O silêncio necessário

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Às vezes, é necessário banir de nós mesmos os intermináveis barulhos cortantes que a vida, as outras pessoas e inclusive nós mesmos nos proporcionamos.

Não falo apenas de meditação, de fugir para as montanhas, para a praia, fugir da civilização, embora isso possa ser útil. Eu me refiro, principalmente, a um tempo de recolhimento, um silêncio necessário que às vezes precisamos dar ao mundo, entre os urros do caos. Tempo de se sentar na estrada, de refletir, de não fazer nada, mesmo que haja mil vontades irreconciliáveis na cabeça, mil impulsos inadiáveis, mil saudades. Tempo de se pertencer apenas a si mesmo, ao etéreo, ao que não pode ser dito. Tempo de, quiçá, renovar-se, engendrar novos rumos, novos “eus” que ainda continuem sendo “eu”.

Abster-se. Ponderar. Resolver. Ou apenas descansar, deixar tudo fluir para algum lugar. Esse tempo que nós às vezes precisamos dar a nós mesmos, à nossa sanidade mental, à nossa força que não cessa. Não quer dizer parar com tudo. Muito menos deixar de lado aqueles a quem mais amamos. Bem, talvez um pouco. Às vezes isso é também necessário. O tempo de simplesmente dar um tempo.

Uma indispensável distância de tudo o que nos cerca. Um silêncio nosso.

E então contemplar a si mesmo. Sem atitudes, expressões, decisões. Silenciar o lado de fora, ouvir o lado de dentro e compreendê-lo. Buscar a paz com si mesmo através do silêncio necessário.

Fechada para balanço, queira não perturbar, aprenda também a silenciar e a não desmerecer o silêncio, o recolhimento, a peregrinação interna de alguém.

E assim a gente pode escutar os recônditos sussurros das nossas próprias verdades. Elas falam no silêncio.

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