Pequenos Frascos, Grandes Perfumes

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PEQUENOS FRASCOS, GRANDES PERFUMES.

Essa semana eu passei por uma situação muito singular e em uma conversa com um editor ele me disse que no Brasil quem tem valor é quem aparece. Pela teoria dele vale mais estar em dez eventos em uma semana do que ficar em casa escrevendo e lendo. (????? Você é um escritor ou um modelo fotográfico?) Pelas palavras dele: “não importa o que você escreve e sim o que você representa onde aparece”.

Em muitos momentos vemos críticas à literatura nacional e eu fico pensando se isso não se deve exatamente a frase do editor que coloquei acima.

Se o que importa é o que eu represento (um nome de uma editora ou corpo bonito ou um sorriso perfeito) e não o que eu escrevo ou estudo, é óbvio que a literatura brasileira não poderá desenvolver-se com qualidade. Sei que esse não deve ser o pensamento da maioria dos grandes nomes da nossa literatura (graças a Deus). Mas saber que existem muitos no meio editorial, midiático e leitores que pensam assim é triste. Saber que o escritor XX da editora Y vale mais que o escritor independente é muito trágico.

Então se o escritor é desconhecido o trabalho dele não tem valor? Ledo engano quem pensa assim. De fontes desconhecidas podemos tirar inúmeros benefícios. De onde menos se espera é possível se descobrir histórias emocionantes e misteriosas. Um escritor não é o nome da editora que ele carrega, ele dever ter sua própria marca, deve ter seu valor pelo que ele escreve.

Até mesmo porque algumas grandes editoras que ainda carregam em si a responsabilidade de filtrar talentos andam em busca de novos escritores em todos os lugares, não é preciso ficar levantando placas em busca de destaque. Uma divulgação bem feita e moderada de um trabalho, sendo ele de qualidade, já mostrará seu valor.

Temos que nos reservar de achar que o belo é sempre o nobre. Tantas postagens e frases feitas pela valorização do eu interno, do conhecimento, e no meio da literatura, que tem em si a função de esclarecer, o destaque ainda é a aparência e o sorrisinho aqui e a li? Isso torna tudo dúbio e desconexo e nesse caso a literatura não está sendo usada para abrir horizontes e sim para “estar na moda”. Mas moda passa e a ignorância fica.

Vamos olhar para os lados em busca de verdadeiros talentos, vamos ler mais de tudo um pouco, vamos valorizar quem tem um bom trabalho literário, um texto interessante, um livro divertido. Não importa se tem selo editorial, afinal no Brasil pagou publicou, portanto selo editorial não é mais sinal de qualidade literária. Vamos nos ater mais ao que passa despercebido pela maioria, assim será possível extrair o suprassumo da literatura e dela fazer seu uso mais adequado, aprendendo a dar valor ao que tem valor, respeitar todos de forma igual e jamais ceder diante de um sorriso que pode trazer enganos ou até mesmo uma falsa modéstia. Vamos ler para que a cultura modifique comportamentos fúteis e vazios. Vamos ler para crescer não para aparecer.

“Não existe nada maior do que as pequenas coisas”. Vanilla Sky. 

Rô Mierling

Escritora – ghost whiter – assessora editorial

romierling.recantodasletras.com.br

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