Ricardo de Jesus

0
654
  1. Fale-nos um pouco de você.

Nasci em na cidade mineira de Sete Lagoas, tenho 37 anos, casado, pai de um filho e moro em Paraopeba/MG. Comecei a escrever poesias por volta dos 14 anos apenas por hobby, como uma forma de brincar com as palavras. Poucas pessoas sabiam disso e eu arquivava aquelas que eu mais gostava (boa parte delas não passou pelo teste da releitura, então apagava). Muitos anos depois fui convidado a fazer uma curta biografia sobre meu pai à convite da diretora do jornal local que desejava lhe fazer uma homenagem. Ela gostou tanto do texto que me convidou a fazer parte da equipe de colaboradores do jornal com crônicas mensais, da qual já participo há quase três anos. Movido por este incentivo entre outros que vieram depois acabei publicando meu primeiro livro com algumas das poesias do meu acervo e aí não parei mais. Hoje são 4 livros de poesias e um primeiro de ficção à caminho.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Profissionalmente trabalhei quase 18 anos como mecânico de automóveis com o meu pai e depois apenas com os meus tios, dos quais devo muito do que sou hoje. Atualmente trabalho com meu pai e irmã no comércio de bicicletas elétricas.

A inspiração para a escrita vem da vida. Ela é repleta de poesia, mas poucas pessoas são capazes de percebê-la. Existe poesia em tudo, assim como em tudo há uma boa inspiração para uma boa história contada ao modo de quem escreve. Basta ser um bom observador.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Saber que tem gente que lê o que você escreve. Às vezes alguém pode chegar pra você dizendo não ter gostado do que escreveu, mas a primeira coisa que a gente pensa é: nossa, ele leu! Acho que isso é o melhor em escrever. Ser lido.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Até tenho um cantinho que mais utilizo para escrever (como na foto), mas o que mais importa no meu caso é o momento. Gosto muito de escrever na madrugada, quando sou apenas eu e meus pensamentos, e o resto do mundo apenas dorme.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Comecei com a poesia, acho que ela está em meu sangue, mas sempre admirei e leio muito ficção e também não-ficção, mas não acreditava ter capacidade para trabalhar nesse gênero. Fui surpreendido por mim mesmo ao finalizar meu primeiro trabalho e agora me vejo de contrato assinado com uma grande editora que já está trabalhando na produção da obra. Atualmente estou escrevendo a sequência do livro, além de trabalhar no próximo título de poesia, continuando ainda, com as crônicas mensais para o jornal e para o meu site.

  1. Fale-nos um pouco sobre seus livros. Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Para o primeiro título, “Quando as palavras se juntam”, uma reunião de poemas que falam de tudo, não só de amor. Essa foi a razão da escolha do nome, afinal, quando as palavras se juntam, podemos falar de tudo, seja de que forma for.

O segundo livro, “Ver, sentir, escrever e dividir”, veio na mesma tocada com poemas inéditos, exatamente para mostrar tudo que vi e senti nesta fase, para poder escrever e dividir essa experiência com o leitor.

“As copas em versos” foi o livro mais rápido que escrevi. Na verdade estava trabalhando em outro quando tive a ideia de destacar a Copa do Mundo com toda sua história narrada em versos, aproveitando o evento no Brasil. Acho que foi o livro que mais me divulgou pelo próprio evento em si.

“Meu jeito de contar a vida” é meu preferido, acho que pela fase vivida enquanto o escrevia, com a gravidez da minha esposa à espera do primeiro filho. Não existe nada mais inspirador. Não se trata apenas de minha vida ou esta citada fase, ainda continua falando de tudo, mas em um momento melhor.

“Célula 2” é o meu mais novo projeto a ser publicado pela Editora Arwen. Meu primeiro livro de ficção que deve ter sua história contada em uma trilogia ainda com data a ser definida para o lançamento. O nome deste livro já traz consigo um dos muitos mistérios a serem revelados durante a história e seus personagens receberam nomes aleatórios com alguma ajuda de pesquisa para nomes estrangeiros e seus significados que terão alguma importância no desenrolar dos fatos.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

No caso de “Célula 2”, a história se desenrola nos dias atuais, e isso facilita muito a criação do ambiente que você já conhece, embora muitas pesquisas tivessem sido feitas em relação à outros países, culturas, por exemplo, que foram citados e utilizados. Mas trata-se de ficção fantástica, o que quer dizer que muito é permitido de acordo com cabeça do autor desde que tudo tenha uma lógica de ser. Mas hoje em dia temos tudo nas mãos com a ajuda da internet, antes deveria ser muito mais difícil trabalhar um livro em função de pesquisas.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Leio muito, mas não posso dizer que me inspiro em um ou outro, embora seja fã de “Jogos Vorazes” da Suzanne Collins.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Os livros de poesia são trabalhos independentes, seja com editoras contratadas ou plataformas de auto publicação, já que o gênero encontra muita resistência da mídia literária e público em geral. Faço pelo prazer de escrever e até que posso dizer que tenho conseguido algum público. Já “Célula 2” passou por uma tentativa de publicação frustrada até ser encontrada pela Arwen. Não posso dizer que foi difícil, talvez tenha tido sorte. Muitos autores sofrem recusas por anos até ter o primeiro livro publicado, isso quando as editoras se dão ao trabalho de responder meses e meses depois.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que estamos em uma crescente por melhoras, mas ainda é preciso o incentivo da literatura nacional. Tem muita gente boa, publicada ou não, esperando por uma boa chance da mídia, livrarias, editoras, enfim. Ainda existe o mito de que o estrangeiro é sempre melhor. Não é regra. Tem gente boa e ruim em qualquer meio e lugar, mas ainda há um preconceito sobre obras nacionais. Falo por mim. Eu mesmo só procurava por aquilo que a mídia dizia que era bom, e geralmente vende quem não é de casa. Hoje só procuro por nacionais e não tenho me decepcionado.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Como estava dizendo, existe o bom ou ruim, nacional ou não. O “realmente bom” sempre irá se destacar dos demais com o tempo, mas é preciso tempo, paciência. Qualquer best seller já passou por anos de trabalho duro antes de sê-lo. Por isso não podemos ter aversão ao novo. Você pode estar com o livro do ano nas mãos e não sabe. Alguns só descobrirão em edições futuras. Tudo também depende de uma boa mídia.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Isso sim é um problema. A publicação ainda é muito cara e isso reflete nos preços de capa. Existem editoras preocupadas com isso e fazem trabalhos fantásticos em seus livros, melhorando a qualidade de impressão, diagramação, capa, enfim, para que possam concorrer com outras obras a preço justo. Estamos chegando lá.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Bom, acho que já deixei a dica lá em cima. Jogos Vorazes. Mas também admiro histórias simples e tocantes como “A culpa é das Estrelas” ou “A menina que roubava livros”.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

Não sei se posso defini-la como trilha sonora, mas escrevi boa parte do meu livro ouvindo a música tema de Piratas do Caribe (mandando anexo).

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Ainda não, mas acho que fiquei bem “ligado” com o livro “Não há dia fácil”, de Mark Owen, por se tratar de uma história real narrada por um líder da tropa americana na caçada e morte de Osama Bin Laden. É bem legal, tenso. Mas não, não é o livro da minha vida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, sempre. Estou terminando agora o segundo livro de “Célula 2”, que terá outro nome, ainda em segredo. Pretendo, assim que finalizá-lo, começar o terceiro. Escrevo sempre poesias e pretendo lançar o próximo livro de tema único que será bem divertido e diferente do que já fiz. Outros projetos só estão engatinhando, mas de vez em quando alguma coisinha é acrescentada.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho e acho sensacional. Especialmente quando a crítica é totalmente independente, positiva ou não. O autor precisa disso para crescer, mesmo que ele não concorde com ela. É claro que se trata de uma opinião, o que não quer dizer que todos os seguidores também irão concordar, mas toda opinião tem seu valor.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Acho que entre outros, Martha Medeiros. Me identifico muito com sua escrita e seria legal ter um livro meu lido por ela.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido. Depois, gostarem daquilo que você escreveu. Por último, divulgarem por você.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos leitores, peço a oportunidade de conhecerem meu trabalho. Faço por todos vocês que, como eu, são apaixonados pela leitura. Faço o melhor com a certeza de que ainda há muito a aprender, mas faço acima de tudo com muito carinho. Espero por vocês!

Aos escritores, nunca, nunca desistam. Eu disse nunca. Você deve ser a única pessoa a acreditar no seu trabalho. Faça por amor, por você. Não pense em ganhar dinheiro com isso, esse não é o caminho, embora possa se tornar. Esta será uma forma de sentir que valeu a pena depois de ver seu trabalho terminado. Seja seu maior fã. Se nesse caminho você encontrar aliados, tanto melhor. Eu costumo encontrar 364 razões durante o ano para desistir e apenas uma que me faz querer seguir em frente. Eu acredito nela.

Um grande abraço à todos vocês!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here