Nada é por acaso – Karla Rigoni Pagotto

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No inicio do enredo fiquei bastante intrigada com a temática do livro, porque existe uma relutância entre a narradora personagem Kris e a co- protagonista Isabella em revelar algo para o leitor. O que os personagens sabem que nós, leitores, desconhecemos?

Quando li o inicio do texto entendi a introdução de determinada forma. Porém,ao reler a abertura para escrever a resenha,percebi que as palavras de Kris assumiram outro aspecto, quase como uma confissão: ela não tinha todas as respostas a não ser que Nada era por acaso…

Existe uma tensão entre as personagens principais, isso é certo; o leitor procura identificar sua origem: seria resultado de uma amizade que sofreu um grande abalo ou algo em que elas vivenciaram e que não fica claro num primeiro momento?Com o desenrolar da narrativa o suspense se desfaz e descobrimos que a resposta certa é… As duas alternativas!

Apesar de que aquilo que as uniu ter sido uma tragédia compartilhada- um sequestro logo no início do livro é relatado com todo o terror psicológico que envolve tal narrativa- a tensão maior,eu diria,estava no fato de duas amigas precisarem resolver um conflito antigo que havia surgido entre elas justamente durante esse grande momento de tensão.

O sequestro tinha como objetivo raptar uma delas apenas, sendo que a outra foi envolvida por acidente-o que se mostrou crucial para que ambas saíssem com vida; ”a outra” estava no lugar errado na hora errada. O fato é que se não tivesse acontecido assim, talvez elas sequer tivessem sobrevivido.

Após um ano do ocorrido, Kris decide atender uma escritora e também psicóloga que desenvolve uma tese inovadora na condução do tratamento de vítimas de sequestros e que propõe que as duas relatem o que vivenciaram.

Apesar de ter certa relutância, Isabella resolve cooperar e é então que, ao narrar sobre o período de cativeiro- alternando com Kris os pontos de vistas ora compartilhados, ora exclusivos, já que em certo momento elas ficaram separadas, o que serviu para aumentar consideravelmente o clima de tensão- o leitor depara-se com o primeiro terço da história: o sequestro propriamente dito.

O que considero a segunda parte seria o tempo em que saíram do cativeiro e tiveram que lidar com o trauma.

E por fim, a descoberta que nem tudo está tão resolvido como imaginaram a principio…

Essas “partes da narrativa” não são definidas pela autora como descrevo aqui; Foi apenas meu olhar de leitora que interpretou o texto assim e não posso precisar onde começa cada parte; nem esse é o objetivo aqui.

 Foi somente um sentimento que surgiu ao longo da leitura de 400 páginas do Romance /Thriller psicológico Nada é por acaso, conduzido pela autora de forma primorosa.

Outro tópico interessante foi como a autora envolveu a religiosidade dentro da narrativa, num contexto filosófico/espiritualista, contextualizando inclusive a visão kardecista sobre a violência e a noção de que nada acontece por acaso.

Ainda assim, não posso revelar o final, lógico; porém não tenho como não mencioná-lo apenas para dizer que a reviravolta surpreendeu.

Como eu mesma possuo essa visão espiritualista abordada no livro, fiquei por muito tempo depois de terminada à leitura imaginando as conduções de cada personagem e seu papel na vida como um todo. E que afinal, não nos é permitido julgar porque desconhecemos até que ponto nossas ações estão ligadas a um objetivo maior que o pequenino tempo terreno de cada um.

Creio que essa foi uma das resenhas em que a mensagem no texto mexeu com minhas convicções entre o certo e o errado. E trouxe a certeza de que, por fim, a vida está além da nossa compreensão.

Um livro memorável!Recomendo!

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Resenha de Michelle Paranhos, resenhista do Arca Literária e do blog Café Literatura

 

Um comentário

  1. Adorei a resenha. É muito bom ter uma crítica positiva e tão bem feita sobre nosso trabalho. Agradeço a todos do Arca e parabenizo a resenhista pelo trabalho.
    Obrigada

    karla Rigoni Pagotto

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