MONTEIRO LOBATO –O GENIAL, POLÊMICO E MAIS BRILHANTE ESCRITOR DA LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA

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José Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté em 18 de abril de 1882, filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato e neto do Visconde de Tremembé. Monteiro Lobato foi alfabetizado pela mãe e foi na vasta biblioteca do avô que ele descobriu o grande prazer da leitura, ainda na infância leu todos os livros infantis do grande acervo do Visconde.

Quando Lobato estava com 16 anos seu pai faleceu. Pouco tempo depois o rapaz teve sua primeira atitude polêmica, ao herdar uma bengala que tinha sido do pai, onde estavam gravadas as iniciais J.B.M.L, resolveu mudar de nome, para assim ter as mesmas iniciais, passando a se chamar José Bento Monteiro Lobato.

Formou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, apesar de sua vocação para as letras e as artes, além de escrever fazia pinturas, desenhos e caricaturas. Durante a formatura fez um inflamado discurso que chocou seus professores, padres e bispos que estavam presentes e que se retiraram da cerimônia.

O escritor Monteiro Lobato era extremamente nacionalista, um grande ativista político que combatia duramente o atraso econômico e cultural em que o Brasil estava mergulhado. No livro “Urupês” de 1918, ele criou o personagem “Jeca Tatu”, o homem iletrado, que vive na roça, cercado de animais, vivendo descalço e na pobreza, sem direito a nenhuma educação, vítima do descaso do governo, tanto o livro quanto o personagem são uma dura crítica ao atraso do país. Escreveu mais tarde dois livros “Ferro” em 1931 e “O Escândalo do Petróleo” em 1936 onde combatia a política do governo de Getúlio Vargas, contrária a exploração de petróleo em solo brasileiro, é do escritor a célebre frase “O petróleo é nosso”, que se tornou slogan de uma intensa campanha liderada por Lobato para nacionalização de todo o petróleo que fosse encontrado em terras brasileiras. Perseguido pelo governo, por suas ideias que contrariavam os interesses dos governantes e das multinacionais, que chegavam ao país, Monteiro Lobato foi preso em 1941 ficando 6 meses na prisão, mesmo após ser solto continuou sendo alvo de perseguição da ditadura de Vargas.

Além desse lado ativista de Monteiro Lobato e de sua postura muitas vezes polêmica ao longo da vida, como quando criticou a exposição expressionista da pintora Anita Malfatti, chamando o trabalho dela de “resultado de uma deformação mental”, havia no escritor Monteiro Lobato um enorme talento inovador para criar histórias infantis. Seu talento e seu pioneirismo abriram novos caminhos dentro da literatura infantil. A partir de seu livro “Reinações de Narizinho”, o escritor traz não apenas “novas histórias infantis”, mas ele cria todo um universo repleto de fantasia e de diversão, recheado por figuras folclóricas e da cultura popular brasileira, onde além de entreter o pequeno leitor, fazê-lo viajar pelo mundo do faz de conta na companhia da menina Narizinho, do garoto Pedrinho, da incrível boneca Emília que fala e age como gente, do sabugo de milho, um nobre e culto Visconde, e de todas as outras personagens do Sítio do Picapau Amarelo, o escritor simplesmente revoluciona a literatura infantil no Brasil, não sendo exagero dizer que a infância depois de seus livros nunca mais foi a mesma. Sua criatividade e talento são indiscutíveis e colocam a criança no centro das atenções pela primeira vez, além de que, sua obra consegue também ensinar brincando, quando ele “conta” ou reescreve para as crianças clássicos como “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes em “Dom Quixote das crianças”, “As Aventuras de Hans Staden”, “Os Doze Trabalhos de Hércules”, ”O Minotauro”, “História das Invenções”, “Histórias do Mundo para crianças”, ensina português em “Emília no País da Gramática”, ou matemática em “Aritmética da Emília”. Além de grande escritor, Monteiro Lobato foi também dono de Editora e um dos pioneiros do mercado editorial no Brasil.

O escritor faleceu em 4 de julho de 1948.

Em sua homenagem “O Dia Nacional do Livro Infantil” é comemorado no dia 18 de abril, data de nascimento do escritor.

Uma última grande polêmica a respeito de Monteiro Lobato surgiu muito tempo após sua morte. Há grupos de estudiosos que o consideram um escritor racista pelos termos que usa ao se referir a uma de suas personagens “Tia Anastácia”, a mulher negra e cozinheira do Sítio do Picapau Amarelo. Enquanto outros grupos saem em defesa do escritor, justificando que seus livros retratam uma época, a linguagem e o modo de pensar dessa época. Citam exemplos com vários trechos de seus livros onde a sabedoria popular é enaltecida através da figura de Tia Anastácia como contadora de histórias, justificando também que o escritor dedicou um livro todo ao personagem em “Histórias de Tia Anastácia” o que comprovaria a importância dada pelo escritor a ela. Apesar dessa polêmica que envolveu Monteiro Lobato, não cabe aqui julgá-lo, mesmo porque isso só poderia ser feito por especialistas no assunto, que de fato não sou.

O que é importante ressaltar é que apesar de toda e qualquer polêmica que já envolveu a pessoa de Lobato, nada tira dele o mérito de grande e talentoso escritor infantil, o gênio e pioneiro que transformou a infância de muitas gerações, dando às crianças a possibilidade de sonhar, fantasiar, aprender e viajar por um mundo encantado através de seus livros. Monteiro Lobato abriu para muitas gerações a porta do amor à leitura, muitas das crianças que leram seus livros, se tornaram mais tarde adultos leitores, amantes dos bons livros.

 

Artigo escrito por Ivana Lopes – escritora, tradutora e colunista, estão todos convidados a conhecer minha página de trabalho no facebook: Tradutora Ivana

https://www.facebook.com/tradutorafreelancer01/?fref=ts

e meu site Mestres da Literatura: http://ivanascl168.wixsite.com/meusite

 

Fontes de pesquisa:

Home

www.infoescola.com/literatura/o negro nas obras de monteiro lobato

www.ebiografia.com

https://pensador.uol.com.br

 

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Meu nome é Ivana Lopes sou tradutora formada em Letras pela PUC. Além de traduzir gosto muito de ler e de escrever e sou apaixonada por literatura. A tradução acabou me dando ferramentas que me levaram a escrever meus próprios textos. Estou muito feliz em ter uma coluna na Arca Literária, vou publicar aqui artigos que falam dos grandes mestres da literatura brasileira e mundial. Tenho diversos artigos publicados em outros blogs e no meu próprio site (Mestres da Literatura) http://ivanascl168.wixsite.com/meusite. Escrevo sobre literatura porque desejo incentivar a leitura dos grandes escritores e poetas, ao escrever sobre suas vidas procuro despertar a curiosidade dos leitores pelas suas obras. Acredito muito no valor da leitura como uma forma de transformação da sociedade.

 

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