O Safado do 105 – Mila Wander

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Sinopse: Podia ter sido com você. Mas foi comigo. E, dali em diante, descobri que morar sozinha podia significar tudo, menos tranquilidade. A minha mudança necessária não podia ser normal, afinal, eu não sou normal. Tenho uma família doida que me fez desenvolver distúrbios psicológicos irreparáveis.
Juro que só queria paz. Queria tédio. Queria um domingo de pura morgação diante do Faustão, comendo pizza requentada e esperando pela segunda-feira como quem espera pela morte.
Mas não. Nada seria igual e, ao mesmo tempo, seria tão louco quanto. Não podia esperar pelo diferente, não depois de ter conhecido o Sr. Calvin Klein, mais conhecido como o safado do 105.


Resenha:  

Quando li este livro eu me surpreendi com o tamanho dele, 510 páginas não é para qualquer um! A capa anuncia o que vem após ela. A diagramação do livro é simples e muito bem feita, páginas brancas, mas de uma tonalidade muito confortável para ler, correção ortográfica feita de forma primorosa.

 Já havia lido outro livro da Mila Wander tive um pouco de noção do que me aguardava; cenas quentes, muito quente mesmo!. Mas acima de tudo a autora nos apresentaria uma narrativa bem estruturada. Algo interessante deste livro é que além de seus dois personagens principais tinha outro “personagem” que sinceramente fez tudo acontecer: A CASA! Vou explicar o porquê nas próximas linhas!

 Raíssa é uma linda garota no auge de seus 28 anos, que havia alcançado há pouco tempo sua independência financeira e adquiriu sua tão sonhada casa. Em alguns episódios demonstrou ser mimada e resentida com sua família. Logo em seus primeiros momentos na casa descobre que seria vizinha de um rapaz muito bonito, atraente e safado (porque não falar sexy, gostoso,  dentre outros adjetivos que não me cabe determinar neste momento). Ao conhecer este “gato” Raíssa, tentando ser educada e não deixando que ele pense se tratar de uma garota fútil e chata, se apresenta. O vizinho decide brincar com a situação e não lhe fala seu nome o que faz com que ela, ao notar que o mesmo vestia uma cueca Calvin Klein desse este nome a ele, afinal de contas ela precisaria chama-lo de alguma forma. Vindo a descobrir no final do livro.

Meu queixo caiu. E caiu mais ainda, acho que a minha língua se apoiou no chão de madeira da minha varanda, quando o sujeito se virou de frente pra mim, depois que as garotas foram embora, mostrando uma protuberância protegida pela cueca. Foi só isso que consegui visualizar. Juro. Não consegui tirar os meus olhos daquele belo volume.”

Vou realizar uma pausa para falar da casa. A Casa inicialmente era do pai do Calvin e que após o seu falecimento passou por um processo de inventário, pois o mesmo tinha um outro filho do seu primeiro casamento. Como o filho mais velho queria vender a casa para dividir o dinheiro e o Calvin se sentia preso sentimentalmente a ela foi decidido que a mesma seria dividida ao meio para que uma metade pudesse ser vendida e a outra focasse para o CK. Dai surgiram as numerações 104 e 105. A casa de número 104 foi vendida para a Raissa e a de número 105 ficou com o Calvin.

CK é um safado charmoso, trabalhava como auxiliar de cozinha em um restaurante, muito festeiro e vivia recebendo visitas femininas em sua casa todas as noites o que ele não sabia era que todos os ruídos que ele e amigas de sexo faziam eram ouvidos do outro lado da parede. Eram orgias inimagináveis que ele realizava e por algum motivo ele não se apegava a ninguém sentimentalmente.

Calvin não se apega a ninguém, nem mesmo parece se incomodar por ser órfão e ter o seu irmão morando em outro lugar. Resultado: ele anda sorrindo para o nada, com um bom humor de causar inveja.”

Raissa ficou caidinha pelo vizinho gato e, mesmo sabendo de sua fama de pegador, resolveu se aproximar dele e desde o início desta aproximação ela deixou claro que tinha consciência do que estava fazendo e dos riscos que correria. Em um momento muito decisivo do livro a Raissa realiza um plano que poderá leva-la ao sofrimento ou a alegria de viver com seu safado e é neste momento que o livro esquenta pra valer, é neste momento a autora mostra o quanto é importante ter alguém ao nosso lado, o quanto é importante amar e ser amado.

Uma relação regada e cuidada por Clarice Lispector. Ao meu ver esta estratégia da autora levou a narração ao ápice da qualidade. Em todos os momentos bons ou ruins os personagens citavam trechos de Clarice e que tinham tudo com o que estava acontecendo entre eles.

“– Toda vez que gozar para mim, quero que seja na minha presença – sussurrou. Esticou os braços até alcançar os meus seios. Apertou-os com força e puxou as pontas, arrebitando-as. – É covardia fazer isso sem mim. – Levantou-se até ficar de joelhos na cama. Seus dedos alisaram a própria ereção, e então voltou a sorrir. – Meu pau te quer muito, mas a minha boca é incansável, Raíssa.”

A história do Calvin é muito triste e de muitas perdas por este motivo não se deixava levar ou apaixonar-se por ninguém, apenas queria curtir sua vida. Era um garotão precisando de um empurrão para crescer. O motivo de não ter contado seu nome para a Raíssa foi o que me fez refletir na situação do Calvin onde ele fala que não conhecemos totalmente as pessoas e que o nome era apenas mais um detalhe.

“– Eu preciso de você. Eu te amo. – Colocou os pontos finais nos lugares certos de cada frase. – Eu te amo, Raíssa…’Já era amor antes de ser’.”

Os únicos pontos baixos do livro foi o fato de toda a sua trama acontecer praticamente dentro da casa, tiveram pouquíssimos e muito curtos momentos fora delas. E os momentos, curtos, que tiveram dentro da casa de seus pais terem sido um pouco repetitivos. Mas nada disso tirou o brilho da história.

Um livro extenso, tenso e quente. Narrativa bem feita. Mais uma obra primorosa da querida Mila Wander. Recomendo sua leitura.

Resenha de Ceiça Carvalho

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