Ricardo Tagliaferro

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Nasci em 1992 em uma cidade do interior de São Paulo, vivi a vida inteira aqui, aos 19 anos comecei a viajar, principalmente para Minas Gerais e conhecer muitas histórias, umas felizes, outras nem tão felizes assim, isso foi me dando uma certa vontade de contar essas histórias, sou fascinado por História do Brasil, Revolução Farroupilha e 2° Guerra mundial, cursei Marketing entre os anos de 2012 e 2014, e em outubro de 2014 lancei meu primeiro romance intitulado “100 cartas de uma saudade” de forma totalmente independente, em março de 2015 assinei contrato com a editora Autografia, trabalhei por alguns anos com vendas externas e internas e agora arrisco no meu próprio negócio no ramo da informática, estou escrevendo meu 2° romance que dá continuidade ao primeiro e em breve começará a ser distribuído para todo o país. Tenho um projeto inacabado que pode ser a saída para novos escritores, uma editora em forma cooperativa que favorece todos os lados, em breve concluirei o projeto e os convido para conhecer. Isso é um pouquinho de mim.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Era vendedor no ramo de móveis e eletrodomésticos, mas agora decidi abrir meu próprio negócio no ramo de informática. Quanto a inspiração, sempre quis colocar meus sentimentos no papel, mas a vontade aflorou depois de reassistir a série “ A casa das sete mulheres” e “O tempo e o Vento”

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

É poder ver as palavras se transformando em válvula de escape para o melhor e o pior que há dentro de si, isso traz uma paz incomparável a qualquer outra.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo romance, o único gênero em que dei uma passeada foi pela poesia, mas só passeei mesmo, nada de muito concreto saiu desse passeio.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

“100 cartas de uma saudade” conta a história de um jovem rapaz que tenta lidar com o frio da serra gaúcha, a falta de imunidade e a pior de todas as saudades: A do amor de sua vida. Um livro que mostra que nem todas as cartas de amor são clichês e quem nem todos que se vão, tem a oportunidade de voltar a tempo.

“18 anos de solidão” dá continuidade à “100 cartas de uma saudade” e conta a vida de Manoella depois dos rumos que a vida de Lincoln tomou, explica os atos que a induziram a cometer o maior erro de sua vida e nos mostra uma mistura de medo, solidão e egoísmo que transformaram a vida de duas pessoas.

A inspiração para o primeiro livro veio de um misto de situações e obras como por exemplo o livro “A casa das sete mulheres” de Letícia Wierzchowski que inspirou o nome da personagem Manoella, o homem que é considerado por muitos o melhor presidente dos EUA, Abraham Lincoln inspirou o nome do protagonista e o Sul do país foi escolhido como cenário inspirado na revolução Farroupilha, o local escolhido foi porque o frio é o melhor clima para a saudade. O título foi inspirado em uma conversa informal que presenciei onde uma moça perguntava para o rapaz o que ele faria se ela fosse internada em uma clínica psicológica já que lá ela não teria nenhum tipo de conexão, ele disse que mandaria carta e ela o questionou se ficasse 100 dias lá, ele rebateu dizendo que enviaria 100 cartas. O título do segundo livro se deu pelo passar dos anos de espera da protagonista até que o destino a surpreendesse.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Escrevo sobre lugares que já existem, então costumo conversar com moradores do local, vejo alguns mapas, guias de comércio da região e em alguns casos, converso com os responsáveis pelo estabelecimento ou local que será retratado. A internet me leva à esses lugares sem sair de casa.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sim, quem não se inspira, né? Meus Autores/Inspiração são Markus Zusak, Leticia Wierzchowski, o músico e escritor Lucas Silveira e o pianista Wladislaw Szpilman.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim, a maior delas foi a financeira, escrever um livro hoje é, dos processos, o menos cansativo. A distribuição que as “editoras” dizem fazer, tudo isso é “lorota”, hoje o processo acaba caindo todo sobre as costas do autor, inclusive os altos custos para viabilizar o sonho de ser publicado. Tive a sorte de ter sido financiado por uma antiga professora e amiga que confiou no potencial do meu trabalho e pude imprimir a tiragem inicial de forma totalmente independente, mas sei que muitos não têm essa sorte, o que acaba desanimando boa parte dos autores de primeira/segunda viagem. Graças a Deus e a sorte, não tenho nenhum projeto concluído que esteja parado por problemas na viabilização.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho muitíssimo interessante, porém, penso que as pessoas deveriam valorizar mais os nacionais, aproveitar o que o nosso povo tem para mostrar, e digo isso não só dos leitores, mas também dos autores que ainda insistem em ambientar suas histórias no exterior esquecendo das coisas daqui. Os autores deveriam entender que se querem tornar seus livros em “Best Sellers mundiais”, não farão isso mostrando aos americanos os locais que eles já conhecem, ou aos parisienses os costumes dos quais eles já estão cansados de saber, o público internacional compra um livro brasileiro esperando encontrar um Graciliano Ramos, um Jorge Amado e não uma cópia idêntica ou até descarada de Nicholas Sparks.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este “boom”?

Acho essa ascensão muito boa, mas ela precisa ser controlada para filtrar o que é bom e ruim. Acho que as pessoas precisam apelar mais ao bom senso e procurarem pessoas que não sejam tão próximas e nem tão “amigas” assim para avaliar seus escritos, só assim teremos uma seleção de qualidade entre o meio literário. Acredito que não podemos levar como “verdade suprema” a opinião boa de amigos e familiares, afinal, eles são próximos e por mais autênticos que sejam, não vão querer te ferir. Um texto que têm apenas opiniões boas de gente próxima e é lançado dificilmente é bem aceito pela crítica, na maioria das vezes sendo uma história batida, desconexa e sem potencial. Acho que os “Beta Readers” são essenciais no processo de escrita para apontar sem medo o que deve e o que não deve ser mudado, mas não apenas um, afinal, ele sempre mostrará seu ponto de vista, e sim vários para que o autor tenha várias perspectivas diferentes e possa escolher pela qual mais se identifica.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho um absurdo, mas com o projeto da editora que estou criando, entendo cada custo, e o que percebi nessa pesquisa para executar este projeto é que a maior culpada pelos custos elevados é a distribuidora que não abre mão da sua comissão de 40 a 50% sobre o preço de capa dos títulos, o que praticamente inviabiliza a venda de um livro bom por causa do alto custo de produção e distribuição, Os autores/editoras menores são os que mais sofrem com essa “taxa” abusiva da distribuição, afinal, as distribuidoras não tem coragem de assumir os riscos de não conseguir vender todos os livros, já das editoras grandes eles assumem qualquer risco, afinal, sabem que são livros totalmente vendáveis porque levam o nome de uma “editora grande” e que algumas vezes têm qualidade duvidosa.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Eu sou o Mensageiro, do Zusak, a ideia é tão incrível que chega a ser surreal.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (Nome da musica + cantor)

Black – Pearl Jam / Iris – Goo Goo Dolls

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sim, o livro “Eu sou o mensageiro” (The Messenger) do Markus Zusak para mim é o livro da minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, atualmente estou em processo de escrita do meu segundo romance intitulado “18 anos de saudade” como já mencionado aqui e futuramente quero terminar alguns rascunhos que deixei para trás em 2012, duas histórias que podem ser contos ou podem ser transformadas em livros, além do projeto da editora que pretendo colocar em prática ainda no início de 2016

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sim, acompanho, pois só assim sei como meus textos estão sendo aceitos no meio literário independente, uso os dados para me direcionar e melhorar minhas formas de abordagem, então acho muito importante que os blogs abram espaço para os autores, pois só assim nós temos uma dimensão do que o nosso livro se torna em termos de popularidade.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

A Letícia Wierzchowski, acho que teria um mini infarto ao saber que ela leu meu livro, mas queria muito que ela lesse para que eu me sinta realizado no ramo literário.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Para mim foi ver uma leitora chorar ao descrever as sensações que teve ao ler meu primeiro romance, aquilo foi surreal demais para que eu pudesse deixar passar despercebido. Acho que essa é a maior alegria para o autor: Tocar as pessoas de um jeito tão sincero e verdadeiro que chega a embriagar nossa alma.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

A mensagem que deixo é para que não deixem que as pessoas digam o que você deve fazer, se acha que seu sonho vale a pena, vá e faça. A coragem é variável, só depende do que nos impulsiona. Grande abraço!

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