Neve na Primavera – Sarah Jio

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Duas nevascas separadas por aproximadamente 80 anos. Duas mulheres separadas pelo tempo, mas com uma coisa em comum: ambas tiveram uma perda irreparável em suas vidas.

Coincidentemente as duas nevascas aconteceram no mesmo período, final de estação, e nas duas situações a nevasca foi muito forte. O palco fora o mesmo, a cidade de Seattle, nos Estados Unidos. Tal fato fora conhecido como Blackberry winter, em uma tradução livre o inverno das amoras-pretas.

A autora intercala a história das duas mulheres, VERA RAY e CLAIRE ALDRIDGE.

A primeira viveu no período da primeira nevasca, em plena depressão que acometia o país inteiro. O ano era 1933. Vera morava em um apartamento nos altos de um bar frequentado por todo o tipo de gente, e ela tinha uma criança, Daniel, de apenas três anos de idade, filho do grande amor da vida dela, Charles Kensington.

A segunda, CLAIRE, vive nos tempos atuais, e é uma conceituada repórter que trabalha para o Seattle Herald, e é casada com Ethan Kensington, seu editor-chefe. Seu casamento está passando por momentos difíceis, desde um acidente que sofreu há um ano e as sequelas ainda estão muito enraizadas em seu coração.

VERA passa por muitas dificuldades para se manter e a seu filho, chegando a trabalhar dois turnos para conseguir pagar o aluguel do apartamento onde mora e conseguir comer, o que naquela época, era muito difícil, pois o período da depressão nos Estados Unidos, desde a queda da bolsa em 1929, fez muita gente perder dinheiro, ricos ficaram pobres e os pobres ficaram mais pobres ainda. E é nesse cenário que vivenciamos as lutas de Vera para cuidar de Daniel, que ainda assim é feliz. Até que um dia sua vida se transforma e tudo vira de cabeça para baixo, junto com a nevasca fora de estação.

CLAIRE, por outro lado, recebe a incumbência de escrever uma história para o jornal onde trabalha, e o tema nada mais é que a nevasca que tinha acontecido naquele dia e há 80 anos atrás. Enquanto tenta equilibrar o seu casamento em uma linha frágil, ela encontra alguma coisa realmente interessante para pesquisar. E é isso que vai unir, mesmo em épocas distintas ela e VERA.

E é justamente dessa pesquisa que CLAIRE está fazendo para seu artigo sobre as nevascas que surge algo que vai unir de vez essas mulheres.

A autora descreve muito bem e de forma delicada as atuações das duas personagens dentro de seu infortúnio, e os coadjuvantes são sensacionais, principalmente a amiga de CLAIRE, a ABBY e DOMINIC, dono de um café que está com seus dias contados.  Do lado da VERA, não há como deixar de falar sobre CAROLINE e GWEN, que muito a ajudaram. Não tem como não sentir a mesma dor que ambas sentiram.

Li em três dias esse livro, que veio em e-book, e gostei bastante. Apesar de todo o drama narrado ele não é um livro piegas, ou excessivamente dramático, na realidade ele tem até um suspense, que faz você ficar querendo o final logo. O tom está no tamanho certo e o final foi inesperado. Méritos para a escritora que amarrou todas as pontas de sua trama.

 Recomendo.

 

Antonio Henrique Fernandes Neto

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