O Demonologista – Andrew Pyper

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Eu odeio spoiler. Sempre fujo deles e sempre me policio para não dar nem um breve sinal de spoiler. Mas este livro mexeu tanto comigo que, comentando sobre ele com um amigo, só percebi o que tinha feito quando ele me olhou meio que incrédulo e comentou: “Puxa, você me contou o livro todo!”

O Demonologista é um livro que abraça o leitor. Melhor, o amarra. Tanto que se sentar para ler, prepare-se para ficar ali por horas sem querer fazer mais nada da vida. Não dá para deixar para depois, é preciso saber AGORA o que acontece em seguida.

David é um professor universitário especialista na obra prima Paraíso Perdido, de John Milton.

Sobre Paraíso Perdido:

Obra publicada em 1667, Paraíso Perdido tem por cerne o caminho entre a criação humana (na visão cristã) até a futura redenção do homem, mesmo após ter desobedecido a Deus no Éden, tudo com a intenção de destacar a luta entre o bem e o mal, a guerra eterna entre Deus e Lúcifer. A redação é em forma de versos não ritmados. É um dos maiores clássicos da literatura mundial.

Conhecendo então do que se trata o objeto de estudo de David, podemos concluir que ele é, de fato, um demonologista. Pois bem, e daí?

Daí que David é tentado. Para ele, o demônio é tão somente um personagem literário. Mas então é convidado a presenciar um fenômeno e nunca mais suas convicções serão as mesmas.

Lembrando um pouco as obras de Dan Brown, mas somente no que concerne à busca por algo através de pistas obscuras, Pyper apresenta nestas páginas um enredo de tirar o fôlego, que causa calafrios reais e medos irreais. David é tentado e questionado, o leitor é levado a, mesmo sem querer, analisar suas próprias convicções.

É como se o próprio Lúcifer viesse a ter com um ser humano, diretamente e claramente, a fim de provar-se. De escancarar, de aparecer, de se apresentar. De deixar transparecer sua própria limitação. Em O Demonologista enxergamos um novo demônio. Aquele que, por sua condição de anjo caído, tem falhas muito parecidas com as dos simples humanos os quais quer dominar e punir, por deter aquilo que ele mesmo deseja para si.

Pyper não tem dó nem pena dos personagens, tanto quanto dos seus leitores. Em dados momentos tive de fechar o livro uns segundos para digerir… “não creio que realmente aconteceu isso!”, era meu questionamento em vários pontos. Mas enfim, tratando-se de demônio como protagonista, o que mais o leitor pode esperar? Benevolência?  Não, meu caro. Não há.

Em suma, é um excelente livro para o leitor que quer mais do que diversão quando toma uma obra para devorar. Acompanhe David nesta caminhada e, lá no final, assim como eu, questione: então, no fim, o que significa tudo isso?!?

A Edição é um espetáculo à parte. A capa (capa dura!) é tão mais fascinante que o toque, que já é um deleite. Lembra um livro antigo, de capa de tecido. Fotos não a representam, você precisa tê-lo em mãos. as páginas e fonte fornecem uma leitura agradável. Encontrei pouquíssimos erros de revisão, mas que em nada interferiram na leitura.

Faça o sinal da cruz, ou outro gesto que te dê proteção e leia. Não irá se arrepender, ou irá?

Resenha de Nadja Moreno, resenhista parceira do Arca Literária

2 Comentários

  1. Já tinha ouvido falar a respeito desse livro ,mas não sabia do que se tratava a história dele.
    Me pareceu interessante,pra colocar na minha lista de próximos livros a serem comprados e lidos.

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