O Beijo – James Patterson

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O único foi derrotado e todos festejam a liberação das músicas, da arte e dos livros.

Mas a cidade precisa se reerguer e ser estruturada. Um Conselho é criado com a participação de todos, inclusive dos adolescentes.

O que se imaginaria ser um ótimo começo com a democracia abrindo os braços após tanta coação e censura.

Porém o poder é tentador e poucos são aqueles que consegue manuseá-lo sem se deixar levar.

O General Mathias Bloom, membro importante no movimento da resistência, é o presidente do novo conselho e sua autoridade ditatorial se evidencia quando ele decreta ser o único a poder ter acesso ao Livro das Verdades.

A narração, como os demais volumes, segue em primeira pessoa, mas além de Wisty e Whit, Pearl e Heath participam narrando alguns capítulos.

Nesse volume os autores conseguiram ter mais coesão que nos livros anteriores.

O romance de Whit e Janine que foi iniciado no livro anterior, passa a ter um papel relevante no enredo.

Wisty se apaixona, e como toda primeira paixão, fica cega para os detalhes que vão surgindo.

Seu intuitivo irmão tenta por várias vezes avisá-la sobre o perigo que a cerca. Aparecem as primeiras brigas típicas de irmãos, o que deu a história um atrativo especial. Aqui sim, Whit e Wisty são separados, mas não porque se perderam, e sim devido a empolgação e aos impulsos característicos da adolescência.

Paralelamente a esses problemas, novos sequestros ocorrem, mas dessa vez com crianças. A água da cidade é cortada pelo Rei da Montanha e Wisty se vê dividida entre o dever de ajudar a população e a paixão inebriante do primeiro amor.

O mistério sobre o único é revelado, inclusive nos fazendo conhecer um pouco sobre sua história familiar e seus motivos gananciosos.

A ligação de Heath, namorado de Wisty e inimigo de seu irmão e Byron, com a história é intrigante. Ora este personagem parece ser do bem, ora do mal, mas o desfecho que os autores deram a trama é surpreendente.

Sem dúvida este é o melhor dos quatro livros, apesar de algumas pontas que eu imaginei que fossem amarradas, terem ficado soltas como o fato de Wisty se tornar invisível no primeiro livro e depois somente nesse último volume, em uma das reuniões do Conselho, mas apenas para se divertir.

Se alguém tem a possibilidade de se tornar invisível, por que não lançar mão desse poder para escapar?

A repetição de algumas partes como, por exemplo, o reaparecimento de Célia e o surgimento de um novo vilão foram desnecessárias.

Tudo poderia ter sido colocado no terceiro livro.

A mensagem que o livro traz é interessante, principalmente a forma como os autores colocaram, dividindo por temas:

“Livro 1 – A primeira verdade: não se pode enganar a visão interior”.

Quando se conhece a si mesmo, lidando com os próprios defeitos e superando-os, fica-se mais forte para enfrentar a vida. Não se deve ignorar as intuições.

“Livro Dois – Segunda Verdade: A confiança é uma chama oscilante”.

Nem sempre estamos prontos para assumir o risco de se confiar em outra pessoa. Nesse caso, a família é o alicerce que nos mantém em equilíbrio.

E “O Livro Três – A terceira verdade: saiba discernir a luz da escuridão”.

Ser poderoso não significa que se tenha integridade. O poder tanto pode ser usado para construir, como para destruir.

Apesar dessas mensagens tão fortes, a série não está entre as melhores do gênero infanto-juvenil que li.

Infelizmente a falta de coesão entre os livros, a velocidade com que as ações acontecem de forma muito rápidas deixando algumas explicações por conta da imaginação do leitor são pontos negativos.

São livros para adolescentes, sem dúvida, mas isso não significa que algumas questões possam ser deixadas de lado sem ter um desfecho convincente. A imaginação do leitor segue o que está narrado. O autor guia a interpretação dos leitores em seus traçados escritos como descrições dos lugares, explicações sobre os personagens e pontos soltos que fazem um suspense, mas estes precisam ser devidamente amarrados no final da história. Lacunas tendem a deixar o leitor perdido e não incentivam a criatividade de imaginar as situações. Adoro ações rápidas, mas antes de mais nada há que se ter coerência e coesão.

Resenha de Debora Paiva, resenhista do Arca Literária

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