Raquel Canterelli

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  1. Fale-nos um pouco de você:

Não posso dizer que escrevo por este ou aquele motivo. Nunca sei o que a vida me reserva. Por ex.: não sabia que ia ser mãe e me descobri a mais amorosa e apaixonada de tres filhos, Gabriela, Rafael e Juliana (in memorian) e avó de dois netos lindos: Helena e Miguel. Não pressenti a morte de minha filha e meu esposo e sobrevivi a verdadeira morte em vida. Se tiver que escolher uma única palavra para me definir, seria “camaleoa”.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita? 

Sou Bióloga de formação e professora. Mas a inspiração para escrever vem desde menina, aos 8 anos já escrevia poesias e depois foi natural. Voltei a escrever quando fiquei viúva e minha obra é essencialmente baseada nas grandes dores e medos do homem. Minha inspiração são meus filhos e seus grandes dilemas humanos. Comuns a todos nós.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Posso trabalhar em qualquer lugar. Já escrevi no quarto, na sala de estar, sentada no chão. Escrevo no meu noteboock ou no caderno a mão. Gosto da sensação de ver a tinta escorrendo sobre a folha em branco. Não gosto de completo silêncio, ouço música ou deixo a TV ligada enquanto escrevo. E agora, faço isso todos os dias, por pelo menos seis horas em média. Quando o texto flui, chego a escrever durante umas doze horas. Com muito café, é claro.

4. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros? 

Escrevo essencialmente fantasia e terror, mas já me aventurei pelos romances sim, tenho 4 deles na gaveta (talvez um dia crie coragem e os publique).

5. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Atualmente estou trabalhando numa saga fantástica, cuja premissa é a lei da atração, o elemento éter foi a inspiração para o título: Etherys e a matéria amorfa é o deus do reino que criei (Morphys). Os nomes dos personagens defino pelo seu significado segundo a sua origem que pode ser latina ou grega.

6. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Nesta saga que estou trabalhando, sob a premissa da lei da atração, mergulhei no estudo da física quântica e das teorias de Young sobre a consciencia do homem e os principais medos que os impedem de expandir e realizar seus sonhos.

7. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sempre! Dentre os principais posso citar Mark Lawrence, J.K.Howling, J.R.R. Tolkien, George R.R. Martin e dentre os autores nacionais, André Vianco e Raphael Montes.

8. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Hoje em dia, com as plataformas digitais, esse não é o maior desafio enfrentado pelos autores, não é mais necessário que se tenha a chancela de uma editora para validar nosso trabalho de escritor. As redes sociais nos permitiram chegar direto ao leitor com a auto publicação, seja ela paga ou gratuita, para isso basta escolher dentre as tantas plataformas disponíveis. O mais importante é oferecer o melhor conteúdo que puder, para seus leitores e o resultado vai se construindo aos poucos. 

9. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Estou vendo este novo cenário com bons olhos, a oportunidade é para todos, basta aproveitar. Alguns nomes foram os pioneiros em diversos gêneros no Brasil e abriram caminho para que tantos outros se lançassem nessa carreira tão assustadoramente deliciosa. O produto é passado pela peneira do leitor e só os que conquistarem seus leitores, vão sobreviver.

10. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Sou a favor da oportunidade a todos, quanto a qualidade, não cabe a mim julgar, pois existem gêneros e públicos distintos a se contemplar, como já disse antes, caberá ao leitor fazer essa crítica e validar o trabalho que merece ir para as grandes vitrines.

11. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Caro? Comparado a quê? É um produto e como tal passa por várias etapas, mas entendo que os impostos é que são os grandes vilões desse mercado.

12. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry

13. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Last of the Mohicans de Trevor Alfred Charles Jones (música tema do filme O Último dos Moicanos)

14. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley.

15. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Muitos, estou escrevendo o terceiro livro da Saga Etherys que terá um total de sete, também estou escrevendo o Manual do Herói Aprendiz que será publicado este ano e lançado na Bienal do Rio de Janeiro, juntamente com o primeiro volume de Etherys, e além desses, estou escrevendo dois livros de terror, Folhas do mal e Os Demônios do Roncador.

16. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho sim, acho alguns bastante pertinentes, eles já têm mais ou menos seus públicos definidos e acabam sendo grandes parceiros na divulgação de nosso trabalho.

17. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

O mestre do Terror Nacional, André Vianco

18. Qual a maior alegria para um escritor?

Sem dúvida é receber um feedback positivo ou uma crítica construtiva de um leitor ou até mesmo de um crítico. É a prova de que nosso esforço e dedicação valeu à pena. Não tem preço.

19. Qual a melhor coisa em escrever?

É sem dúvida a liberdade de criar tudo o que vem à mente, na escrita posso criar um mundo onde é suportável viver, ou colocar nele tantas coisas ruins que a realidade seja ainda melhor.

20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não gosto de me dirigir diretamente às pessoas, não quero parecer didática demais, prefiro deixar minha mensagem no que escrevo, me parece mais sutil e eficaz. No entanto, como somos todos “buscadores” quero deixar uma pergunta: Você, é você mesmo que está lendo aqui e agora. Já realizou todos os seus sonhos? Tem medo do quê? Comece por responder essas duas perguntas e me conte o resultado depois.

Quanto a você caro colega autor que está começando, estamos no mesmo barco, meu esposo por exemplo, nunca se preocupa comigo e me deixa livre para escrever onde e quanto eu quero e ainda me ajuda com sua leitura crítica. Meus familiares, amigos e membros da minha casa, parece não prestarem muita atenção ao fato de eu ser uma escritora – porque eles fazem todo tipo de barulho e bagunça que desejam, sem se importar comigo. Se eu fico cansada disso? Bem, tenho lugares para onde posso ir. Um escritor que espera pelas condições ideais para escrever, morrerá sem pôr uma única palavra no papel.

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