Nem te conto – Mirna Micheli Nesi

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Logo ao iniciar a leitura você se depara com um conto – Conflito de informação – em que mostra uma escritora não conhecida, que trabalha numa editora para ter uma renda extra.

     De início é interessante, pois, tem um trecho que diz: “Tem que ser algo que prenda a atenção dos leitores. Que tenha uma mensagem para ser passada. O que escrever?”.

     É uma estrutura inicial boa, porque dá a entender que os contos seguintes farão jus a frase acima e é exatamente o que acontece ao terminar de ler todo o livro, em relação a passar uma mensagem. Alguns contos não prenderam muito minha atenção, do tipo “A batalha final”, do jeito que é escrita me lembrou Star Wars, que eu não gosto muito. É uma questão peculiar, pois, certamente outra pessoa possa gostar exatamente porque lembra Star Wars. Também “Procuram-se fantasmas” não entendi muito bem, fiz uma interpretação, mas no fundo acho que o que eu interpretei não é exatamente o que o conto quer passar.

     Nesse primeiro, fala sobre maus entendidos, informações mal compreendidas em que as pessoas geralmente tiram conclusões erradas sem antes procurar saber ao certo do que se trata. Coisas que acontecem quando estamos sob pressão, ansiosos, e com conflitos internos – no caso dela os “internos” interpretei o fato de estar acima do peso e estar em guerra com a balança. Por ser mulher isso conta, para mim, como conflito interno, por questão da vaidade.

     Esse primeiro é uma boa âncora para os seguintes.

    “O pianista” é meu conto favorito por sua riqueza contextual. Tem uma mensagem muito forte. Mostra que independente de quem somos, todos nós temos sonhos, porém, temos prejulgamentos das pessoas que nem conhecemos, assim é no nosso cotidiano. Todos os dias nós passamos por pessoas que nem conhecemos e nem sabemos o que desejam, o que sonham, até mesmo um marginal – embora esteja fazendo o mau – tem seus sonhos, e por falta de esperança e oportunidades procura outro modo de vida para seguir.

       Todos os contos têm sua riqueza e seu divertimento e várias mensagens a fundo.

      Como exemplo:

      Fala sobre a ganância e como isso sendo trabalhado desde cedo pode ter bom efeito sobre a personalidade de uma pessoa, e ao mesmo tempo fala de desapego, pois, nada que temos nesta terra levaremos para o buraco em que seremos enterrados, nem mesmo nossas almas. Além da humildade que as pessoas devem ter.

    Sobre a intolerância que nos deixamos ter, levados por nossas emoções ruins e que acabamos por tirar conclusões erradas, agindo pelo mau sentimento ao invés de com a razão.

     E ao mesmo tempo de saber respeitar o gosto do próximo, procurar compreender.

      Outro conto que me chamou atenção foi “Procuram-se fantasmas”, para ser especifico foi um trecho: “São vivos com visão de futuro. Que já sabe que serão almas penadas ou futuros suicidas”.

     As pessoas, mesmo que planejando suas vidas e traçando seus futuros, ele será o mesmo de uma forma ou de outra. Tudo terminará do mesmo jeito: mortos.

      No começo achei que os contos seguintes seriam mesclados com o primeiro, que fossem obras da escritora do conto 1 e ela fosse interagindo como autora durante a história, daí me dei conta de que é uma antologia.

     É bem estruturado, cada conto tem sua mensagem central muito boa, embora seja uma escrita simples, achei muito cult.

     Não sei se é uma obra já publicada, pois não tem um Fim específico, senti falta de algo para finalizar, seria interesse que finalizasse com a personagem do conto um, como autora dos outros, interagindo com o leitor ou numa reunião da editora tendo de mostrá-los e explicar os motivos de ter escrito cada um dele. Bem, foi só uma ideia que passou na minha cabeça.

     Mas acredito que seja bom inovar, mudar o contexto de uma antologia seria inovador.

     A diagramação está boa, tudo bem formatado e alinhado, porém é bom aumentar as margens, porque numa versão impressa o livro será praticamente pocket ou se numa versão 14×21 as letras ficarão grandes demais. Existem umas duas palavras erradas, mas qual livro não tem pequenos escorregos?! Então é algo que passa despercebido.

     O espaçamento do parágrafo deve estar 1,25 cm, na minha opinião, com 0,50 cm já estaria bom.

     Só não entendi porque o nome do livro é “Nem te conto”

     Fiquei pensando: será que é tipo quando alguém diz “Fulano, nem te conto” e o Fulano diz “Conta! Conta!”.

     Seria nesse sentido?

      Em resumo:

     Tem diversão, é bem escrito, o contextual não se perde em momento algum. É direto e objetivo.

    É um texto legal de ler em qualquer ocasião.

     Fala da falta tolerância.

     Mostra o que pode haver de melhor de dentro de nós, o que pode ser exposto de bom.

     Inseguranças medos, incertezas. Sonhos.

     Mostra que as pessoas embora mostrem o que há de pior dentro de si: pensamentos, ideias e atitudes. Há sempre a chance – alguém, algum motivo, acontecimento – que consegue reverter à situação deixando a oportunidade de mostrar o que há de bom também.

     Cada conto tem uma base inicial de um problema no qual envolve a decisão do personagem a qual vai levá-lo a fazer algo não coerente e que no fim aprende que a tolerância, a calma, a reflexão, o desapego, são soluções para problemas que no fundo são coisas simples que na cabeça deles são grandes infortuno.

     Assim como outros mostram que sempre existirá a ruindade, a falsidade e a mentira habitada em cada pessoa em níveis diferentes.

Resenha de Fernando Melo, Escritor e resenhista do Arca Literária

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