Mirian Fidelis Guimarães

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou uma pessoa calma, meio sossegada demais. Gosto de sentar no sofá e assistir um bom filme de época, também adoro passar horas lendo e escrevendo. Sair com os amigos se encaixa em minha rotina. Gosto de fazer as coisas no meu tempo e sem cobranças desnecessárias. Tenho meus momentos de reclusão e amo ficar boa parte destes momentos quieta refletindo.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Eu dava aula na pré escola, sempre gostei, mas decidi parar. A inspiração sempre existiu, desde a época de criança. Lembro que a primeira vez que eu li “O enigma da casa de vidro” do Ganymédes José pensei, quero ser igual a ele. Então participei de uma Feira de Ciencias na escola e entrei em uma sala onde havia inúmeras releituras do quadro de Leonardo da Vinci – Mona Lisa. No mesmo instante eu soube que escreveria algo sobre aquele quadro e foi o que eu fiz.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Escrever é libertador! Você cria uma atmosfera, personagens, conflitos. Você passa a viver uma outra realidade, um outro mundo. É super gratificante quando alguém te procura para falar sobre um livro seu, falar sobre o que gostou, ou, o que não gostou… Tudo é válido para o crescimento e reconhecimento.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Olha, meu cantinho ainda está em fase de criação rs… Lembra que eu contei que faço as coisas no meu tempo? Então, meu tempo deu uma leve estacionada em meu cantinho, por ora, escrevo no sofá, ou, na minha cama. Mas uma coisa é certa, até o final do ano termino meu cantinho rs…

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Olha, até o final do ano passado eu tinha certeza que meu gênero literário era o infanto juvenil, arrisquei fazendo um livro infantil com releituras de contos de fadas. Gostei muito da experiência. Então, em novembro do ano passado resolvi participar de uma seletiva de contos de assombração para a Illuminare e me surpreendi ao ser selecionada. Depois mergulhei em contos de fantasia, que não sei se me saí muito bem e em contos de amor e paixão e por incrível que pareça, amei as experiências.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meus livros surgem “do nada” o da Mona Lisa como eu mencionei nasceu durante uma feira de ciências no ensino fundamental, já o da Nessie foi depois que perdi meu noivo em um acidente aéreo, eu precisava desesperadamente me distrair e comecei a pesquisar sobre o monstro do Lago Ness porque sempre me interessei por ele e quando percebi tinha um monte de informações sobre o país, clima, tradições e relatos de pessoas que viram o monstro, daí criar uma história foi super simples. A Bonequinha Preta surgiu na época em que eu fazia faculdade, a professora de literatura infantil pediu para criarmos um conto de fadas, ou, a releitura de um deles e aí eu adorei a experiência, porém só consegui termina-la anos depois. Achei que o número de 10 contos seria algo simples de fazer já que meu artigo na faculdade foi sobre a importância dos contos de fadas na personalidade infantil (https://pt.scribd.com/doc/31194988/A-IMPORTANCIA-DOS-CONTOS-DE-FADAS-NA-PERSONALIDADE-INFANTIL), ledo engano. Mesmo sendo difícil, adorei cada parte do processo e tenho sim a intenção de fazer algo similar novamente. Agora sobre Narcisos, só posso dizer que é minha primeira ficção gospel e eu amei escrevê-lo, estou bem ansiosa para ver a reação do público, espero que seja bem aceito.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Eu pesquiso muito, leio bastante sobre o assunto que quero abordar. No livro da Nessie eu pesquisei durante três anos rs… Assisto documentários, leio livros e pesquiso tudo no geral, desde a comida até histórias de assombração se existir.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Amo muitos autores, mas acho que meu estilo é próprio e não me espelho em ninguém rs… Se fosse para “copiar” alguém adoraria ser como a Agatha e o Stephen King…

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Nossa, levei um calote gigantesco quando tentei publicar “Nessie: o verdadeiro tesouro da Escócia”. O editor me ligava direto, conversava, fazia tudo certinho e aí quando paguei ele me enrolou, disse que foi assaltado e mil desculpas descabidas e depois sumiu… Fiquei super triste, mas graças a Deus a Editora Garcia surgiu como um anjo e publicou meu livro.

A Bonequinha Preta ninguém queria publicar por ter que fazer as ilustrações, corri atrás de muitas editoras e no fim resolvi pagar ilustrador e capista e tentar a auto publicação.

Agora, estou com dificuldades até hoje para lançar Narcisos, apesar de já estar pago, ter assinado contrato há mais de 1 ano e ter que continuar a escutar do editor que estão com excesso de trabalho, mas que o livro irá sair.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que agora está começando a se desenvolver mais, temos excelentes escritores nacionais, coisa que não tínhamos e temos trabalhos magníficos que não deixam nada a desejar. Existe lugar para todos e isto está sendo explorado muito mais que em décadas passadas.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Olha, não quero ser taxada de nada, porém, sou muito contra a maioria destes eróticos que surgem do nada e conseguem milhares de visualizações, pontos, comentários e afins. Não só acho, como sinto um certo desrespeito para com os demais, sabe, o escritor pesquisa, faz cursos, mergulha na narrativa e não é valorizado, aí alguém escreve uma história totalmente chata, sem sentido e coloca sexo no meio e pronto virou queridinho… Acho que as pessoas não procuram mais bons livros para ler, leem apenas para matar o tempo e não se interessam por histórias que realmente possam acrescentar algo, sei que existem livros eróticos de qualidade, mas e a maioria?

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Acho meio salgado demais rs… Se os livros nacionais fossem não quero dizer mais baratos, mas que a diferença de valor não fosse tão exorbitante com certeza teríamos mais leitores, as editoras venderiam bem mais e o custo para ambos seria menor.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Kkkk sem sombra de dúvida, Cemitério do Stephen King.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Bem, quando escrevi “A Bonequinha Preta” e estava no conto da Bailarina a música da Lucinha Lins “A Bailarina” não saia da minha cabeça rs… No livro da Nessie a música do Shaman “Fairy Tale” ficou tão forte que até o booktrailer do livro foi feito com ela, em “Narcisos” na cena em que o Miguel dança com a Nina é uma música do Bob Acri, Sleep Away. No da Mona Lisa eu escutava bastante Culture Club, mas nenhuma que tenha marcado.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

“O Morro dos Ventos Uivantes” da Emily Brontë sem pestanejar! Já li mais de 10 vezes, amo, amo, amo!

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, tenho vários, dentre eles um sobre a Ilha de Páscoa, um meio de suspense com uma pitadinha de terror (se estou fazendo a coisa certa rs…) um sobre seres marinhos, leia-se Sereias e agora contrato de exclusividade com a Editora Illuminare, então, meus projetos apenas multiplicaram.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Entendo que eles estejam fazendo a parte deles que é opinar, só não acho certo quando o blogueiro fala mal da obra e do autor, creio que este tipo de crítica sirva apenas para pessoas que trabalham com isto, pessoas realmente especializadas e que entendam de literatura, pessoas que foram treinadas para fazer isto. Quando é um blogueiro igual a mim, que ama ler e faz uma resenha acho de bom tom dizer os pontos fortes da narrativa e não ressaltar os erros, não precisa dizer que a história é maravilhosa, apenas dizer que a idéia é boa e mostrar as partes importantes já deixa a entender que não seja uma história tão pretensiosa. Tiro um exemplo meu, escrevi o livro da Mona Lisa aos 15 anos e só consegui publicar pela Marco Zero selo da Editora Nobel em 2008. Descobri faz pouco tempo que uma blogueira odiou, e disse que está cheio de erros de ortografia… Como assim? Compreende o que quero dizer? Uma Editora como a Nobel não deixaria passar despercebido erros tão grotescos como ela afirmou ter notado, bem, ela não é obrigada a amar minha história, disse que eu me perdi na narrativa e mais coisas que não me lembro, não satisfeita foi até o site do Amazon e classificou com duas estrelas e falou mal. Não acho que isto seja uma crítica construtiva porque este mesmo livro teve uma crítica boa em um jornal e outra blogueira fez uma resenha dizendo que se divertiu bastante… Vai de gosto né? Agora eu te pergunto: quantos livros esta blogueira tentou escrever para desmerecer o trabalho dos outros? Kkkkk verdade seja dita, creio que ela não conseguiria desenvolver nem metade de uma redação de um tema atual para passar em um concurso público… Só acho pela lista de livros que ela costuma ler.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Stephen King. Ele não escreve apenas terror é um verdadeiro poeta, ele romantiza a história, ele é simplesmente o Cara!

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Leitores, apenas leitores que realmente amam a escrita.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Livro é cultura, é magia, é vida! Leiam muito, escrevam o dobro e criem horrores, nunca desistam da escrita ela é a única forma de arrancar a ignorância do ser humano, a única capaz de nos diferenciar dos irracionais!

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