Rodrigo Bentivenha

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou de Osasco, na Grande São Paulo. No momento tenho 36 anos, formado em Geografia pela USP e grande apreciador de literatura, música, cinema, HQ e cerveja.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou professor de ensino fundamental II e médio e pré-vestibular. Quanto a inspiração para escrever, eu sempre gostei de histórias, de observar o mundo, o dia a dia, e sempre pensei que a vida de qualquer um pode render ótimas histórias. O desafio foi aprender a contar uma história que tivesse início, meio e fim e fosse interessante para se conhecer. Eu acredito que consegui com meu primeiro livro.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Dar sentido às ideias. Estas estão soltas e a princípio desconexas e escrever, creio eu, é um jeito de conectá-las de modo a que façam sentido. Expressar emoções, narrar ações, criar diálogos que nunca existiriam não fosse alguém ter pensado neles. Como disse uma vez Vladimir Nabokov, autor do clássico Lolita: “o que me leva a escrever é tão somente o desejo de contar uma boa história”.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Geralmente a mesa do computador, mas não é sempre que a tenho a disposição. Muitas vezes quando surge a ideia eu escrevo a mão num caderno mesmo, depois digito. Assim qualquer lugar onde tenha uma mesa que permita abrir meu caderno e um ambiente propício a que as ideias fluam… Boa parte do meu livro eu escrevi roubando um tempo no trabalho, na sala de aula mesmo, depois de fechar as notas dos alunos.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo sobre a realidade. Curto bastante coisa de fantasia também, mas meu negócio é o mundo real. Concordo com Joseph Conrad quando ele disse: “Este mundo já é muito complexo para se buscar inspiração em outros mundos”. Mas não quer dizer que nunca escreveria algo fantástico, só não sei como fazer isso agora. Agora eu fico coma realidade.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Essencialmente é uma história de amor e fúria. Envolve, ao mesmo tempo, uma busca por resolver problemas do passado e olhar para a frente, para as possibilidades que se abrem, tentar fazer o melhor e arcar com as consequências dos erros. Como disse um amigo e leitor: “poderia ser a história de qualquer um, inclusive a minha”.

Quanto a título e nomes de personagens não tem nada de especial: para o nome do livro eu penso em algo que dá sentido à história. Quanto aos personagens, estes geralmente são pessoas comuns, então procuro nomes comuns, nomes de pessoas com quem convivemos no dia a dia.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Em primeiro lugar a observação. Observo um lugar ou uma situação e penso em como isso pode render uma história. Daí procuro entender como a personagem agiria ou pensaria diante de tal lugar ou situação, pensar como ela mesmo.

Depois eu busco referências que podem servir naquele ambiente que imaginei. A seguir procuro se o que criei faz sentido dentro de um conjunto maior, tipo construir uma casa.

Também coloco no livro muito das minhas leituras, autores e publicações com as quais aprendi a ler, e nesse grupo tem romances, poesia, contos, ensaios, artigos científicos, quadrinhos, filmes até as saudosas revistas musicais muito em voga entre os anos 80 e 90, as minhas primeiras leituras ainda na adolescência.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Tenho várias influencias, autores que me ensinaram muito, como Charles Bukowski, John Fante, Dostoiévski, Mario Vargas Llosa, Raduan Nassar, Xico Sá, Rubem Fonseca, Hunter S. Thompson, Jack Kerouac, entre muitos outros. Mas me mantenho aberto a outras influências.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Na verdade este é meu primeiro trabalho publicado. Assim que terminei de escrever paguei um profissional para revisar. Lucas Cartaxo é o nome dele, fez um ótimo trabalho. A seguir mandei o original já revisado em arquivo de word para várias editoras independentes, onde eu teria que arcar com os custos da produção. Como o preço que me deram era um tanto acima das minhas condições, não levei adiante. Até que a Editora Multifoco do Rio de Janeiro, para quem eu mandei também o original por e-mail me retornou dizendo que a ele havia sido aprovado e eu não arcaria com os custos da produção do livro. E fizeram um belo trabalho gráfico, só tenho a agradecer quanto a isso.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Eu tento acompanhar, mas confesso que até agora só acompanhei superficialmente. Na verdade eu tenho uma fila de livros par ler que vai mais ou menos até 2020. E esta lista tem tanto autores clássicos quanto contemporâneos, tanto brasileiros quanto estrangeiros; e no meio dela eu procuro encaixar autores novos e tenho encontrado alguns muito bons, por exemplo Renato Tardivo, Mirtes Melo, Rafael Andrietta, Daniela Abade. Acompanho bastante ensaístas, principalmente autores que escrevem sobre política e sociedade, mas não foi essa a pergunta, né?

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho muito bom que cada vez mais pessoas venham contando histórias e encontrando meios para torna-las públicas, seja pela via tradicional, isto é, edição impressa, ou seja pela internet. Há muitos blogs bons on line. Quanto à qualidade, cabe ao público julgar. Por exemplo, eu detesto livros de auto-ajuda, mas as pessoas que gostam desse gênero, se um livro é capaz de tocar um determinado leitor, desse leitor apreciar o conteúdo do livro, quem sou para falar mal? Tem para todos os gostos.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Não acho legal, queria que fossem mais baixos. O meu inclusive. É uma estratégia nem sempre eficiente das empresas cujos produtos estão perdendo espaço para outros. O mesmo que aconteceu com a indústria fonográfica quando surgiu o mp3., o arquivo de áudio digital: “O povo está comprando cada vez menos CD’s? Então vamos aumentar o preço pra manter a margem de lucro”. E hoje em dia com a popularização do e-book a indústria editorial está fazendo a mesma coisa. Na minha opinião uma lógica um tanto burra, mas é o que acontece.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Agora meu pegou! É difícil, pois cada livro é resultado de escolhas particulares de cada autor e uma ideia levada a cabo por um não necessariamente vai ser a mesma se outro tentar desenvolver. Realmente não sei responder.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (Nome da música + cantor)

No momento estou pensando em duas músicas: Born to lose da banda punk californiana Social Distortion e O mal da liberdade do DFC, banda do underground de Brasília. Meus leitores entenderão.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Vários e por vários motivos. Alguns pela forma, outros pelo conteúdo, outros pela reflexão que me proporcionou, ainda alguns que me promoveram uam verdadeira catarse. Para não passar em branco cito “Lavoura arcaica” de Raduan Nassar, “O Idiota” de Dostoiévski, “Espere a primavera, Bandini” de John Fante, “O coração das trevas” de Joseph Conrad e “Misto quente” de Charles Bukowski.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou escrevendo a sequência do meu primeiro livro, mas sem prazo para terminar.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Muito pouco. Mas acho muito positivo que mais pessoas reservem seu tempo e esforço para escrever sobre literatura e que isso não fique apenas a cargo da imprensa corporativa, os meios de comunicação empresariais. Estes podem tanto elevar um autor a categoria de astro quanto destruir a carreira de alguém, enquanto que um blog, creio eu, não tem interesses meramente comerciais nas suas críticas.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Xico Sá, o Serge Gainsbourg do sertão! Quem melhor que ele para entender os dilemas morais e sentimentais do macho e da fêmea modernos?

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ter seu trabalho reconhecido. Não falo só de vender, mas que o público se identifique, aprecie seu trabalho. Fiquei muito feliz quando ouvi de um amigo que leu que sentiu que a minha história (a do livro) poderia ser a dele ou de qualquer outro da nossa geração.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Escrever é doloroso, porém mais doloroso é observar, pensar certas coisas e não dedicar algumas palavras a estas coisas. É um trabalho que demanda tempo e dedicação, mas se você sente que pode fazer, não deixe de escrever. Todos têm algo a dizer.

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