O Lápis Mágico – Palmira Heine

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Maria era uma menina de dez anos bastante criativa e curiosa.

Um dia, ao voltar da escola, encontrou no chão uma caixa com um lápis no seu interior. Como gostava de desenhar e escrever, assim que chegou a casa resolveu experimentar o lápis. Qual não foi a sua surpresa quando desenhou uma bola e ela surgiu ali na sua frente!Então, fez uma linda bolsa também e… A bolsa surgiu como um passe de mágica!

Maria começou a desenhar, animada.

 Tudo que sonhava ter, ela desenhava e a cada vez, os seus sonhos criavam vida diante de seus olhos.

Ela começou a desenhar sem parar e quanto mais desenhava, mais queria desenhar… Porque mais coisas queria ter.

Ela deixou de passear com amigos, ir à escola, ninguém mais sabia de Maria que continuava desenhando sem parar: castelos, jardins, vestidos.

Um dia, a solidão a fez sentir-se mal e ela desenhou um amigo. Será que seria essa a solução dos problemas?

Com uma linguagem adequada para a faixa etária da personagem, as crianças irão facilmente se identificar com o dilema de Mariana em O Lápis Mágico.

A questão filosófica entre o ter e o ser está presente neste livro,assim como a discussão de que não se pode obrigar a ninguém a ser e se comportar como nos sonhos-como Mariana desejava ,ao criar um amigo desenhando com O Lápis mágico.

Por isso a interessante observação de que o amigo desenhado por Mariana parecia artificial-exatamente por ser do jeito que ela imaginou. As pessoas são como são não como gostaríamos que fossem… E compreender isso é o primeiro passo para aprender a respeitar o Outro e sua individualidade.

O Lápis Mágico de Palmira Heine levanta vários questionamentos numa trama aparentemente simples em nove páginas ilustradas sendo que a última página tem um espaço para o pequeno leitor interagir com o livro, ilustrando e recontando a história ao seu modo.

Cada página traz ilustrações coloridas, representando um resumo visual de cada cena narrada.

As Ilustrações ocupam a maior parte das folhas, e as cenas descritas tem em média um dez linhas por página, facilitando a leitura das crianças assim como a compreensão do que é lido.

O texto possui um fraseamento poético incidental, percebido pela criança ao ler em voz alta. Torna-se agradável a leitura em voz alta pelo cadenciamento que a rima proporciona, auxiliando ao professor no trabalho em sala-de-aula.

A capa é muto vívida, representando Mariana e o lápis num fundo vermelho-cereja intenso, exceto na região iluminada pelo “brilho do lápis Mágico”, que a menina segura e mostra para o pequeno leitor.

Tive a oportunidade de oferecer este livro para uma criança na faixa etária proposta pelo livro e percebi como as crianças conseguem compreender a mensagem do texto.

Para mim, porém, ficou algo a mais.

Mariana encontrou o lápis esquecido dentro de uma caixa e recolocou, novamente, o lápis em sua caixa ao fim do livro, para ser encontrado por outra criança.

É importante que a criança perceba que ela pode usar “Lápis mágicos” para exercitar sua criatividade e que não precisa guardá-lo para sempre, mas que mesmo podendo usar a imaginação não deve viver neste mundo de fantasia.

Como conclilar a imaginação e a realidade é a tarefa de vários profissionais que usam a criatividade em seu dia-a-dia.

 Há de se cuidar do nosso lápis Mágico com carinho, respeito e consciência de que, por mais maravilhoso que o mundo da imaginação possa ser, é na realidade que descobrimos o prazer de viver e conviver com os amigos.

Ainda que seja apropriado para o público- alvo infantil, O lápis Mágico de Palmira Heine agrada e traz importantes reflexões para todas as idades.

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