Nancy de Lustoza Barros e Hirsch

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Carioca, jornalista, arquiteta, escrevinhadora. Leonina, criadora de cavalos, leitora voraz.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Além de contribuir com artigos para revistas diversas, trabalho com comércio exterior. Os cavalos me inspiram e a leitura frequente me entusiasma a querer também contar uma historinha.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder inventar o mundo, criar formas, cores, cheiros, dar voz a personagens diversos.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

Escrevo na maior parte das vezes em casa, rodeada de livros, com o rádio ligado em música.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Escrevo ficção, romances, quando mais nova arriscava alguns poemas, mas nunca tentei outras fórmulas.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Tenho quatro romances e um conto publicados. “Passo Trote Galope” é a história de uma família às voltas com seus cavalos. “Quer Apostar?” relata como a personagem se apaixona por cavalos e um certo criador. “Sob o Signo de Centauro” fala de duas vidas que nunca se encontraram até que um acaso os coloca como oponentes. “Carrossel” é sobre dois irmãos e suas aventuras. O conto “Goiaba em Calda” foi publicado no livro “Dois em Um”, juntamente com outro conto, de autoria minha irmã Marcia Lustosa, “Travessia”. Espalho bloquinhos e cadernos de anotações por todos os cantos e, se ouço um nome que me agrada, escrevo. Da mesma forma, quando me ocorre uma ideia. Estou finalizando o quinto romance (título provisório: “Vale das Luas”) e queria um nome forte para a heroína. Escolhi Pilar, mas daí veio uma personagem de novela chamada assim, então, mudei para Diana, a deusa caçadora da mitologia da Roma da Antiguidade. Títulos já são mais difíceis, devem ser testados, repensados. “Quer Apostar?” foi “Prova do Ovo”, que é uma competição na qual o cavaleiro tem que carregar um ovo numa colher e ao mesmo tempo dirigir seu cavalo de acordo com pedidos de um juiz. Com isso, eu queria passar a ideia dos desafios e do equilíbrio necessários para o dia a dia. “Sob o Signo de Centauro” foi “De Cabo a Rabo”. Nesse último, a intenção era demonstrar a totalidade de uma vida, do começo ao fim, brincando com a apresentação de um cavalo, que é mostrado com um cabresto e seu cabo e analisado até a ponta do rabo. Em ambos os casos, as editoras desaconselharam esses títulos e acabamos por mudá-los.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

A internet tem sido de muita ajuda, encontra-se de tudo como referência, mas é preciso cuidado e reconfirmar a informação para não cometer gafes. Em “Passo Trote Galope”, no início do livro, ainda não havia a internet ou WhatsApp – tive que me lembrar disto ao escrever. Em “Quer Apostar?” precisei descobrir um local no mar onde um navio poderia se esconder por um período. Uma grande fazenda se transforma em cidade em “Sob o Signo de Centauro” na serra petropolitana (RJ) por força de um português determinado durante o império, procurei a ambientação da época. No “Carrossel” tive que descobrir um cassino próximo à cidade de Nova Iorque (EUA). Pesquisar é essencial para dar veracidade, consistência e substância a uma história!

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

De início, quatro autores me vêm à mente: o brasileiro Monteiro Lobato e a sua fórmula de ensinar o mundo com linguagem infantil. A inglesa Agatha Christie e sua teia de suspense. O inglês Dick Francis e seus relatos diretos, objetivos, juntamente com os cavalos. Por fim, outro brasileiro, Fernando Sabino, também pelos relatos diretos e objetivos e, principalmente, pelo seu humor fino, de fazer rolar de rir.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

A trilha para publicação de um livro é uma tarefa hercúlea, que exige muita dedicação do escritor. Achar uma editora que publique o perfil de seu livro, saber de sua disponibilidade para publicação, convencê-la de que sua história tem valor literário… Tenho três livros com editoras e o último, “Carrossel”, que publiquei através da Amazon. Dependendo desta última experiência, tomarei uma decisão sobre qual o melhor meio para o quinto romance.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Gosto da variedade e da forma como os jovens estão envolvidos, seja como leitores ou escritores.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Esta ebulição é muito importante, as oportunidades para o novo estão mais à mão. É uma pena, no entanto, que não há como separar o joio do trigo.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Triste. Literatura deve ser accessível a todos.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não sei escolher. Quando leio, me entrego totalmente à história e realmente me deixo surpreender, o que acontece quase sempre. Um exemplo de enredo que me arrebatou foi toda a série do Harry Potter – fantástico, quanta criatividade, quanta novidade, quão inusitado!

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Ouço música o dia inteiro, então é inevitável criar trilhas sonoras para meus livros. As principais canções são:

“Passo Trote Galope” – a música do cantor americano country Mark Willis: I Do.

“Quer Apostar?” – Encara ou Para dos sertanejos Rogério e Fabiano.

“Sob o Signo de Centauro” – Adesso Tu do italiano Eros Ramazzoti.

“Carrossel” – You Lie da americana The Band Perry.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Outro dia, debateu-se num grupo literário este tema. E respondi que, se eu escolhesse, haveria uma revolta entre os livros de minha estante! Juro, não consigo escolher!

  1. .Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Finalizo o quinto romance, “Vale das Luas” e já tenho algumas ideias para o próximo, para o qual estou na fase de anotações.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

As críticas são boas para que o leitor tenha um sentimento do livro, para que ele possa perceber a temperatura da história. Gosto da resenha que começa desapaixonada, ou seja, que traz um relato do conteúdo e que depois parte para a avaliação do blogueiro, seus sentimentos despertados pela leitura, assim, posso decidir se o livro é para mim ou não, sem um impacto inicial positivo ou negativo. Erros crassos e frequentes de Português me fazem sair correndo do blog – não quero desaprender o que sei!

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Lygia Fagundes Telles e Thalita Rebouças.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

É o retorno dado pelos seus leitores – pelo menos assim é para mim!

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Leitores: conversem com seus autores! Autores: Escrevam sobre o que gostam e sabem – paixão e emoção são essenciais. Aprendam a técnica (há ótimos livros sobre o assunto), apliquem-na para delinear a história e depois entreguem-se ao prazer de

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