Se eu ficar – Gayle Forman

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Mia, a protagonista, é aquele tipo de garota que possui uma vida normal e feliz. Tinha alguns problemas, obviamente, como, por exemplo, se achar um pouco diferente dos seus pais, que são roqueiros natos e extrovertidos, enquanto ela toca violoncelo, é silenciosa e um tanto tímida.

 Só que um acidente de carro muda tudo. Em um segundo, ela está no carro, ouvindo a Sonata para violoncelo nº 3 de Beethoven com seus pais e seu irmão mais novo, Teddy. No outro, está observando seu corpo e o dos seus pais ensaguentados. Mia (ou sua alma, espírito), então, acompanha seu corpo até o hospital, aonde verá bisturis cortando sua pele, numa tentativa de tirá-la do coma.

 O que muitos não sabem, ou não acreditam, no entanto, é que a escolha de ficar ou morrer é dela. A todo o momento, Mia se pergunta qual escolha fazer: ficar, e lidar com a dor do luto e ser uma órfã; ou morrer, fazendo com quem a ama sofra como, por exemplo, seu namorado, Adam, e seus avôs.

 “Se eu ficar. Se eu viver. A escolha é minha. Todo esse lance de coma induzido é papo de médico. Não cabe aos médicos. Não depende dos anjos que não podemos ver. Também não depende de Deus que, se existir, está em algum outro lugar por aí neste momento. Só depende de mim.” (pág. 77)

 Devo dizer que estava com muita vontade de ler esse livro e quando tive a oportunidade, fiquei bastante feliz. Comecei a ler Se eu Ficar cheia de expectativas, pois a maioria das resenhas que lia desse livro falava maravilhas do enredo. Esperava chorar, emocionar-me.

 A autora já começa o livro nos maltratando, descrevendo uma cena bem simples, mas que mostra o quanto a família da protagonista é unida. Bem, sabemos o que irá acontecer, entretanto, e sentimos um aperto no peito a cada página lida, pois sabemos para aonde elas irão nos conduzir.

 Os capítulos são divididos em duas partes. Na primeira parte, Mia (ou sua alma, ou espírito), vagando pelos corredores do hospital, narra os acontecimentos após o acidente, vai reunindo os prós e contras da sua decisão. Já na segunda parte, vislumbramos as lembranças da infância e adolescência da protagonista.

Acredito que, nessa segunda parte, a autora quis mostrar aquele filme que dizem que passa na nossa cabeça antes de morrer. Com esses flashbacks, notamos o quanto ela era feliz com tão pouco, o quanto era amada por todos e o quanto ela se doava para quem amava. Lendo esses flashbacks, vamos entendendo o motivo de sua dúvida quanto a escolha.

A autora, em alguns momentos, não soube explorar os sentimentos da protagonista, especialmente nas páginas iniciais. A garota perdeu seus pais, e parecia que estava mais incomodada em saber quando o seu namorado, Adam, iria visitar seu corpo no hospital. Fiquei me imaginando no lugar dela, e creio que teria uma reação bem mais… “exagerada”.

“E também não estou chorando, embora eu saiba que alguma coisa impossível de se imaginar acaba de acontecer com a minha família.” (pág. 23)

  Os personagens são aquelas pessoas comuns, e que cativam por esse motivo. Os pais da Mia são aqueles adultos que tiveram que “virar” adultos para cuidarem da filha, que não foi planejada. Mesmo eles vestindo essa “capa de adultos sérios”, eles continuam com aquela essência de adolescente roqueiro.

Temos outro personagem bem marcante também: a música. Todos os personagens possuem uma ligação direta com ela. O relacionamento entre Adam e Mia, por exemplo, só foi possível, pois ambos têm a música como algo muito maior, mais que um simples entretenimento.

Se eu Ficar é uma obra que fala de escolhas e consequências, de como devemos ponderar e calcular, quando uma escolha meche não apenas com o nosso futuro, mas também com o de quem amamos. Acima de tudo, a obra nos passa uma mensagem de que, em alguns momentos, devemos nos doar mais a quem amamos.

O livro não possui aquele enredo mirabolante com pessoas que se afastam do real, muito pelo contrário. Mas é justamente a simplicidade da história que a faz bela e tocante, pois nos identificamos com os personagens, percebendo que o mesmo pode nos acontecer.

“Sou eu quem deve decidir. Agora sei. E isso me aterroriza mais do que qualquer outra coisa que aconteceu hoje.” (pág. 78)

 O livro possui aquela narrativa que faz com que você, tendo tempo suficiente, o leia em apenas um dia. Indico a leitura para quem gosta de se emocionar com uma história simples, mas que mostra o verdadeiro amor, aquele pelo o qual pensamos menos em nós, e mais em quem amamos.

Não posso avaliar a diagramação, pois o li em formato digital. Não encontrei nenhum erro ortográfico ou de digitação.

Por fim, emocionei-me e chorei.

“A genialidade do livro está em sua simplicidade.”

— The Wall Street Journal

Resenha de Karina Erika, resenhista do Arca Literária e do blog Eu e minha Cultura

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