporado na investigação após um misterioso incêndio, e Edith, funcionária do banco. Ela tem conhecimento de determinadas falcatruas que envolvem o seu chefe e pessoas poderosas da cidade.

É possível que o leitor ou leitora acostumado(a) com detetives estilo Sherlock Holmes e Hercule Poirot consiga decifrar a xarada antes de ser revelado o seu final. Basta prestar atenção minuciosa em que cada detalhe que aparece ao decorrer de toda a trama.

Como toda boa história policial deve ser, essa é envolvente, nos causa expectativa em saber do desenrolar dos fatos e do desfecho final. A leitura transcorre fluidamente. Não falta claro, um pouco de complexidade, elemento comum nesse tipo de gênero. Mas não deixa o(a) leitor(a) com parafusos a menos, na tentativa de compreender o que está se passando.

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Será que existe algum segredo de como se viver? Eu penso que todos nós, de uma ou outra forma sabemos quais os caminhos que devemos seguir para que nossa existência seja algo válido, seja algo que nos orgulhemos. Acontece que apesar de sabermos, agimos muitas vezes de maneira equivocada. Complicamos tudo. O segredo talvez esteja em pôr em prático aquilo que já se sabe.

  “Você não vai receber outra vida como esta. Você nunca mais vivenciará o mundo exatamente desta maneira, com esses pais, filhos, familiares e amigos. Nem experimentará a terra com todas as suas maravilhas novamente neste período da História. Não espere o momento em que desejará dar uma última olhada no oceano, no céu, nas estrelas ou nas pessoas queridas. Vá olhar agora.”

Elizabeth Kubler-Ross, renomada psiquiatra nascida na Suíça, conhecida pelos seus trabalhos sobre questões concernentes à morte e o escritor norte-americano David Kessler que também trabalha com assuntos referentes ao fim da vida aparecem juntos no livro “Os Segredos da Vida”, lançado em 2000 e publicado em português pela Editora Sextante no de 2004.

Eu já tinha ouvido falar sobre o trabalho da Elizabeth Kubler-Ross. Despertou-me o interesse depois que uma cliente conversou comigo na livraria onde eu trabalhei sobre outro livro dela, chamado A Roda da Vida, que é uma autobiografia onde a médica relata todo o seu drama diante da possibilidade de morrer, após ser vítima de um derrame.

Os Segredos da Vida é o resultado de algumas entrevistas que os autores realizaram com pacientes em estado terminal, como também de suas experiências extraídas de aulas, seminários, palestras, debates ao longo de suas carreiras.

O propósito do livro é mostrar que a morte é nada mais uma das etapas da nossa existência, que todos estão destinados à ela, que não se pode fugir e nem ficar preocupado, a ponto de esquecer do essencial: viver o hoje e o agora, e ir em busca dos sonhos e objetivos. Também convida a uma reflexão sobre a forma como tratamos as pessoas ao nosso redor.

Cada capítulo é uma lição. A seguir algumas mencionadas no livro:

 O amor, que achamos difícil de descrever por vezes, é a única experiência verdadeira e duradoura da vida. Queremos que nossos relacionamentos sejam perfeitos, mas todos possuem suas falhas e isso precisa ser compreendido. Somos autênticos? O que nos faz bem é parte da nossa conduta ou do nosso modo de vida? Sabemos falar e lidar com as nossas perdas de forma madura?

Podemos encontrar paz quando nos entregamos, mas muitos têm receio de fazê-lo por medo. A vida é governada pelo tempo; atribuímos a ele o seu valor e em alguns momentos um valor equivocado. O medo pode ser útil, pode nos alertar, mas não pode nos paralisar. A raiva é uma emoção natural que poderia ser exteriorizada rapidamente, todavia alguns guardam isso no peito. E adoecem.

Pode parecer no início que estamos lendo mais um daqueles livros de autoajuda chatos, que terminam a nos levar ao lugar comum. Não. É uma leitura de conteúdo simples, sem termos complexos que dificultem a compreensão. Contudo não é um livro para se ler rápido. O ideal é que seja apreciado de forma pausada, tranquila. Algumas histórias são dolorosas e é possível que em algum momento o(a) leitor se encontre.

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Alguns escritores e algumas escritoras, pela imensa capacidade de “dar vida” às palavras e alcançar os(as) leitores(as) de forma mais intensa, de forma mais apaixonante, conquistam públicos de todas as gerações, em diferentes lugares, de diferentes classes, de todos os gêneros.

Um dos grandes expoentes da nossa literatura é Rubem Alves.  É notória a sua contribuição para nossa cultura, nas diversas áreas em que ele atuou durante toda a sua vida.  Muitos dos seus escritos e ensinamentos estão proliferados nos quatro cantos do país.

Dentre as suas habilidades, a arte de escrever crônicas é a que eu mais admiro. Já me debrucei com textos belíssimos, histórias cativantes, que alimentaram a minha alma e serviram de inspiração para diversos momentos na minha trajetória de vida.

Desta vez fui alcançado com os textos presentes no livro “Na Morada das Palavras”, obra publicada no ano de 2003 pela Editora Papirus. É composto por 23 crônicas, distribuídas em suas 139 páginas. Cada uma delas uma verdadeira preciosidade, onde sabedoria e bom humor estão presentes.

Logo no sumário, foi atraído pela forma como os títulos foram disponibilizados. Estão divididos em cinco blocos, e cada bloco recebe o nome de um cômodo da casa. Eles também se encontram num desenho em formato de uma planta de uma moradia, o que nos remete automaticamente para o título. No transcorrer da leitura, identifica-se que cada bloco traz um tipo diferente de texto. Na “biblioteca”, por exemplo, leremos crônicas que possuem teor mais reflexivo. E por aí vai.

Temas como o valor e a importância da justiça, a observação das coisas mínimas quando queremos desvendar segredos e uma metáfora para falar sobre os saberes individuais quando ele diz “ave que sabe voar, raposa não consegue pegar” compõem a sessão do “Porão”.

E as metáforas passeiam de forma constante em todo o livro. É uma maneira bastante prática quando se quer ensinar algo. Era desta forma que Jesus ministrava aos seus discípulos.

Para terminar, quero destacar um dos trechos que muito me atraiu. Está na crônica “A beleza dos pássaros em voo”, onde o escritor, que completara na época 70 anos, fala da brevidade da vida e da importância de se dizer as coisas:

“Toda alma é uma música que se toca. Quis muito ser pianista. Fracassei. Não tinha talento. Mas descobri que posso fazer música com palavras. Assim, toco a minha música… Outras pessoas, ouvindo a minha música, podem sentir sua carne reverberando como um instrumento musical. Quando isso acontece, sei que não estou só. Se alguém, lendo o que escrevo, sente um movimento na alma, é porque somos iguais. A poesia revela a comunhão.”

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Certa feita, uma vizinha estava comentando que ela estava com um livro de 200 páginas há quase dois meses e não havia terminado. Falei que tinha terminado um de 408 páginas em dois dias. Ela simplesmente me perguntou se eu “não tinha nada pra fazer da vida”. Eu simplesmente ri.

Encarar livros grandes nunca foi problema para mim, e acredito que também não o seja para verdadeiros leitores. Veio-me, desta vez o desafio de ler um com 832 páginas!  Desafio aceito, meta cumprida! E ele é apenas o livro um…

“Cisne”, da escritora Eleonor Hertzog, é o primeiro volume da série “Uma Geração. Todas as Decisões”.  A edição de 2014 saiu pela Editora Mundo Uno, mas o exemplar que tenho em mãos foi publicado um tempo antes e saiu pela Editora Dracena. A história gira em torno da família Melbourne, que vive no barco Cisne, e onde também realizam suas pesquisas.

Doris Melbourne e Henry Melbourne são cientistas muito famosos. Biólogos Marinhos. Ambos estudaram e se formaram na escola de Champ-Bleux. Os critérios para o ingresso de alunos são um tanto desconhecidos. Os exames são rígidos e candidatos dos mais variados locais do planeta se inscrevem semestralmente, na esperança de conseguirem uma das duzentos e cinquenta vagas que são disponibilizadas. A disputa é acirrada porque Champ-Bleux é a melhor instituição formadora da área científica.

O casal possui sete filhos: os gêmeos Ted e Teo, de 16 anos; os também gêmeos Tom e Tim, de 15 anos; Pam, que tem 14; Lis possui 13 o caçula Bobby que possui 8 anos. Além deles há também a Peggy, uma garota que foi adotada e tem 14 anos. Os pupilos da família Melbourne, exceto o caçula, foram inscritos para a seleção da escola, e sabendo da dificuldade e da alta concorrência, ficam na expectativa de que ao menos um deles seja aprovado desta vez.

Aqui surge o primeiro mistério. A família recebe sete envelopes, cada qual com o nome de um dos sete filhos, contendo o resultado da seleção. Um clima de excitação e ansiedade toma conta dos jovens. Quando o último envelope é aberto, a algazarra é geral: todos, surpreendentemente foram aprovados, coisa nunca antes registrada. Enquanto os irmãos comemoram, os pais se entreolharam, e compreendem o que de fato aconteceu.

Apesar de toda fama, os Melbourne são pessoas simples. Eles estão para desembarcar em uma cidade que costumam visitar. Um bom número de pessoas se desloca até ao local da chegada para receber os ilustres.  Os filhos dos cientistas fazem uma apresentação teatral para saudar os moradores, que ficam surpresos com a iniciativa.

No tempo em que se passa a história, os habitantes da Terra têm conhecimento da existência de um planeta, que também é habitado. Chama-se Tarilian. O relacionamento entre seus moradores é amistoso. Existem alguns contratempos, mas dá pra conviver. Ao menos por enquanto. Dois estudantes oriundos do outro planeta vêm para fazer uma espécie de intercambio, exatamente no navio.

Durante o período em que permanecerão no Cisne algumas situações não previstas ocorrerão e uma séria questão diplomática envolverá os dois planetas, e o futuro de ambos poderá ser decidido exatamente no e com os moradores do Cisne.

 “Cisne” é um livro gostoso de ler. Sua grossura pode assustar num primeiro momento, mas desde o início o(a) leitor(a) se sentirá muito à vontade. As traquinagens dos irmãos proporcionam momentos muito engraçados. Os garotos, e as garotas também são muito agradáveis. Além disso, as aventuras que se desenvolverão ao longo de todo enredo dará um ritmo que não nos deixa enfadado.

Confesso que a história me surpreendeu. Imaginava algo totalmente diferente do que li. As boas leituras podemos encontrar em lugares (livros) que por vezes não imaginamos.

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Corrupção. Fraude. Roubo. Desvios de dinheiro. Compra de votos. Favores. Obras inacabadas. Funcionários fantasmas. Nepotismo. Estas e outras expressões fazem parte do dia-a-dia das diversas mídias que trazem notícias do campo político. Estamos acostumados a vivenciar e/ou ouvir sobre estes desmandos que por vezes ficamos anestesiados e nos comportamos como se nada pudesse ser feito.

A arte imita a vida.

Recebi o livro Entre Quatro Poderes e fiquei curioso em saber de que forma o lado sujo, imundo e cafajeste da política era abordado pelos seus autores. Muito do que li não me era estranho, não me era novo. Contudo alguns elementos acrescentados me causaram agradável surpresa, pois ainda que não sejam inéditos, não recebem o mesmo teor de divulgação e por isso não chega ao conhecimento público com intensidade.

A obra tem muito bom acabamento gráfico. Possui 247 páginas e foi publicado no ano de 2014 pela Editora Novo Século. É de autoria do Grupo (Sic). Escreve-se assim mesmo. O grupo é composto pelos(as) jornalistas Anderson Fagundes, Débora Kaoru, Khadidja Campos  e Rodrigo Dias.

A história se passa na fictícia cidade de Suares, localizada no interior do Estado de São Paulo. O primeiro capítulo nos apresenta de cara o desfecho da trama: o jovem prefeito da cidade, Alberto Barão, mais conhecido como Churrasco, toma conhecimento que a Polícia Federal está na região, e que ele será preso, pois existem contundentes provas de seu envolvimento em inúmeras ações de corrupção.

“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa…”

Sem saber direito que providência tomar, Churrasco dirige-se à sede da prefeitura logo cedo naquele 1° de março. Entra no seu gabinete, senta e faz uma espécie de retrospectiva dos fatos que o conduziram àquela situação. Abre uma das gavetas onde se encontram a Bíblia que o seu pai lhe dera, e um revólver. Coloca ambos em cima da mesa. Minutos depois escuta batidas na porta, e como ele não responde, é aberta à força. O prefeito está com a arma apontada para sua própria cabeça.

O trecho acima destacado é uma parte da carta testamento do ex-presidente Getúlio Vargas, que ele deixou antes de cometer suicídio. Alberto Barão sabia decorado e foram suas últimas palavras pronunciadas antes de tirar o revolver da cabeça e colocar na boca.  Pessoas ali presentes gritaram para ele não fazer aquilo, mas o prefeito estava decidido a apertar o gatilho…

Os capítulos seguintes vão nos mostrar como tudo começou. É-nos apresentada infância e a adolescência do Alberto, sua convivência com a família. O garoto sempre foi inteligente, comunicativo, diferente de seu irmão mais velho, Cláudio. A desenvoltura do garoto causava ciúmes e inveja no primogênito de Seu Antônio, pai dos meninos.

Cláudio encontrou a oportunidade de aprontar para o irmão e ficar na vantagem. Havia uma garota chamada Estela, por quem Alberto nutria sentimentos. Sabendo disso, o mais velho disse que iria chamar a garota para sair. O outro não acreditou e Cláudio propôs um trato: se conseguisse sair com ela, Alberto daria a vaca que ganhou numa aposta para o irmão, que faria um churrasco para a turma que andava com eles. Os outros garotos estavam no momento e sem opção, Alberto topou. Cláudio conseguiu sair com Estela e a gozação depois foi geral. Daí que surgiu o apelido Churrasco.

Os anos passaram. Cláudio casou com Estela. A moça, futuramente, desempenhará um papel importante que atingirá a vida dos dois irmãos. Cláudio também terá uma atuação de destaque, pois em determinado momento se tornará o braço direito de seu irmão caçula.

Alberto continuou se destacando e seu potencial chamou a atenção de Zé Ribeiro, vereador da cidade. Os dois possuíam planos para o futuro de Suares e nas eleições seguintes Ribeiro sairia candidato a prefeito e convenceu a Churrasco a candidatar-se para o cargo de vereador.

Perto das eleições a vitória de Zé Ribeiro era dada como certa. Um dia antes do pleito, contudo aconteceu, uma terrível tragédia: o candidato foi assassinado. Seu oponente ficou com o caminho aberto para vencer.

Alberto, agora vereador, tornou-se o principal opositor do prefeito eleito, Armando Pimenta. Lutou com todas as forças para denunciar os desmandos do chefe do executivo. O rapaz também era um idealista e entendia que precisava trabalhar para proporcionar o bem-estar de seus eleitores e da população de um modo geral.

Mas quem tem dinheiro, tem o poder. E Alberto se verá de mãos atadas diante da força econômica e política de Pimenta. Além disso, o vereador passará por uma situação difícil, que colocará à prova a sua disposição em trabalhar pelo povo de sua cidade.

A história irá se desenvolver de forma bem dinâmica, recheada de surpresas, mistérios, tensões e expectativas. A vida de Churrasco ganhará uma dimensão não imaginada.

O livro é prazeroso de se ler. A leitura flui fácil. Recomendado para quem gosta de uma boa história. A ficção se aproxima muito da realidade.

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Dezoito anos depois, a história continua…

Eternamente “Eu” – A Morte era Só o Começo é a segunda parte da duologia iniciada com Eternamente “Eu”, publicação da autora Elisete Duarte. Lançada em 2016 de maneira também independente, possui mais páginas que o anterior (473).

No primeiro livro, Lucy e Chris, depois de firmarem a relação, são surpreendidos com dois fatos: a gravidez da garota e logo em seguida o seu grave problema cardíaco. Tendo de escolher entre interromper a gravidez para poupar sua vida, e ter a criança mesmo correndo o risco de seu coração não suportar, a jovem decide seguir a gestação. Nasce um belo garoto, Eric, mas os problemas de saúde da nova mamãe se agravam, e ela vai a óbito, para o desespero e tristeza de todos.

“A morte não é o fim. Nunca será. É o começo de uma nova existência”.

Na resenha anterior eu falei que não gostei de uma coisa sem mencioná-la pois seria spoiler.  Nos seus momentos finais Lucy vê uma luz e algumas pessoas chegando para buscá-la, e ela insiste em não ir, seu filho é muito pequeno e precisa dela. Isso revela o tom de mediunidade (sutil, mas perceptível), que aparece na história, e bem explorado nesse segundo volume.

Susie fará 18 anos. Mora em Nova York. Os preparativos para a festa estão praticamente prontos. Ela irá reunir seus amigos e pessoas próximas para celebrar, ainda que não esteja animada. Seus pais, proprietários, de uma rede de restaurantes especializados em comida brasileira viajaram a negócios e não estarão presentes, mas isso não é problema. Quando chega a noite, um tanto ansiosa ela prepara-se para dormir, porém tem a sensação de que não está só. Minutos depois ela ouve passos e gritos de socorro.

Sem muitas opções e bastante temerosa, ela liga para Molly, sua grande amiga, para chamar a polícia. A garota aparece com um grupo de policiais que entram na casa e revistam por completo todos os cômodos e não encontram indícios de arrombamento ou presença de estranhos. Um dos homens é Flávio, pai da Molly. Brasileiro, mudou-se para NY com a família há dezoito anos. Ele é o chefe do grupamento acionado. Sem entender exatamente o porquê, se sente atraído pela amiga da filha.

Chris ainda sente a falta de sua amada, muito tempo depois de sua morte. Em alguns momentos, ele parece ouvir sua voz, chamando-o. Atualmente é casado com Kate, mas definitivamente não é feliz. Os negócios estão indo cada vez melhor. Seu pai e seu ex-sogro firmaram sociedade. Seu filho Eric é um belo rapaz, inteligente. Está participando de um intercâmbio nos Estados Unidos e Chris não vê a hora de matar a saudades de seu garoto. Mas sua esposa não o completa, a ponto de ele ter um caso extraconjugal.

Susie nos dias seguintes continua a ouvir o pedido de socorro. Além disso, ela sente uma força estranha puxando-a, o que lhe causa mal estar a ponto de até desmaiar. Liga para os pais que, desesperados, logo voltam. Ao chegarem, levam-na a um psiquiatra. O médico não constata nada de anormal e receita alguns calmantes. Quando a moça está perto de deixar o consultório, volta a sentir novamente o puxão e cai. O psiquiatra olha para ela de forma estranha, mas nada diz.

Dias depois, Susie recebe o convite para ir conhecer a avô da Molly, mãe do Flávio. Ela desde cedo tem algumas visões em relação ao futuro. A garota vai acompanhada de seu namorado Johnny. Ela tem dúvidas de seus sentimentos em relação ao rapaz. No momento em que a jovem e a senhora estão próximas, a amiga da Molly começa a sentir o puxão nas costas e quando se recupera, a mãe do Flávio está desmaiada.

O policial decide levar a mãe de volta ao Brasil. Molly também viajará, e termina por convidar sua amiga, que meio relutante aceita. Na verdade quem faz a sugestão é seu pai, pois vê uma oportunidade de aproximar-se mais dela. Susie enxerga na viagem uma forma de respirar outros ares e afastar-se do Johnny.

Em terras brasileiras, a família do Chris recebe convite para aniversário da filha de um dos seus amigos. Kate está muita animada, Eric empolgado, e essa empolgação contagia seu pai. Durante o evento Chris viverá uma emoção que irá mudar de sua vida: será onde ele verá pela primeira vez a Susie e a partir daí ficará encantado pela moça. Na mesma festa estão presentes Molly, seu pai e sua amiga, que terá uma crise e despertará a atenção de todos os presentes.

No dia seguinte, Chris e Susie se encontrarão por acaso. Ela igualmente será tomada por um fascínio inexplicável por aquele homem. Mas ele tem idade de ser seu pai…

Daí para frente, muitas coisas acontecerão envolvendo esses dois personagens.

Flávio e Chris terão os seus momentos de atrito, pois o presente apresenta-se como uma repetição do passado.

Como o primeiro volume, esse segundo é bem escrito, é uma boa leitura. Mas também repete a mesma falha: alguns momentos são demasiadamente longos, o que causa a sensação de marasmo, quebra o ritmo. Algumas partes poderiam ser suprimidas, sem o risco prejudicar a compreensão. Tornaria a história bem mais agradável.

No geral, é um enredo que merece ser degustado.

Confiram!!!

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Pessoas!!!

Vamos falar hoje de mais uma história de amor. Algumas delas possuem elementos semelhantes à outras histórias (e neste livro não foi diferente) mas a experiência particular de cada individuo é que torna cada romance único, sem igual.

Eternamente “Eu” é a primeira parte de uma duologia escrita pela paulista Elisete Duarte e publicada por ela mesma. Possui 331 páginas e saiu em formato impresso em 2016. A capa tem verde muito bonito.

Lucy é uma jovem estudante do ensino médio moradora da cidade de São Paulo. Bonita e inteligente, está perto dos 18 anos e é o orgulho de seus pais. Graças ao patrão de seu pai, Sr. Pablo, ela conseguiu bolsa para estudar em uma das melhores escolas da capital paulista. Sua família não é rica e não teria condições de bancar uma educação de alto nível para ela.

Por ser bolsista, a garota precisa esforçar-se bastante para tirar boas notas e não fazer recuperação, pois dessa forma mesmo se fosse aprovada perderia direito a gratuidade. Ela está com algumas dificuldades em Matemática, e precisa da nota máxima para ser aprovada, o que não acontece. Fica muita receosa com a reação de seus pais, mas eles entenderam a dificuldade da filha. Só que agora terá que ir estudar numa escola pública.

A relação entre o pai de Lucy e o chefe, contudo não é um mar de rosas. Além disso, Sr. Pablo tem um filho que apronta muito, e estuda na mesma escola que a garota. Chama-se Chris Caster. Não poucas vezes deu conselho para que ela ficasse longe dele. Mas as coisas não são tão simples….

No dia em que faria a tal prova de Matemática, Lucy saiu de casa atrasada. Acelerando para poder entrar na sala a tempo, pois pelas regras da escola nenhum aluno poderia entrar depois do professor, termina por esbarrar em Chris, derrubando todo seu material. Rola uma troca de olhares, enquanto ele procura ajuda-la. E a partir desse momento a proximidade entre os dois será cada dia maior.

O garoto é muito popular na escola, e também é muito arrogante. O grupo que anda com ele segue a mesma característica. Lucy sabe disso tudo e tenta manter distância, mas Chris revela-se outra pessoa, gentil, educado, e tudo isso acaba causando uma tremenda confusão na cabeça dela, que não sabe o que fazer.

O sentimento cada vez mais forte unirá os dois jovens, mas eles precisarão enfrentar muitos obstáculos na tentativa de ficarem juntos. O maior deles será o pai do rapaz, que ao descobrir do envolvimento causa o maior escândalo, acusando inclusive Lucy e seu pai de tentarem dar o “golpe do baú”.

Dois fatos não esperados irão atingir em cheio a todos. E a partir deles, a vida dos dois jovens ganharão outra dinâmica. A história não tem um ponto final, pois como já disse no início é uma trama em dois volumes.

Além de Lucy, Chris e suas famílias, alguns outros personagens se destacam, inclusive no segundo livro também. Clarinha, melhor amiga da Lucy, sua confidente. Kate, que faz parte do grupinho de Chris e que se comporta como se fosse namorada dele. Flávio, um cara que gosta muito da Lucy e não vê com bons olhos sua aproximação dela e o rapaz.

Logo no início fiquei com muita raiva dos dois: dele, pelo comportamento arrogante e também por pensar que iria aprontar com a Lucy, e dela por se deixar levar pela lábia do cara enquanto o outro rapaz, cheio de boas intenções, era ignorado.

Eu gostei dessa primeira parte, mas tenho três ressalvas. Uma  não vou citar porque seria spoiler, e não farei isso com vocês. A outra: tem alguns momentos que me soaram como prolixos, deixando a narrativa demasiadamente lenta. E por fim existem alguns erros gramaticais; é possível que seja problema gráfico.

Vamos ver o que o segundo e último volume irá trazer e como essa história irá terminar.

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A garota Júlia estava apenas com três anos de idade quando sua mãe Clara sofreu um grave acidente de carro, vindo à óbito. No plano espiritual a jovem mãe não consegue encontrar paz e sossego, pois não imagina como será a vida de sua pequena sem a presença materna.  Então, por causa de merecimentos, obtém permissão para acompanhar o desenvolvimento da filha como também poder escrever para ela.

“Senti então como se mãos amigas passassem sobre minha cabeça, veio um sono poderoso e a ele me rendi. Mas, Júlia, como nunca os meus pensamentos se voltaram para ti”.

 “Mensagens para Júlia” é um livro psicografado pela Mônica Aguieiras Cortat através do espírito Clara. Tem 236 páginas e foi publicado pela Editora Petit no ano de 2016. São 25 capítulos, onde encontramos relatos, conselhos e mensagens de uma mãe extremamente dedicada e preocupada, para que sua filha trilhe pelos melhores caminhos enquanto por aqui estiver. Além disso, Clara conta a narrativa de seu próprio passado e de suas experiências no plano onde agora habita.

“Porém, como é mais fácil culpar o “destino” do que assumir os próprios erros, muitas vezes nos vemos sem assumir nenhuma responsabilidade pelos nossos atos.”

Nas mensagens vamos observando como a garota Júlia vai crescendo e se desenvolvendo. Ela conta com a presença de seu pai, seus avós e também de uma pessoa especial, a Nana. Filha de escravos, Nana ajudou na criação da Clara, e agora repete seu papel de segunda mãe para a menina órfã. Ela é muito simples e de muito sabedoria. Transmite lições práticas de verdadeiros valores morais.

Alguns fatos da vida da Clara chamam atenção. Destaco um deles. Seu casamento possuía problemas. Carlos, o marido e pai da Júlia, tinha certos comportamentos que comprometiam a boa convivência familiar, além de possuir um gênio difícil. Mostrava-se ausente em casa, seus negócios não iam bem devido a alguns mal sucedidos acordos.

A capa do livro é bonita, e bem de acordo com o seu conteúdo. Tem um detalhe nas capas da Petit (as que eu já vi) que me despertou para um fato. Vou observar outras, contudo, para não emitir uma ideia equivocada.

Dizer que esse ou aquele tipo de livro é direcionado a um público específico significa limitar o alcance que a obra pode ter. Mas “Mensagens para Júlia” tende a ser apreciado mais pela comunidade espírita e por quem se identifica com esse molde de literatura.

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Já falei em outras resenhas que literatura com teor espírita ou até mesmo outro segmento religioso não é lá do meu agrado. Mas ainda assim permito-me ocasionalmente experimentar alguma leitura, principalmente se for por recomendação ou indicação.

Quando é Inverno em Nosso Coração” é uma publicação da Editora Petit, escrito pelo Américo Simões, através do Espírito Clara.  São 351 páginas, divididas em 37 capítulos. A capa do livro é muito, muito bonita. Num primeiro olhar, imaginamos que se trata de uma história entre as muitas contadas na literatura, bem água com açúcar, bem romântico.

O enredo é ambientado no de 1880, na época do outono europeu. A história se passa em um local que, pela narrativa, nos parece muito agradável: Recanto dos Pássaros. Lá vivem o senhor Ernest Bellmonte, suas duas filhas e as demais pessoas que trabalham naquele lugar. Ernest crescera ali, e não tinha a intenção de sair por nada. O Recanto dos Pássaros era prazeroso demais para ser abandonado.

Suas duas filhas chamam-se Clara e Amanda. As garotas desde cedo foram criadas e educadas pelo pai, que contou com a colaboração de algumas das empregas. A mãe das meninas morrera jovem, vítima de complicação durante o parto daquele que seria o terceiro herdeiro da família Bellmonte. O senhor Ernest mesmo ainda jovem não se interessou em casar novamente.

Entre as pessoas que trabalham no Recanto, está o jovem Raymond Trust. Chamado carinhosamente de Ray, chegou ao local quando tinha 12 anos junto com sua tia, então responsável por ele. Certa noite, a mulher simplesmente fugiu deixando o rapaz. Bellmonte não desejava mantê-lo, mas um das criadas que apegara-se ao jovem assumiu a responsabilidade, dizendo inclusive que ele poderia trabalhar lá. Assim, Raymond permaneceu.

Por serem da mesma faixa de idade, as filhas do senhor Bellmonte e o garoto recém-chegado cresceram juntos. E essa aproximação fez com que uma das meninas, a Clara se apaixonasse por ele. Uma paixão correspondida, perigosa e proibida. A garota no fundo sabia que seu pai não permitiria a relação com um empregado, ainda assim tinha certa esperança…

O destino da Clara, contudo, já havia sido traçado pelo seu pai. Como acontecia com muitas famílias ricas (e é possível que em alguns lugares ainda aconteça) os casamentos eram arranjados, sem essa de “amor romântico”. Quando completou 18 anos, a moça foi apresentada à Raphael, o rapaz a quem ela estava prometida. O casamento iria ocorrer logo em breve. O jovem ficou encantado pela sua futura esposa.

Acontece que será a irmã mais nova a encantar-se pelo Raphael. Ela apaixona-se pelo rapaz. Ao mesmo tempo, Amanda fica aborrecida, pois tem consciência que seu amor não é possível. E ela sabe que Clara gosta de outro. É injusto. Então, ela deseja que algo aconteça, para que a situação mude.

Bem próximo ao casamento, a noiva adoece. E com o passar dos dias o seu estado piora cada vez mais. A garota está à beira da morte. Como a união tratava-se principalmente de negócios, o senhor Ernest oferece a filha mais nova para que o acordo não seja desfeito. Como não tem opção, Raphael aceita casar-se com Amanda. Sente-se extremamente infeliz pois ama Clara.

Passado um tempo após o casamento, a filha mais velha dos Bellmonte está recuperada. Surge uma ideia fixa na cabeça do Raphael: a doença nada mais foi que uma armação das irmãs. Sentindo-se traído, ele arquiteta uma terrível vingança contra Clara. E essa vingança atingirá a todos que vivem no Recanto dos Pássaros. O lugar não será mais o mesmo.

Como quase todas as histórias espíritas romanceadas, “Quando é Inverno em nosso Coração”, expõe questões que estão muito próximas ao cotidiano de seus leitores. Fatos que ocorreram ou podem lembrar histórias que conhecemos ou até mesmo vivenciamos.

Como lição prática, pois eu acredito que a leitura de entretenimento quase sempre deixa um aprendizado, posso dizer que dentro de cada um de nós habita uma diversidade de sentimentos. Por vezes, sentimentos contraditórios se manifestam quase que automaticamente à cerca de alguém ou de algo. Cabe a nós sabermos escolher qual destes sentimentos deve prevalecer. Certos de que colheremos, de alguma forma, o resultado dessa escolha.

Algo na estrutura gráfica do livro me incomodou. As letras são pequenas e o espaçamento entre as linhas e os parágrafos também. Sobre papel branco, prejudica de certa forma a leitura.  Causa certo contraste com o acabamento da capa, que já mencionei anteriormente.

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Você acredita na existência de seres de outros planetas? E que eles podem em algum momento fazer uma visita à Terra? Você já assistiu e se emocionou com o filme ET, o Extraterrestre? Gosta de seriados tipo Arquivo X? Independente de ter respondido sim a algumas ou a todas as perguntas anteriores, certamente irá gostar deste livro.

“O Amigo de Praga” publicado pela Editora Quatro Cantos e muito bem escrito pelo Francisco Cabral é uma história cativante. O conhecimento do tema pelo autor foi fator importante para o bom desenvolvimento do enredo. Sua linguagem tem o público juvenil como alvo, mas alcança a todas as faixas etárias. São 223 páginas de muita aventura.

O adolescente Dennis é o personagem central da trama. Esperto, inteligente, boa lábia. Uma de suas grandes diversões é viajar durante as férias. Teve a oportunidade de conhecer lugares fora do Brasil, porém o que ele mais sente satisfação é passar os dias na fazenda de seu avô em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. O local inclusive já serviu de ambiente para outros enredos, exatamente por toda onda exotérica que permeia o lugar, atraindo turistas. Lá ele pode ter contato direto com a natureza, tomar banho de rio, e cavalgar pela imensa redondeza.

”Diz a verdade, Conrado: ele é humano? Bem, ele é… denso, sabe? Tem uma pele resistente… É humano? Crânio saliente, imenso… É humano? O que implica um cérebro maior que o nosso.  Mas é humano? Ele…”

Nestas férias, algo diferente e inusitado acontecerá a Dennis. Em um dos seus passeios pela propriedade, ele presencia a queda de um objeto, que não é nada parecido com os meios de transporte aéreo que conhecemos. O garoto convence ao avô que eles devem ir procurar esse objeto antes de ser localizado por outras pessoas. Eles partem em direção ao local da queda, e ao encontrarem nave, verificaram que o condutor, estava morto. Mas existe espaço para dois ocupantes e não há sinal do corpo do outro. Ele pode estar por aí…

Dennis pede aos trabalhadores da fazenda que o avise, caso vejam alguma coisa diferente ou alguém estranho andando pela região. Passam-se vários dias sem qualquer novidade, até que passeando pela margem do rio, o garoto visualiza alguém se banhando. Alguém diferente!!!. Imediatamente ele se aproxima, e sem saber que será entendido, comunica-se com aquela criatura. Mais gesticulando que propriamente falando, solicita que o estranho não saia do local, pois ele irá procurar ajuda.

O menino vai até a casa, verifica se realmente não há ninguém ali e encontra um local para esconder o visitante a princípio. Sabendo que não será possível mantê-lo oculto por muito tempo, cria uma identidade e dessa forma poderá apresenta-lo ao avô e aos trabalhadores: o nome daquele ser alto, louro, meio esquisito é Ernst, jogador de basquete, que o garoto conheceu quando esteve em Praga com seus pais. O viajante conviverá muitos dias na companhia da família de Dennis, que além de amigo é também o seu protetor.

A partir desse momento Dennis e Ernst terão uma intensa convivência. Os laços entre os dois se estreitarão e algumas coisas serão reveladas. O extraterrestre perdeu a memória. Não sabe quem é, não sabe de onde veio nem o que lhe aconteceu para que ele fosse parar naquela situação. Preocupa-se com que lhe podem trazer tais descobertas.

Ernst também não consegue compreender por que precisa ficar escondido. Pergunta-se o porquê do seu aspecto causar estranheza a ponto de quererem fazer experimentos com ele.

A história é do início ao fim bem dinâmica. Há algumas ilustrações presentes, bem singelas, porém significativas, que ajudam aos leitores na viagem dentro da narrativa.

Algo que é importante destacar é que nas entrelinhas da narrativa vamos encontrar críticas e reflexões. Num texto com objetivo de divertir, entreter, podemos observar comportamentos que não estão longe de nós, do nosso cotidiano, da nossa vivência. Preconceito, discriminação, xenofobia, posição social e outros marcadores se fazem presentes.

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