Nosferatu – Joe Hill

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Joe Hill está se tornando um dos meus escritores favoritos, isso graças a seu talento. No início da leitura do livro Nosferatu, fiquei um pouco confusa, mais por minhas expectativas, do que pelo livro em si. Esperava outra coisa. Mas a que tinha nas mãos foi sem dúvida suficiente para me surpreender.

Fazia tempo, uns quatro meses que não me sentia enojada, revoltada e ansiosa lendo um livro. Durante a leitura de Nosferatu senti tudo isso, e até a última página eu esperei um desfecho tremendamente cruel.

A história é sobre Vic Mcquenn, uma garotinha com poderes muito especiais.  Ela consegue encontrar objetos perdidos. Mas para isso ela utiliza uma ponte. Não uma ponte tradicional, a Ponte do Atalho. Essa ponte a muito foi destruída e agora só existe por força do dom de Vic. Que pode transformar uma bicicleta Raleigh, num meio de atravessar a ponte. Ela não pode atravessá-la a pé. Eu quase a chamava de saltadora, ou viajante, mas fiquei sem saber, no fim acho que ela nasceu com esse poder para vencer um mal maior, ou seja Charles Manx.

Charles Manx é um sequestrador de crianças e pasmem, ele tem um Rolls Royce Wraith 1938, a placa do carro é sugestiva, NOS4A2 (Nos-four-ei-two). Reza a lenda, que todas as crianças que ele raptou estão na Terra do Natal.

Dizem que para todo vilão existe um super-herói, e Vic nasceu para enfrentar Manx, eles têm um dom em comum, atravessar o espaço com seus carros e pontes e ir para lugares que não existem em nossa realidade.

Claro, o diabo tem ajudantes e Charles Manx não poderia ser diferente, ele conta com a ajuda do repulsivo e medonho Bing Partridge, sempre que ele aparecia no livro me dava vontade de matar ele. O cara usa uma máscara de gás, tem a mente distorcida por ideias medonhas e cruéis. O sonho dele, apesar de ser um marmanjo, é ir para a Terra do Natal.

O encontro desses três se dá por casualidades perigosas e Vic descobre que existe muita coisa rolando além do mundo real, pena que ela não consegue lidar com isso e termina se tratando como louca. Faltou aquela coisa, “acredite em seu poder”, “foi real, aconteceu”. Seu encontro com Manx foi terrível e quase a matou.

Numas dessas viagens de Vic ela conhece uma jovem chamada Maggie, uma jovem que tem o pode de ver o futuro através de um jogo de caça palavras. Ela abre os olhos de Vic para seus poderes e para uma verdade cruel, nem todos usam tal poder para o bem, como Charles Manx, que usa o “Espectro”, o Rolls Royce, para raptar crianças.  Maggie avisa a Vic para ficar longe dele.

O livro todo é cheio de surpresas e sustos, todos bem engajados na trama assim como as referências feitas pelo autor, de suas obras e de outras.

Se você compra livro pela capa ou título, cuidado, você não vai encontrar aqui um vampiro tradicional. Manx é algo mais medonho e assustador que um vampiro sugador de sangue.

O livro concorreu ao prêmio Bram Stocker Awards, e ironicamente perdeu para um livro escrito pelo pai do autor, Stephen King, que concorreu com o livro, Doctor Sleep. Ao meu ver, ficou tudo em casa.

O livro é original, não tem clichês e surpreende na mesma medida que assusta e fere. É sem dúvida uma viagem sombria de redenção e vitorias amargas.

Minha nota? Cinco Beijos mordidos.

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