O silêncio das montanhas – Khaled Hosseini

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Após ler “O caçador de pipas” e “Cidade do Sol”, já comecei a ler este livro cheia de expectativas e com a certeza de que iria amar, assim como amei os outros dois de Khaled. Contudo, mesmo este sendo um ótimo livro, percebi que Khaled fugiu um pouco da sua maneira de escrever. Nos outros dois, ele adotava uma narrativa simples e com o enredo voltado para um número bem limitado de personagens.

No O silêncio das montanhas nos deparamos com uma leitura mais complexa. O enredo gira em torno da história de dois irmãos que, por circunstâncias e dificuldades da vida, foram separados ainda na primeira infância. Mas, em paralelo, o autor nos leva para uma viagem descrevendo sobre as vidas de alguns dos personagens que de alguma maneira cruzaram e/ou ajudaram estes irmãos a se reencontrarem.

 Como personagens principais temos Abdullah, um menino de dez anos que perdeu sua mãe aos sete e que muito cedo se vê forçado a agir como adulto e cuidar da sua irmãzinha, a pequena Pari de apenas três anos. Eles moram numa aldeia nas proximidades de Cabul.  Após a morte da sua primeira esposa (que morreu ao dar a luz a Pari), Saboor casa-se novamente. As dificuldades na aldeia são inúmeras. Passam por invernos brutalmente devastadores e poucas condições até para alimentar a família.

Não vendo alternativa, Saboor vende a sua filha (Pari) para um casal rico de Cabul. Assim, muito cedo as crianças descobrem o sabor amargo da separação, e o mais prejudicado é Abdullah que primeiro sofreu a perda da mãe e agora se vê afastado da sua tão amada irmãzinha.

Os anos se passam e a distância entre os irmãos só aumenta. Pari tem o benefício do esquecimento, pois, por ser muito pequena não lembra-se da sua vida antes da sua família atual. Por outro lado, Abdullah sofre cada minuto e anseia encontrar esta irmã perdida.

 É preciso atenção, pois este é um livro complexo. O leitor faz uma viagem que vai de 1949 a 2010. Com idas e vindas ao tempo, viajando entre os continentes passando por Cabul, Paris, Grécia e Estados Unidos, e conhecendo relatos minuciosos sobre as histórias de vários personagens que sempre ensinam sobre lições de vida.

 Como já é esperado ao ler um livro do Hosseini, me emocionei e aprendi muito sobre a importância da família e lições de compaixão e respeito ao próximo.

É uma narrativa fascinante!

Espero que assim como O caçador de pipas e A cidade do Sol, este livro também seja reproduzido num belo filme para que esta história seja disseminada não apenas entre leitores.

 Boa leitura!

Resenha de Daiane Menezes, resenhista do Arca Literária

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