SUPREENDENTE – Maurício Gomyde

0
361

No cinema tudo é possível. O improvável depende apenas das decisões tomadas pelos roteiristas. Pedro sabia que a vida real era bem diferente. Ele teria uma única chance para realizar seu sonho: produzir o filme perfeito durante uma viagem amalucada com seus melhores amigos e com a menina por quem estava apaixonado. Sem roteiro, ele nem sequer sabia o que queria descobrir na estrada. O mistério em torno de seu amuleto – um olho turco – podia ser pura fantasia.

A única certeza de Pedro era que na vida real os milagres definitivamente não aconteciam.



Pedro era um sonhador. Mas era um sonhador daqueles com a câmera na mão e uma ideia na cabeça. Acho que vocês já ouviram sobre esse tipo de coisa, não é mesmo?

O sonho de Pedro era fazer um filme do jeito que ele queria, bem autoral mesmo e ser premiado com o Jabuti de Ouro, maior premiação do cinema brasileiro.

Seu trabalho era em uma locadora de vídeo, onde ele fazia questão de alugar para os mais incautos os filmes mais clássicos e assim disseminar a arte do cinema desde os mais jovens.

Além da locadora ele alugava um espaço em que usava como cineclube, e toda semana ele passava um filme que não costuma passar em cinemas maiores. Cultos e clássicos. A plateia não era muita, mas ao menos tinha um senhor que sempre estava presente e nunca falava nada.

Foi nesse cineclube, que funcionava no subsolo do Café cultural que ele conheceu Cristal, uma moça que trabalhava como garçonete, mas era estudante de física nuclear. Foi paixão à primeira vista…

Aliás, o maior problema de Pedro Diniz era justamente a vista. Uma doença degenerativa o estava cegando.

E foi depois de um diagnóstico sobre sua vista que Pedro reuniu Fit, seu melhor amigo, Maya e Cristal e, segundo ele, protegido pelo seu amuleto da sorte, vão em uma busca incrível de um filme sem roteiro, apenas seguindo o seu instinto de cineasta.

Tenho que reconhecer que não tinha muitas pretensões quando iniciei a leitura. No entanto, também há de reconhecer que é uma leitura incrível. Nunca imaginei que uma narração simples de quatro amigos tentando fazer um filme, em uma aventura inesquecível seria capaz de mexer comigo.

Sim, me juntei aos quatro, sofri com os quatro, ri com os quatro, mas principalmente, me senti como Pedro em sua trajetória. O herói aqui não tem poderes, pelo contrário, parece ser atingido pelo destino de forma que a gente passa a torcer pelo mínimo de coisa boa que aconteça ao personagem.

Pedro é um personagem que chama a atenção por sua crença imutável de transformar as pessoas com filmes, mas não quaisquer filmes.

Recomendo a leitura.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here