Michelle Louise Paranhos

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  1. Fale-nos um pouco de você.

R: Meu nome é Michelle Louise Paranhos-uma abreviação de Michelle Louise Bezerra da Rocha Paranhos. Lógico, um nome muito longo para ser utilizado completo. O que muitos não sabem é que o nome Michelle Louise é meu, de fato, não é um nome artístico- é um nome composto. Na época que nasci minha mãe estudava francês e resolveu por o nome das filhas mais novas assim, por isso. Eu e minha irmã (Monique) herdamos esse nome diferente; Mas sou mesmo é uma carioca, casada, tenho 43 anos e três filhos. Sou professora aposentada e atualmente dedico-me integralmente à literatura.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita? Qual a melhor coisa em escrever?

R:Lecionei por muitos anos na rede municipal de educação de Itaguaí- RJ.Quando me aposentei por motivos de saúde,eu iniciei uma página na rede social Facebook.Comecei a escrever ,alguns fãs da página me incentivaram e em 2014 criei coragem e lancei meu primeiro livro.A melhor coisa em escrever é compartilhar as histórias que estão em minha cabeça.Dividir o meu mundo com os leitores.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 

R: Tenho um cantinho sim, mas não é exclusivo meu. Minha mesa de computador, um porta-lápis (adoro escrever primeiro no caderno e depois passo pro PC) meu caderno. Mas se eu tiver uma ideia de repente, escrevo em qualquer lugar nem que seja uma palavra –chave que remeta à informação- já escrevi até no verso de extrato do Banco!Quando for possível, aí sim, passo para o papel e depois para o arquivo do PC.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R: Meu gênero é o romance-não necessariamente Romântico. Tentei passear por contos, é já escrevi um ou outro. Mas me encontrei mesmo no romance, nas subtramas, na análise de texto, divagações. Um conto é algo mais enxuto e direto e gosto de reviravoltas e desenvolver personagens, além da fase de pesquisas- o que mais gosto ao escrever um livro.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R: Ponto de Ressonância é romance dramático com Psicologia. A inspiração do titulo é um efeito da física, o ponto de ressonância. A personagem adora a disciplina Física,  mas não compreende porque precisa ler um livro chamado”A Lógica da Vida “ para um seminário da faculdade.Durante a leitura do livro,as palavras técnicas revelam algo que se parece muito com a sua vida,o que acontece com ela,e ela passa a entender o livro como uma metáfora para a própria vida.Vive conflitos em sequência e procura não desestruturar- se completamente,algo que acontece com objetos submetidos ao efeito Ponto de Ressonância.O romance se passa na década de 90 do século XX e é mesclado de flashbacks e momento presente.

O Mulato Velho é um romance histórico de aventura para jovens. O titulo foi baseado numa receita de um prato culinário “Mulato velho”. A narrativa que se passa no século 19 é  recontada por um turismólogo  durante um sarau numa cidade histórica (fictícia) no Rio de Janeiro.

Coisas de Lorena, que estarei lançando em pré venda ainda esse mês de Maio é um romance Biográfico. É baseado numa narrativa compreendida entre sete e onze anos da idade de Lorena (minha filha) e cada capítulo é uma cena de um quebra-cabeça- porque não traço um perfil de Lorena .A ideia é o leitor conhecer quem ela é ao final do livro,ao juntar cada peça.Lorena é um desafio e quis compartilhar isso,conversar com pessoas amigas e familiares de crianças com necessidades especiais e que vivem em busca de um diagnóstico- um verdadeiro quebra cabeças de laudos e exames- para seu filho .Porém,o livro antes de tudo narra a vida de uma criança que tem sonhos,fantasia,quer criar amigos e nesse ínterim,não é diferente daquilo que mais desejamos na infância.Assim,coisas de Lorena é um livro sobre a infância em geral e serve para todas as idades.O livro foi ilustrado pela Lorena,com seu traço infantil e sua percepção do mundo.

Tsara ainda está em construção e fala do universo cigano, com muita magia, romance, e principalmente revelando aspectos desse mundo pouco conhecido de cidadãos brasileiros que poucos conhecemos e ainda sofrem bastante preconceito no mundo todo ainda no século XXI : os ciganos.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R: Cada história é uma cena “real” do livro Coisas de Lorena. Deu bastante trabalho reunir os dados para o livro porque eu vivia com um caderno e caneta por perto anotando situações, falas, tomando nota. Foi meio que um trabalho jornalístico recheado de emoção- por isso não é uma biografia e sim um perfil biográfico. Fundamentei dados médicos apresentados de forma lúdica, sem didatismo- no apêndice fiz um pequeno resumo de pesquisa e referências bibliográficas. Porém, não minimizei a verdade, não “dourei a pílula” como se diz no popular: assim como um comentarista jornalístico, eu comentava os fatos, mas não mudei nem criei nada- seja ela boa ou má, a verdade é, acima de tudo, a verdade!Tudo escrito no livro aconteceu, de fato. Evitei relatar nomes de pessoas e parentes, contudo, e obtido autorização para cada menção do texto; reuni cartas de pessoas que aprovaram o projeto e identificaram-se com ele. Ao final, fiz um pequeno álbum de fotos apenas da família.

Para os outros livros pesquisei em sites, livros com tema comum, livros históricos, vídeos. Gosto especialmente dessa fase ao escrever.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R: Li bastante em minha juventude Millôr Fernandes,Carlos Drummond de Andrade,Hermann Hesse,Clarisse Lispector,Erico Veríssimo.Com certeza foram minha fonte de inspiração.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R:Sim,Coisas de Lorena.Foi um projeto inicialmente para uma editora por demanda,mas quase nenhuma aceitou o projeto,ora porque incluía ilustração o que dificultava a diagramação,ora fazer com ilustrações coloridas custava caro demais para mim,afinal,como autora eu teria que comprar os livros em pequenas tiragens e infelizmente,muitos de nós começamos a carreira literária mais com sonhos e ideal que com dinheiro.E infelizmente a máxima é real:”Para fazer dinheiro,você precisa gastar dinheiro”.Esse projeto é especialmente um projeto para ela,Lorena,ela queria muito ver “seu livro”publicado,então não quis esperar meses e até anos para tentar uma editora Tradicional.Enfim,me rebelei contra o sistema e resolvi ousar:mandei fazer a impressão do livro;Cedi nas cores na versão impressa( será ilustrado em PB) e na versão em e-book será colorido.A pré venda se iniciará em meados de Maio de 2016.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R:Confuso.Há uma valorização extrema da forma em detrimento do conteúdo.Explico-me: a o cenário virou uma competição acirrada entre diagramações ousadas,capas vistosas, brindes diferentes (cada dia surge um brinde mais vistosos e mais interessante e de alto custo para o autor) para serem oferecidos obrigatoriamente para o leitor.Autores que lançam um livro apenas porque todo mundo está lançando e não sabem como nem porque continuar a carreira.O primeiro passo é o principal,mas o segundo,com certeza é o mais difícil.Eu comecei há pouco,é verdade,e tenho a vaga sensação de que não me adapto a esse cenário- seria cômico se não fosse trágico- mas não posso voltar ao tempo e recomeçar  vinte anos atrás…Para quem quer iniciar hoje profissionalmente precisa, além de toda a dificuldade inicial existente,convencer aos leitores de que ele não é mais um na multidão de novos escritores que surgem a cada dia,e que seu livro vale pelo conteúdo- leia-se mensagem- oferecido ao leitor e não por objetos necessários para agregar valor ao desvalorizado livro.Um livro deve valer por si mesmo,antes de qualquer outra coisa. Já não tenho também tanta vontade de experimentações e observo algumas urgências da juventude com certa distância.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R:Em breve ,esse boom entrará em equilíbrio.Vejo com bons olhos essa busca pela escrita especialmente pelos mais  jovens,porém não vejo os jovens lendo em igual proporção- isso me preocupa… Escrevem trilogias e livros de quinhentas páginas com a verborragia típica da juventude que transborda e não se contém. Poucos, contudo, leem mais que dez linhas na rede social e textos variados; Fica a pergunta: quem lerá esses compêndios literários escritos pelos mesmos jovens que se valem igualmente de emotions e aglutinações na escrita para ganhar tempo na eterna sede de viver? Muitos ainda estão em fase de experimentação e busca de estilo na tumultuada fase da adolescência, porém como a liderança literária está entre seus pares, não existe uma autocrítica real do que está sendo produzido por eles. Penso de que forma esse boom será analisado num futuro, mas neste momento, a realidade ainda não pode ser analisada sem um olhar parcial da contemporaneidade. O tempo dirá.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R: Um factoide. Eu mesma por algum tempo acreditei que um livro não poderia custar acima de 20 reais e como independente, e conhecendo de perto o alto custo da impressão dos livros no país, percebia que só grandes editoras conseguiam- graças às altas tiragens- manterem esse baixo preço, comendo assim uma grande fatia do mercado editorial, esmagando a tentativa de crescimento das pequenas editoras e dos autores independentes. Aos poucos, porém, após análise um tanto mais criteriosa, percebi que esse alto preço passa pela desvalorização da literatura, e quanto mais decai a qualidade literária, os preços precisam acompanhar a queda. Fato: nem de graça as pessoas realmente leem. No mundo de pirataria virtual, se tantos lessem assim, já não haveria mais o analfabetismo funcional, certo? Além disso, ninguém questiona a marca x de roupa, ou a rede fast food por um preço de sanduíche alto; mas essas redes têm termos de confidencialidade em contrato para seus funcionários na preparação de molhos, por exemplo. Não fazem qualquer sanduiche e sabem disso, valorizando seu produto ao máximo, e as pessoas querem qualidade e se possível exclusividade, e pagam por isso; reclamam algumas vezes, mas ainda assim, pagam. Porque a cultura é vista diferente? Bem, com a ideia apregoada de que qualquer um pode ser um escritor, o cenário atual gerou consequências: no aspecto positivo, houve democratização no acesso à literatura em geral e no aspecto negativo, aumentou a desvalorização – se qualquer um pode escrever um livro, porque pagar um alto valor?Não sei como tal dicotomia será resolvida, mas a cultura em geral sofre com a desvalorização e não apenas a literatura.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R:Demian,de Hermann Hesse

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

R:”Roda Viva”do Chico Buarque.Sempre amei ler mas não tive coragem de me lançar como escritora, e de repente,a vida chegou e disse: é a hora,é seu momento.A roda girou e a vida se refez,mais uma vez e pude realizar meu sonho.Gratidão,é essa a palavra.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R: “Para ler e pensar” de Hermann Hesse. A epigrafe do livro Ponto de Ressonância “ a verdade tem mil faces mas só existe uma verdade” li pela primeira vez no livro que ganhei dele de presente,quando tinha não mais que quinze anos.Nunca mais esqueci esse pensamento de Hesse e foi com ele que abri meu primeiro livro.A personagem parte em busca da sua verdade,quem ela é.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R:Em maio agora estarei lançando a pré venda de Coisas de Lorena e o lançamento esta previsto para final do primeiro semestre. Ano que vem irei lançar o Romance Tsara,baseado no mundo cigano e que desvenda o misticismo e a realidade desse povo não reconhecido inclusive como brasileiros,apesar da cidadania lhes ser de direito.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R: Acompanho sim. Gosto mais de resenhas escritas que aquelas feitas por canais audiovisuais, afinal é puro paradoxo falar de livros sem que o leitor precise ler a critica! Muitos blogueiros hoje se recusam a ler e-books, mas a maioria dos escritores escreve em e-book e promovem através de plataformas digitais os seus livros: Outro paradoxo incompreensível. Só não gosto de resenhas superficiais e genéricas, prefiro que o resenhista seja sincero e diga que não conseguiu se envolver com determinado livro.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R: Luis Fernando Veríssimo. Admiro muito a escrita dele.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

R: Que seu livro provoque uma reflexão no leitor, que algo que você escreva sirva para ajudar alguém a refletir sobre o mundo, as próprias atitudes, e que o leitor também se divirta pelo tempo da leitura de seu livro.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R: Persistam, não desistam do seu sonho. Um sonho precisa ser executado para tornar-se real. Escreva,estude,faça a diferença. Seja o melhor escritor que puder ser para você mesmo em primeiro lugar, mas não esqueça que só existe um escritor se houver alguém que leia então não se distancie do seu leitor. Ouça-o sempre que possível.

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