Quando te vi, Amor – Patricia Dias

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Quando você começa a ler um romance, e encontra algumas situações semelhantes à outras já vivenciadas no mundo da leitura, é possível que se construa algum tipo de expectativa, positiva ou negativa, desta em obra em destaque. Essa expectativa pode levar o(a) leitor(a) a um sentimento de êxtase ou de decepção, mesmo sem se aprofundar no conteúdo da história. Neste caso o resultado foi muito positivo.

A sinopse e os primeiros trechos de “Quando te vi, Amor”, escrito pela portuguesa Patrícia Dias me fez imaginar que estava diante de uma historia inspirada no best sellers “Como eu era antes de você” da Jojo Moyes. Mas não é bem assim, na verdade.

São 560 páginas mas a grossura não assusta, principalmente quando se começa a leitura. A capa é muito, muito bonita. Retrata bem a personagem principal. A diagramação do livro como todo é muito bem feita. É o tipo de que dá gosto de ler não só pelo conteúdo mas pela qualidade da diagramação.

A protagonista chama-se Lexie. Uma nova iorquina super envolvida no mundo de Wall Street que abandona toda agitação da megalópole e vai morar numa aldeia perto de Trás os Montes, em Portugal. Vivendo da boa grana deixada pela avó, e dos seus trabalhos de tradução, ela mora na companhia de seu fiel cão Eros.

A vida de Lexie segue seu fluxo. Algumas transas com David, bons papos com a sua única amiga, Susi, “novidades” compartilhadas pela D. Olinda, proprietária da mercearia onde as amigas fazem compras. Até que essa rotina é alterada com chegada de seus novos vizinhos: Giovanni (Gio), pintor e restaurador e Miguel, que vão morar a 500 metros dela.

 A moça cria logo simpatia pelo Miguel, mas total antipatia pelo Gio. A recíproca parece ser a mesma. À principio ela pensa que se trata de um casal, mas acaba descobrindo que são amigos. E que Miguel cuida de Gio, pois este sofre de esclerose múltipla.

Tem um lance engraçado. Uma caixa pertencente ao vizinho é deixada por engano pelo correio da casa de Lexie. Influenciada por Susi, a garota resolve abrir o conteúdo e entre as coisas que ali estavam, encontram-se diversas fotos do Gio, a quem ela apelida de “deus italiano de olhos verdes”. Não sabiam elas que do outro lado o dono da encomenda observava tudo através de um binóculo.

Os sentimentos de Lexie pelo italiano mudam com o passar do tempo. E os dele também. Lentamente. A amizade nasce, cresce.  Situações contribuem para que se aproximem e cada contato ambos percebem que ficam mais ligados. Tanto ele quanto ela possuem um passado que desejam a todo custo esquecer. Mas os “fantasmas” do tempo anterior ainda insistem em atormentar vossas vidas.

 Uma das coisas que aproximam o(a) leitor(a) da historia: certa identificação com os protagonistas. Não pelas semelhanças dos fatos de suas vidas mas pela forma que ambos expressam e vivenciam suas dores e suas expectativas, como enxergam a positividade mesmo diante da adversidade. O livro é recheado com uma boa dose de romantismo, humor, drama.

 O livro flui de forma muito gostosa. A maneira como a Patricia Dias conduz as minuciosidades dos lugares, personagens e situações não é enfadonha; pelo contrário ajuda e muito a mergulhar na trama.

A história deixa lições. Cada pessoa em particular terá seu aprendizado. Para mim fica que a vida não é perfeita, nós não somos perfeitos. Cometemos muitos erros e também sofremos injustiças. Pagamos o preço por isso. Mas sempre existirá a chance de trilharmos outro caminho, de construirmos uma nova história para nós. Não se pode perder a esperança e desperdiçar as oportunidades.

Resenha de Renato Neres, resenhista do Arca Literária

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