Mexendo Com Professor Inesquecível…

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Lembro bem o dia em que ele entrou na sala de aulas… Franzino, sorridente, um pouco tímido…

“ – Boa noite, turma! Sou o substituto do professor de OSPB e meu nome é Galdino. Ficaremos juntos até o final desse ano. Tudo bem com vocês”?

 

Era homossexual! Nos idos de 1982 era praticamente uma blasfêmia! A voz denunciou-o e a Turma ficou entreolhando-se com vontade de sorrir…

Não aguentamos! Demos boas gargalhadas e ele ficou ali, com o mesmo sorriso, mas olhando como que incrédulo para nós; como quem queria saber o motivo da graça para sorrir junto conosco…

 

Então fomos ficando sem graça e baixamos nossas cabeças ante a dignidade daquele jovem mestre!

 

A partir da terceira aula dele ninguém faltava e todos aguardavam ansiosos para beber de sua sabedoria!

 

O cara era demais! Falava acerca da Organização Política e Social do Brasil com uma maestria formidável! Ele dava exemplos, gesticulava com paixão, mas nunca alterou a sonoridade da voz! E nós ficávamos em silêncio ouvindo aquele homem passar para nós tanta riqueza! Tanto conhecimento…

 

O Galdino era o cara! Ele nos estimulava a pensar! Em suas provas, com exceção do conteúdo obrigatório, ele fazia questão de nossas opiniões!

A aula acabava e a gente saía atrás dele perguntando, tentando obter mais do seu farto conhecimento…

Muitas vezes o seguíamos até as portas das outras salas de aulas ou até a sala dos professores!

Ele atendia todo mundo com muito carinho, respeito e amizade!

Pena que foram só nos dois primeiros anos do Ensino Médio…

Galdino apareceu na minha vida quando eu tinha 13 anos e eu nunca mais o esqueci!

Em 2010, 28 anos depois, fui dar uma palestra numa Escola e lá estava o Galdino juntamente com outros professores, com as suas Turmas, para ouvir o que eu tinha para dizer…

 

É claro que ele não lembrava de mim, mas eu aproveitei a oportunidade para homenageá-lo. Contei como nós o havíamos recebido por causa da sua opção ou orientação sexual e como nos arrependemos depois!

Contei como ele foi importante para que eu me situasse como ser humano e pudesse estar ali como convidado para palestrar para aquelas centenas de meninos e meninas…

Percebi que ele ainda sofria com o preconceito, mas, dias depois, encontrei-o na rua e ele me agradeceu! Disse que após o dia em que estive na escola seus alunos e os outros alunos da escola mudaram de comportamento para com ele…

Galdino é uma espécie de herói para mim!

Não é que os outros professores não o sejam, mas o Galdino, como eu já disse, foi o Cara!

Vida longa aos professores, esses Missionários da Educação!

Vida longa ao Galdino!

 

Ronaldo Rhusso

 

 

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