O Autor Nacional e o Mercado Tupiniquim

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O autor nacional e o mercado tupiniquim.

Você tem um sonho: escrever um livro. Tem até talento, escreve bem, começa com contos, aí vai enveredando por desafios maiores até escrever o seu primeiro livro de fato.

Bom, depois do livro pronto, começa um pequeno calvário. Cheio de vontade começa a procurar editoras que possam publicar seu livro. Começa a receber algumas portas na cara, seu nome não é conhecido no mercado nacional, mas de repente uma editora gosta do seu livro. Você vibra.

No entanto, recebe também junto com a boa notícia uma tabela de preços. Para publicar seu livro é preciso que pague uma certa quantia. Custos da publicação. Só que nem sempre vem incluso o preço de uma revisão, por exemplo. E para fazer uma tarde ou noite de autógrafos precisa também tirar do bolso para “comprar” seu próprio livro e revender. O custo de publicação não tem em seu pacote uma tiragem mínima, ao menos na maioria das vezes. Desta forma, precisa vender tudo o que “comprou” para ter, digamos assim, um retorno ao menos do que foi gasto para publicar seu livro.

E ainda tem as divulgações. Parcerias. Bienais. Ou seja, é uma verdadeira maratona para se lançar um livro no Brasil e conseguir vender.

Se não bastasse tudo isso, ainda tem a concorrência estrangeira. Muitas vezes o seu livro é até superior a um escritor de fora, no entanto, por ser mais conhecido e já ter ao menos um ou dois livros lançados em nossas terras, leva imensa vantagem.

Ter comentários de leitores criticando e dizendo que não gosta de autor nacional é apenas a cereja do bolo.

É preciso que haja um trabalho mais massivo das editoras (grandes, médias e pequenas) ressaltando a importância do autor tupiniquim. São muito poucos os autores que conseguem um relativo sucesso com vendas. Se a estratégia não for grande e bem criativa (vide garoto do Acre), não se consegue vender mais do que cem livros. E estou sendo otimista.

Como disse uma amiga minha autora, é um trabalho de garimpeiro. E cada pedacinho de ouro que se consegue é uma grande vitória, ou seja, cada divulgação que avança e cada livro vendido, com comentários e resenhas positivas é o verdadeiro prêmio para o nosso ditoso autor.

Claro que muitos autores não tem a qualidade suficiente para alcançar vendas altas, e isso em parte é culpa de algumas editoras. Veem apenas a questão do dinheiro que vai conseguir para publicar aquele livro e não se preocupa muito com a qualidade. É o famoso sonho sendo realizado. Como um show de talentos, acredito que os autores também devem ser podados, os que realmente têm talentos seguem, e os que não têm, deveriam ser alertados. Até para não terem gastos desnecessários.

Parece cruel? Pode parecer que sim, mas no mercado editorial, assim como em qualquer ramo de atividade comercial, deve se prevalecer a melhor qualidade.

E quando essa qualidade realmente for a busca das editoras, creio que os leitores não irão mais reclamar e poderemos bater de frente com os escritores estrangeiros.

Antonio Henrique Fernandes Neto

Colunista

 

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