O fogo – James Patterson

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Quando comecei ler este livro, fiquei com uma sensação que havia perdido algo. Lembra do final do livro anterior? Wisty e Whit foram salvos e na correria para fugir, acabaram se perdendo um do outro.

Imaginei que no terceiro livro teríamos um começo com ambos separados e agindo sem aquela parceria mantida desde o primeiro volume da série.

O Fogo começa com Wisty muito doente sendo carregada por seu irmão Whit.

Mas como eles se encontraram no meio daquela confusão toda do estádio onde foram salvos por uma forte luz?

Essa parte ficou por conta da imaginação de cada leitor, o que não me agrada, pois apesar de ser um livro com muitas ações rápidas, deve-se ter uma coerência. Desde o primeiro volume da série tenho observado essa lacuna. Ainda que James Patterson tenha escrito cada livro com uma parceria diferente, a sensação que dá é que lançou-se um tema e a escrita foi iniciada sem ao menos uma leitura obrigatória do livro anterior, tratando com total descaso o fim do volume antecedente.

Nesse terceiro livro da série, Patterson contou com a parceria de Jill Dembowski.

Embora o começo não tenha dado uma continuidade imediata do segundo livro, até aqui foi o melhor dos três, talvez devido ao amadurecimento da narrativa. O emocional dos personagens se destaca mais na história e os irmãos passam a ter uma dedicação maior em resolver os problemas reais não perdendo tempo com detalhes descartáveis, apesar de toda insegurança de Whit e das fraquezas de Wisty que me irritavam em determinados momentos.

Mas não devemos esquecer que estamos falando de adolescentes que foram separados dos pais sem ao menos saberem que eram bruxos.

Desde o surgimento da Nova Ordem, vários problemas apareceram como conflitos, doenças, falta de alimentos, coações e muita covardia.

Ninguém tem mais uma casa fixa para morar e a instabilidade reforça o medo da população que tenta a todo custo se manter escondida e viva.

Existe uma profecia que diz que dois irmãos bruxos surgiriam para resolver toda situação.

Todavia, Wisty e Whit já superaram seus limites tentando. Mas é difícil pensar com clareza enquanto se está fugindo e lutando pela sobrevivência. A situação piora com o surgimento da peste que faz de Wisty mais uma de suas vítimas.

Nessa história, sem dúvida Whit merece um destaque especial pelo censo de companheirismo. Apesar de sua irmã estar totalmente debilitada, ele não perde as esperanças e tenta a todo custo se manter por perto, pois sabe que juntos são mais fortes.

As ações dos personagens ficaram mais fluídas, o que me surpreendeu bastante. Principalmente porque os livros anteriores não foram tão atrativos.

Embora as perseguições estejam cada vez mais acirradas, a religiosidade é praticada dando um conforto as pessoas que mesmo com medo, não perdem a esperança.

O enredo continua voltado a aventura, magia, assassinato e intriga, mas percebemos com o progresso da leitura, um certo crescimento e amadurecimento dos irmãos.

Algumas respostas nos são dadas, porém alguns mistérios permanecem no ar.

Talvez no próximo volume da série as últimas peças se encaixem.

Resenha de Debora Paiva, resenhista do Arca Literária

 

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