Publicar ou não publicar. Eis a questão!

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Nem sempre damos o devido valor a nossa literatura nacional. É triste, mas é verdade.

Isso não acontece por acaso.

Inicialmente esta atitude vem atrelada a cultura do consumo do que vem de fora. Traduções e mais traduções que são inseridas no mercado, principalmente dos livros que movimentam cenários e épocas específicas, muitas vezes seguidos de versões cinematográficas.

Outro fator é a dificuldade que os pequenos e desconhecidos escritores nacionais encontram de conquistar um espaço dentro de grandes selos, que, normalmente, se voltam às obras internacionais citadas acima.

Então, para estes autores resta buscar pequenas editoras independentes, as sob demanda e as novíssimas editoras on line.

Dentro destas opções encontramos o quesito qualidade do material produzido em terras tupiniquins. Algumas editoras independentes, que cobram pelo trabalho de produzir e lançar no mercado o livro, não tem o compromisso com a qualidade e acabam publicando obras com qualidades de escrita bem baixas… Situação muito fácil de se resolver através da contratação de ghost writer e de revisores competentes. Claro que também se faz necessário uma boa avaliação editorial.  Aqui caímos no caminho dinheiro x qualidade. Muitas vezes o que importa é o dinheiro. E qualidade requer mais gastos… Muitas vezes o autor não pode arcar com excessos, já que, para se bancar uma publicação hoje é preciso o mínimo de recurso.

Quando o escritor tem a sorte de encontrar editoras responsáveis e com reais compromissos com a cultura, o resultado são boas obras, qualidade de impressão e escrita, atrelados ao talento de cada autor. Contudo, neste ponto, muitas editoras e autores esbarram com as dificuldades de se colocar livros físicos em livrarias. Burocracia, papéis e muita troca de e-mails permeiam este mundo. Algumas aceitam mais facilmente a obra se for feito um lançamento em seu espaço. Outras aceitam apenas se existirem pedidos. Mas todas têm seus cadastros abertos às editoras existentes no mercado.

Muitos escritores recorrem aos sites e vendas individuais. Buscam espaço em mídias on line de relacionamentos, como o facebook e o Skoob, fazem parcerias com blogs e lutam por seu lugar ao sol como podem.

Como escritora e crítica literária respeito demais a luta de cada um, assim como conheço cada detalhe na pele. Mas também como tal, lamento demais ver uma obra mal escrita. Não cito aqui erros de ortografia, eles sempre aparecem mesmo, como disse o querido Monteiro Lobato:

 A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas.

Minha tristeza é encontrar ideias mal concebidas, textos mal organizados e histórias rasas…

A crítica dói? Claro que dói… Mas nós, escritores, temos que nos manter atentos ao que se apresenta e precisamos buscar qualidade e referências para que nosso trabalho seja mais do que apenas mais um título lançado no espaço.

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