Sidarta – Hermann Hesse

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Quando me deparo pela primeira vez com a obra de autor ou autora de certo renome, tenho o cuidado de não criar muita expectativa, principalmente quando a obra em questão é bastante comentada. Desta vez me deparei com Sidarta, livro escrito em 1922 pelo alemão Hermann Hesse, considerado um dos ícones da nossa literatura.

 “Assim, todos amavam Sidarta. A todos ele causava alegria. Para todos era fonte de prazer. Mas a si mesmo, Sidarta não dava alegria. Para si, não era nenhuma fonte de prazer.”

 A citação acima já dá uma visão de qual caminho o livro irá percorrer. É comum se afirmar que as coisas na nossa vida acontecem no momento certo. O meu encontro com Sidarta se deu exatamente num tempo em que pude seguir ao seu lado e na medida em que ele ia encontrando as respostas para alguns dos seus questionamentos e dúvidas pessoais, eu tirava lições práticas para mim. Em outro momento talvez isso não me fosse possível.  Não é uma leitura de autoajuda, mas sua dinâmica um tanto reflexiva me fez ter essa percepção.

 Quem realmente sou? Do que realmente sou capaz? Será que há algo que eu possa fazer para tornar melhor a minha e a vida das pessoas que estão ao meu redor? Viver é apenas isso, ou existe mais?

 Sidarta era um jovem e belo rapaz que certamente poderia obter tudo o que quisesse em sua vida material. Pertencia a uma família tradicional. Desfrutou de uma excelente educação. Mas se sentia incompleto.

 Depois de conviver um tempo com essa angústia que lhe apertava o peito e o consumia, decidiu deixar a casa de seus pais e trilhar o caminho da renúncia, passando a conviver ao lado dos samanas, um grupo de peregrinos que na ocasião passava pela cidade onde morava, cujo lema era “pensar, esperar e jejuar”. Comunicou sua decisão ao seu fiel amigo e companheiro, o também jovem Govinda que a princípio estranhou essa atitude, mas que aceitou o convite para também seguir nessa jornada.

 Depois de certo tempo dessa caminhada, os dois rapazes tomaram conhecimento de que o Buda se encontrava numa localidade próxima de onde estavam. Sidarta então, ainda insatisfeito e inquieto na sua alma, decidiu deixar a companhia dos samanas e foi ao encontro do religioso. Mais uma vez convenceu ao seu amigo Govinda a seguir junto.

 Todavia, nada parecia agradar e satisfazer os anseios do jovem Sidarta. Passado determinado período de vivência entre os discípulos do Mestre Buda, ele decidiu mais uma vez partir. Dizia entender que o caminho proposto pelo líder é coerente, mas desejava viver experiências de maior praticidade. Algo diferente aconteceu nesse ponto. Indagado pelo amigo, Govinda se mostrou satisfeito com os ensinamentos recebidos. Ao tomar conhecimento que Sidarta pretendia partir novamente, se dispôs a ir junto, mas foi impedido. Govinda passou todo o tempo acompanhando-o, mas precisa encontrar suas próprias respostas. Assim, os dois amigos se separam.

 Nesse novo trajeto de sua vida, o jovem Sidarta se envolveu com coisas que anteriormente ele abominava: dinheiro, bebidas, jogos, sexo. Se relacionou de forma alucinada com uma mulher, Kamali, com quem teve as maiores experiências de sua existência nesse período.

 Um tempo depois, ele voltou a sentir ainda mais vazio, insatisfeito, incompleto, infeliz. Entendeu que tudo o que a convivência com Kamali proporcionou eram apenas os desejos de seu ego. Abandonou tudo e partiu em nova jornada.

Sidarta era uma pessoa iluminada. Nas situações complicadas quando se espera o pior, ele simplesmente conseguia extrair lições positivas e procurava aplicá-las na sua busca.

 Pesquisei sobre o livro e uma das coisas que tomei conhecimento é que a história é considerada mais das fábulas sobre a vida do Buda. As semelhanças entre a vida do religioso e a do personagem central desta narrativa são muito parecidas. Contudo a obra não deve ser entendida como mais uma literatura sobre o budismo.

 São apenas 160 páginas. Existem diversas edições do livro, inclusive em formato de bolso. A leitura flui bem, principalmente para quem já está familiarizado com outras obras em que a questão da religiosidade, seja ela de qualquer segmento, esteja fortemente presente. Se não for esse o seu caso, não se preocupe. Sidarta é uma grande oportunidade de você começar. Para facilitar ainda mais a compreensão, existem diversas notas de roda pé explicando alguns termos utilizados

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