Palmira Heine

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou bióloga de formação acadêmica e de paixão pela natureza a ponto de a querer estudar para a entender melhor. Me dei por escritora por conta de um desafio, quando eu me desiludi, não com a Biologia, mas com a carreira acadêmica. Minha prima me desafiou a escrever uma história falando sobre a natureza para ela ilustrar. Daí, não parei mais de escrever e de ir me deixando descobrir cada vez mais o que me traz ludicidade.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Antes de começar a escrever me dediquei totalmente a vida acadêmica e a ser mãe. Me formei em Biologia e cheguei até um doutorado pela universidade de Coimbra, em Portugal.

Atualmente, estou investindo numa pós graduação em ludicidade e desenvolvimento criativo de pessoas, pela Translluddus e procurando investir e estimular meu lado que andava mais adormecido através de cursos de narração de história, e outras oportunidades dentro desta área que me faz mais lúdica.

Eu com outras contadoras de histórias, estamos começando o grupo Contadoras, onde iremos contar histórias e ministrar oficinas de contação de histórias e iniciando o grupo Caliib, Conversando juntamente com autores da literatura infantil e infantojuvenil da Bahia, que tem por finalidade reunir autores e formar uma cooperativa, procurando uma maior colaboração e suporte nesta difícil sobrevivência como autor na Bahia.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa em escrever, é sem dúvida, escrever. Para escrever é preciso estar aberta para receber, para ouvir, sem nenhum tipo de preconceito, manipulação. É se entregar e isso é muito bom, é lúdico; pelo menos para mim.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Não, necessariamente. Geralmente escrevo no escritório, onde me encontro neste exato momento. É um canto com uma bagunça viva e organizada, que não gosta de ser fotografada, não vale a pena (rs rs).

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não penso muito em gênero literário, gosto de escrever para crianças e pré adolescentes. Mas se um dia me vier algo para escrever para adultos estarei aberta.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Publicado eu tenho apenas um livro, O Moleque. pensei muito no título, mas no caso, tinha mesmo que ser este, simples e preciso. Mas tenho muitas histórias para publicar com títulos bem inusitados. Normalmente coloco o titulo após o terminar a história. Entretanto, algumas vezes, aparece pelo meio da história. Mas curiosamente, a primeira história que escrevi, me veio primeiro o título, Odeio Chuva. O que foi engraçado, pois é uma mentira, eu adoro chuva. Esta história deu origem a uma série, ainda a ser publicada com títulos como: o gorila, a floresta e o chocolate, os peixes às vezes caem do céu. Todas voltadas para temas da natureza.

Quanto nome das personagens, evito ao máximo. Só coloco nome quando creio que facilitará a compreensão da leitura. Acho que as personagens sem nome dão uma amplidão maior de identificação com os leitores.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

A melhor pesquisa é ler de tudo que se encontra. Embora eu tenha uma necessidade de escrever para crianças, leio de tudo, romances, ficção, biografias. Autoajuda, não me atrai muito, mas já dei umas folheadas, acho importante conhecer o que há de bom e o que há de ruim, o que aliás é muito relativo. O meu bom pode não o ser para outros e vice-versa. Quanto mais lemos, quanto mais pesquisamos mais abrimos nosso universo de busca para escrever e criar.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Nós nos inspiramos em tudo que vivemos, que vivenciamos.

Mas tenho grande admiração por Mia Couto, Mário Quintana, Rubem Alves, Rubem Fonseca, Daniel Galera, João Ubaldo, Garcia Marques, Saramago, Ziraldo, Monteiro Lobato. Sim, tenho muita identificação com autores masculinos, mas curto Clarice Lispector, Sue Grafton. Tenho agora prestado mais atenção nos autores infantis, tenho vistos muito bons livros, aqui na Bahia inclusive. Tem a Luciana Ávila, Danielle Andrade, Emília Nuñez, Palmira Heine, tem o carioca, Márcio Vassalo, e tantos outros ainda desconhecidos e cheios de talentos.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Pode começar dando risada?  (rs rs) Acho que este é “O” principal problema dos escritores nacionais, e a Bahia não fica de fora. O desespero é tanto que tenho até uma história escrita, onde as folhas reivindicam, sair da gaveta e virar livros (rs rs). Tenho uma série de livros, não digo engavetados, mas arquivados no computador, doidinhos para serem tocados, ou mesmo saírem de suas pastas e navegarem pelo espaço cibernético.

Já tive uma série dedicada a crianças e suas curiosidades com a natureza que chegou a ser rejeitada, mas eu acredito muito nela e ainda há de ser publicada.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Creio que com a internet poderíamos pensar que as coisas poderiam ser facilitadas pelo novo nicho do livro eletrônico, onde os custos de edição e distribuição são muito mais baixos, o que poderia levar a uma maior publicação dos mesmos. Mas ainda existe um grande número de leitores que rejeitam os livros eletrônicos, os chamados e-books. Os livros, em papel, ainda minha preferência (mas sem rejeitar os eletrônicos, inclusive tenho um leitor de livros eletrônicos) são muito caros para produzir. E os editores e distribuidores ficam com a maior parte dos lucros, tornando a vida dos escritores, praticamente insustentável (exceto os “best sellers”). Creio que este sistema deveria ser repensado, uma vez que os editores e os distribuidores precisam dos escritores para sobreviver, enquanto o recíproco não é tão verdadeiro, tanto que cada vez mais surgem autores independentes. Mas não creio que o sejam por opção, e sim, por questão de custo. Hoje está valendo a pena se arriscar com produção independente de livros e utilizando a internet como canal de venda, através de blogs, facebook, etc.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que quem mais vende não e necessariamente, os que sejam os melhores.  Mas a verdade é que existe muito mais autor bom que vende pouco, que autor ruim que vende muito. Embora o ruim e o bom sejam bastante relativos. Afinal, como que um autor considerado pela crítica e/ou muitos escritores como ruim, pode vender tanto? O público faz sua própria  escolha. Acho que também temos que pensar no que o público quer ler. No que o público está preparado para receber. Isto nos levaria ao sistema educacional atual, e não cabe aqui falarmos disso.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho que os livros são caros porque o processo atual de edição e distribuição é caro. Como a população em geral não compra livros, os preços tem que ser caros para compensar lucros para quem edita e quem vende. Se a população investisse mais dinheiro comprando livros, os preços poderiam ser mais baixos, pois se haveria a certeza de um mercado lucrativo.

Mas também tem o problema dos livros importados que chegam por aqui por preços absurdamente baratos, que torna a competição impraticável, como por exemplo, livros infantis que chegam, principalmente da China.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Com certeza absoluta que  tem, mas no momento não consigo me lembrar de nenhum.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Ah, música para mim é extremamente preciosa. Cada livro teria uma música diferente. Quiçá até várias músicas?

Creio que para o livro que já lancei, O Moleque, a música seria a de Milton Nascimento e Fernando Brant, Bola de meia, bola de gude.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Achoque o livro considerado de minha vida pode variar de acordo com o tempo em que vamos vivendo. Lembro de livros que li na minha infância que foram espetaculares e ainda os consideram muito bons, Como:  A Ilha Perdida da Maria José Dupré, Uma Rua como aquela Lucília Junqueira de Almeida Prado, Flicts do Ziraldo.

Tem um livro chamado Armas, Germes e Aço de Jared Diamond, que creio ter sido o livro que mais recomendei em minha vida e que presenteei pessoas. Não é um romance, trata de um livro muito bem escrito de como surgiram as civilizações, porque algumas sociedades desenvolveram mais que outras, o papel da agricultura, da escrita, das guerras e das doenças nas sociedades.

   16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, sempre! Como já citei antes estou envolvida em dois grupos,   Contadeiras e Caliib.

Com as Contadeiras, além de contar histórias queremos incentivar a leitura e escrita para o público mais jovem, aproximando este através de histórias e brincadeiras populares e também estimular professores, funcionários de museus e bibliotecas resgatarem  o prazer de contar e ouvir histórias.

Pelo Caliib, propomos nos organizar com autores da literatura infantil e infantojuvenil e movimentar este mercado através de cooperativa e buscando conversar com editores e distribuidores de livros onde todos possamos ter um papel mais justo e que nos sustente no mercado literário.

   17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Raramente acompanho blogs, mas acho que são uma ferramenta importante de divulgação de  o que quer que seja.

    18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Já escolhi, o escritor moçambicano, Mia Couto. Tive a feliz oportunidade de ver uma palestra dele recentemente no Tetro Castro Alves aqui em Salvador, e quando lhe pedi um autógrafo, tive a ousadia de dedicar o meu O Moleque para ele. Se ele lerá? Se irá gostar? Se irá me responder, não faço ideia. Está lançado para o universo responder. Fiz a minha parte (rs rs).

    19. Qual a maior alegria para um escritor?

 Ser lido, claro. Se gostarem e o elogio chegar até você, melhor ainda. Mas gosto muito de receber críticas construtivas que me ajudem a melhorar cada vez mais. Não tenho medo de palavras feias, elas nos ajudam a fortalecer futuras palavras mais belas.

    20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

 Eu iniciei a escrever depois dos 40 anos e estou aprendendo cada vez mais.

Meu conselho para escrever é ter olhos e ouvidos e principalmente o coração aberto, sem filtros, sem censura e se deixar ser escrito.

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