Qual a falta que nos move? – Vanessa Santos

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Qual a falta que nos move?, de Vanessa dos Santos, é um livro com 42 contos divididos em seções que discorrem sobre o amor, cotidiano, saudade, entre outras temáticas. Seus personagens estão à margem da sociedade, experimentam a perda, o desgaste da rotina e o vazio pela vida não vivida. O resultado final demonstra uma perfeita união entre o trabalho de observação de uma escritora iniciante, e sua incessante busca por respostas, com um perfeito elenco de contos que, se não causam ao leitor uma identificação imediata, envolve-os no mundo que está a sua volta e os convida a fazer parte dele de uma vez por todas.

Vanessa dos Santos, carioca e recém formada em Letras, começou publicando seus contos em um blog, como uma forma de receber feedback de outros escritores e assim se auto avaliar. Esse foi o início, tão comum a outros escritores. Mas tantos elogios e uma aparente vontade de dialogar com o mundo e com outras pessoas a fizeram buscar editoras que pudessem publicar seu trabalho. Publicado então em Janeiro de 2016 pela editora Multifoco, a estreante nos brinda com textos densos, não complexos, mas recheado de conflitos reais. É um trabalho competente de quem acaba de compartilhar suas indagações com o mundo. A cada conto há um evidente convite à reflexão, ao envolvimento com o mundo que está a nossa volta e que pede socorro. Se não é a voz da própria escritora que ecoa em cada verso, definitivamente o leitor se reconhecerá ator principal de um ou muitos contos. E se não é um livro de auto ajuda, pelo menos o leitor ao olhar no espelho, que são as palavras, abrirá seu leque de possibilidades e procurará por resignificações, como uma saída para o caos e os vazios que o rodeiam.

São 124 páginas que não precisam ser lidas de forma ordenada. Embora divididos em seções, cada conto é único por si só e, embora únicos, todos compartilham as dores da vida moldada por falsas expectativas e os vazios que se acumulam com o tempo daqueles que ousaram viver. Rico em possibilitar a imaginação do leitor, os contos, deliciosamente atemporais, são um grande início para uma escritora ainda coadjuvante. Seu elenco de contos nos brinda com observações profundas do cotidiano, como quem senta numa praça e ver a vida passar, para depois revisitar cada momento, transpondo em palavras que façam sentido. Ou não.

Qual a falta nos move? não necessariamente traz uma resposta ou se propõe a tal. É só um convite, aparentemente sem pretensão alguma, para um profunda reflexão de quem lê. Um convite para abrir os olhos para a vida, que talvez seja a vida que o próprio leitor esteja vivendo.

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