Profano – S. Miller

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Sabe aqueles livros que te fazem refletir? Que cutucam questões consideradas tabus e exploram temas difíceis? Pois é, esse é Profano.

 Já no início Profano nos faz conhecer as dúvidas de padre Alessandro, um homem totalmente dedicado a igreja, conhecido nacionalmente e exemplo para os fiéis, mas que nos últimos tempos iniciou uma luta interna em relação ao que ele realmente desejava para sua vida, dúvidas pelo que não viveu ao dedicar sua vida à igreja, dúvidas, curiosidades, incertezas, todos os sentimentos normais para os seres humanos mais que, em se tratando de um padre, torna-se algo muito complicado.

 A história já começa a todo vapor, trata-se de uma história rápida, é um livro pequeno, traz uma capa muito interessante, um homem sem camisa em uma posição de oração, páginas amarelas e letras em um tamanho muito bom para a leitura.

 Em meio a esse desejo de se autoconhecer, Alessandro inicia uma amizade com um rapaz muito interessante através da internet, amizade essa que pula do meio virtual para o mundo real. Pedro é um jovem muito inteligente, que vive de forma livre, sem amarras ou preconceito e essa amizade é essencial para Alessandro comece a se descobrir e a descobrir sensações até o momento desconhecidas para ele.

 Em uma viagem solitária em busca da sua real essência e em uma situação nada convencional, Alessandro conhece Eva, uma mulher vivida e sofrida que passa a ocupar a mente já perturbada do homem. Os dois tornam-se muito próximos, e essa aproximação traz um grau de intimidade jamais imaginado por aquele homem que por dez anos viveu apenas para a igreja.

 Achei esse livro muito interessante e a escrita da autora muito inteligente. A autora colocou delicadeza e humanidade na história. Mais do que um padre que estava confuso sobre os rumos da sua vida, ela nos apresentou um homem com dúvidas comuns a muitos homens, independente do papel que desempenham na sociedade.

 Outro fator inteligente foi o debate que o livro traz, não existe nenhum tipo de debate sobre religião, mas sim, sobre aceitação e autoconhecimento. Existe um debate sobre a necessidade das pessoas se conhecerem, conhecerem os seus temores, as suas fraquezas e só então saberão o que de fato desejam para suas vidas e o que lhes faltam para que sejam felizes.

 Somos apresentados a pessoas comuns, com defeitos e qualidades como qualquer pessoa. Conhecemos personagens com histórias de vida totalmente diferentes, enquanto temos aqueles que levaram a vida fazendo o possível para estarem próximos da santidade, tem aqueles que viveram a vida envolvidos a todas as formas possíveis de luxúria e pecado aos olhos dos mais convencionais.

 A história traz a questão do respeito ao próximo, do não julgamento e da aceitação tanto do próximo, como de si mesmo. Gostei muito da autora não polemizar a história e sim trazer uma discussão saudável, não sobre um padre que entrou em um dilema próprio sobre tudo que ele não viveu devido a entrega e ao juramento que fez diante da igreja, mas sim, sobre a importância de nos conhecermos, de nos amarmos como realmente somos e de sabermos exatamente o que desejamos e o que é importante para que possamos viver em paz.

 Confesso que a história teve um final que eu não esperava, o que foi muito inteligente por parte da autora, pois, além de trazer um final diferente, ela reforça o que foi colocado desde o início da história, de que a dúvida era um sentimento do homem em relação as sua vida e não do padre em relação ao seu amor, dedicação a igreja e principalmente em relação a sua ética dentro da vida que o mesmo decidiu seguir. É um livro intrigante e para ser lido de coração aberto e sem preconceitos.

 Até breve,

lia costa

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