Raquel Pagno

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  1. Fale-nos um pouco de você.

R: Meu nome é Raquel Pagno (de verdade), mas tem um nome no meio que eu simplesmente detesto. Moro em Lages/SC, cidade onde nasci. Tenho 32 anos e dois filhos adolescentes. Sempre sonhei ser escritora e arquiteta. Sou chocólatra. Adoro cães e detesto viajar de avião.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R: Sou projetista e cartógrafa, além de escritora. Sou formada em Administração, porém nunca atuei na área. A inspiração já nasceu comigo. Desde muito pequena me apaixonei pelos livros. No início pelas ilustrações e quando aprendi a ler, também pelas histórias.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R: A avalanche de sentimentos que a escrita desperta. É quase uma possibilidade de se viver várias vidas.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

R: Não tenho um lugar especial, mas tenho um caderninho especial, cuja capa é um desenho dos meus filhotes, onde anoto minhas ideias iniciais e trechos importantes a escrever. Quando acordo no meio da noite com alguma ideia que precisa ser anotada, é pra aí que ela vai.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R: Escrevo um pouquinho de tudo, com enfoque principal em romance sobrenatural, suspense e terror. Sim, arrisquei escrever fantasia, literatura infantil e romances “água com açúcar”. Ainda pretendo escrever humor, apesar de achar o gênero muito difícil.

  1. Fale-nos um pouco sobre os livros “Legado de Sangue”, “Seablue” e “Senhores dos Sonhos”. Onde encontra inspiração para os nomes dos personagens?

R: Seablue foi o primeiro romance que escrevi depois de adulta, também é o púnico que não conta com nenhum elemento sobrenatural no enredo. Já Legado de Sangue tem como personagem principal um vampiro. Senhores dos Sonhos conta a lenda dos kitsunes, embora de uma forma repaginada, condizente com o que a história exigia.

Geralmente, quando concebo personagens, eles já nascem com nomes. Quando a ideia da personalidade me vem a cabeça, geralmente o nome vem junto. Há exceções, especialmente quando se trata de nomes estrangeiros. Nesse caso, pesquiso em sites de nomes de bebês.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R: Depende bastante. Senhores dos Sonhos, por exemplo, teve muita pesquisa online. Já Herdeiro da Névoa, além dessas, precisou de muitas pesquisas documentais por ser de época e por se passar em uma cidade que eu não conheço pessoalmente e, mesmo se conhecesse, jamais saberia como era nas décadas de 40/50 tempo em que o enredo é desenvolvido.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R: Eu amo a escrita do Carlos Ruiz Zafón e meu sonho é escrever algo minimamente parecido com sua obra. Infelizmente, isso não é possível. Mas ele e outros  autores que gosto são sempre fontes de inspiração.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R: Já tive livros rejeitados por muitas editoras. Eu chamaria de dificuldade publicar em uma das grandes, mas nas pequenas e médias, não. Tenho livros que já rodaram por várias editoras, já foram rejeitados, aceitos e depois tiveram contratos quebrados… Mas até agora, consegui publicar quase tudo o que escrevi. Tenho apenas um original pronto, não publicado.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R: A literatura nacional evoluiu bastante, mas ainda há muito a se conquistar e muitos paradigmas a serem quebrados. Como leitora, adoro os autores da “nova” literatura brasileira e cada vez tenho me surpreendido mais com a qualidade dos livros. Claro que ainda há algum joio junto ao trigo, mas isso o mercado literário se encarregará de separar.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R: Bons e maus profissionais existem em todas as esferas e na literatura não seria diferente. Espero que os bons continuem e que os não tão bons aprendam a fazer melhor. Os que não aprenderem, infelizmente não irão muito longe. É assim que funciona.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R: Infelizmente preços baixos só podem ser praticados pelas grandes editoras que tem tiragens de muitos exemplares. As pequenas não tem como concorrer, nem baixar os custos das pequenas tiragens. Claro que eu gostaria de preços menores, para os meus livros e para os que eu queria comprar e muitas vezes não posso. Mas compreendo que os altos custos não são culpa dos autores e nem das editoras.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R: Nossa, tem tantos… O Jogo do Anjo (do meu ídolo, Zafón) é claro que eu gostaria de ter escrito. Mas tem muitos, muitos outros.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? 

R: Bom, não tem como relacionar uma única música então tenho uma listinha de músicas que eu ouvia enquanto escrevia alguns dos meus livros. Aí vai:

  • O Voo da Fênix – Wish You Were Here (Bee Gees)
  • Seablue – I’m Lost Withou You (Robin Thicke)
  • Herdeiro da Névoa – To Be With You (Mr. Big)
  • Rubi de Sangue/Legado de Sangue – Pra Sempre (Verônica Sabino)
  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R: Uma coisa que eu nunca fiz: relacionar ficção com a minha vida. Mas já aconteceu de eu me identificar com algum personagem, no que diz respeito ao que este sentia em determinada situação, com certeza.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R: Sim, sempre há projetos em andamento. Estou escrevendo um livro sobre um anjo, coisa que eu sempre quis, mas demorei pra ter a ideia. E outro de terror, que também sempre quis.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R: Algumas coisas eu acompanho, porém nem sempre é possível. Eu gosto de ler as críticas tanto dos blogueiros como dos demais leitores e não apenas sobre os meus livros. Quando quero comprar algum livro que não conheço bem, costumo ler algumas resenhas antes de me decidir.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R: Essa é uma questão complicada… Não costumo me preocupar com as críticas negativas, mas se viesse de uma pessoa que eu amo, acho que me prejudicaria ou pelo menos, desestimularia. Mas o Paulo Coelho era uma das pessoas que eu gostaria que lesse algo meu, ainda que isso me deixasse morrendo de medo. rsrs

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R: A maior alegria é perceber que o leitor “captou” a essência da história como eu gostaria que todos captassem. Também curto quando as mulheres se apaixonam pelos meus moçoilos. rs

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R: Pra quem quer escrever: leiam muito e escrevam muito, ou jamais se tornarão escritores.

Para quem ama ler: deem uma chance aos autores nacionais, muitos deles irão te surpreender.

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