Mulato Velho – Michelle Louise Paranhos

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Lendas. Folclore.  Costumes. Tradições. Um país do tamanho do Brasil tinha que ter tudo isso em dose cavalar. De todas as regiões nós temos lendas e tradições. Algumas delas envolvendo o país inteiro, como o lobisomem. Quem nunca ouviu falar do Saci? As lendas amazônicas são apaixonantes. Os nossos índios têm seus costumes e tradições, e é claro, suas lendas, como a índia mani, que era branca como a lua e no dia que morreu, foi enterrada em sua oca, de onde saiu uma planta, em noite de luar, que hoje conhecemos como mandioca (mani+oca = mandioca).

Mulato Velho é uma dessas. Uma tradição antiga, do tempo do império, mais precisamente criado em um quilombo.

Roberto recebeu o nome de seu avô e com ele o conhecimento de uma lenda, onde ele teria conhecido um velho mulato, de nome Bobo que um dia fez amizade com um garoto chamado Nico. E o mulato teria transferido todo o seu conhecimento para o menino, inclusive como fazer uma antiga receita que ele tinha aprendido com sua mãe, ainda no quilombo.

Bobo nasceu livre, mas tinha medo de ser escravizado e por isso, depois que a escravidão acabou e sua mãe faleceu ele resolveu viver sozinho em uma ilha próxima a cidade de Amarilis, no Estado do Rio de Janeiro, bem perto da Baia da Guanabara. E era nessa ilha que ele pescava o maior bagre da região, fato que deixava os outros pescadores boquiabertos.

Os outros pescadores só pescavam peixes pequenos, mas não ele. E é esse segredo, de como ele prepara o bagre para o prato que aprendera com sua mãe que a história nos prepara. Um prato que leva o nome pelo qual era conhecido. O bagre do velho mulato, posteriormente Mulato Velho.

A narração é deliciosa, do mesmo jeito que a lenda que sustenta essa história. Eu particularmente adoro lendas e tradições. Moro na região amazônica, que também tem suas lendas, uma mais bela e interessante que a outra.

O Livro é curto, mas muito bom de se ler. E ainda tem gravuras de importantes passagens do livro.

E se alguém perguntar, eu respondo: sim a receita está no livro. Ficou curioso? Venha ler.

Antonio Henrique Fernandes

Resenhista do Arca Literária em parceria.

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