Mexendo com o Sobrenatural…

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Recentemente respondi um poema de um amigo com outro texto, no mesmo formato.

 

Ele, gentil, sábio e racional me pediu pra “explicar” D’us!

 

Tarefa impossível mesmo para o maior de todos os mortais que já existiu, apesar de muita gente acreditar que pode realizar essa façanha!

 

Contei, então, para ele a seguinte História verídica porque ocorreu na região onde ele mora:

 

“Eu rodei esse país e pequena parte do mundo quando da Marinha de Guerra e muito mais após a minha Baixa…

 

Estive algumas vezes no sertão acompanhando a minha mãe que fazia um trabalho Social por lá!

 

Ela era uma mulher muito religiosa e costumava escrever umas orações e colocar em minha carteira desde que eu era adolescente! Pedia que eu lesse ao menos uma vez, pois sabia que eu memorizava o que lia com muita facilidade, mas ela também sabia que, a despeito de ter estudado catecismo em Latim com freiras e até lido toda a Bíblia aos nove anos de idade, eu não dava a mínima para Religião.

 

Numa ocasião eu estava de férias e a acompanhei em mais uma de suas viagens pelo Semiárido baiano. Saímos de Ilhéus e fomos para a Região de Vitória da Conquista. Mais precisamente para uma Fazenda no pequeno Município de Tremedal, próximo a Anajé.

 

Ficamos hospedados nessa Fazenda cujo nome era “Fazenda Jiboia” e alguns dias depois, cansada, a minha mãe me pediu para fazer por ela uma visita a uma família que morava serra acima na antiga estrada que levava ao conhecido povoado de Bom Jesus da Lapa…

 

Lá fui eu guiado por um morador da fazenda e depois de horas montado num cavalo, sob um Sol escaldante, cheguei até um pequeno ranchinho. Apeei, bati palmas, fui atendido, me identifiquei e fui convidado a entrar.

 

As pessoas lá conheciam e amavam muito a minha mãe.

 

Passei as instruções que ela havia me confiado e aceitei o fortíssimo café torrado e moído em casa, peculiar àquela região. Eu nunca gostei daquela bebida, mas recusar seria grande desfeita! Então, enquanto me esforçava para tomar aquele líquido quente, amargo e sem coar, percebi um garotinho de uns quatro ou cinco anos que não andava, mas se arrastava no chão de terra batida daquela pequena sala…

 

Perguntei à dona da casa por que ele não andava e ela disse que era porque ele estava com “mau olhado” desde que era bebê!

 

Sempre achei isso muito engraçado! “Mau olhado”, “espinhela caída”…

 

Nasci no centro do Rio de Janeiro e aquilo era muito folclórico para mim, mas lembrei de que se a minha mãe estivesse ali faria alguma coisa. Lembrei, também, de uma prece que, segundo a minha mãe curava “mau olhado”…

 

A princípio confesso que achei besteira, mas vendo aquele menininho tão bonito se arrastando, pois nem engatinhava direito, não tive mais dúvidas e perguntei se por ali havia um arbusto chamado de “pinhão roxo”. Uma moça, que parecia ser a mãe da criança disse que só tinha do verde. Vacilei por um momento, mas pensei: “ – Qual a diferença”? Então pedi que me arranjassem uns raminhos da planta.

 

Minutos depois me surpreendi recitando a prece e passando os raminhos da planta no corpinho do menino a quem pus em meu colo sob o olhar atento de meia dúzia de mulheres e algumas crianças de cujas faces emanavam fé e patente contrição. Enquanto recitava a prece, repetia movimentos que formavam uma cruz, os quais eu vira minha mãe e outras mulheres mais velhas fazerem e que eu achava que “nada tinham a ver”!

 

Em seguida me despedi rapidamente e, no caminho, fiquei pensando, arrependido, na “besteira” que eu havia feito! Não fazia sentido…

 

O rapaz que me guiara no caminho de ida e volta me olhava em silêncio com certa solenidade e eu estava muito incomodado com aquilo.

 

Chegando à Fazenda contei para a minha mãe o que eu havia feito e ela me abraçou feliz e orgulhosa! Eu me senti ainda mais ridículo, mas fiquei quieto e, meio sem pensar, pedi a D’us que fizesse algo por aquela criança.

 

Eu nunca fora de orar ou algo do tipo…

 

No dia seguinte, no início da tarde, estávamos na varanda da casa planejando nosso retorno a Ilhéus e a minha mãe comentava a felicidade de ter conseguido visitar muitas pessoas. Ela foi uma das fundadoras da Pastoral da Criança com a Dona Zilda Arns e ajudou a aperfeiçoar um complemento alimentar natural chamado de “multi mistura” que ajudava, e creio que ainda ajude, a combater a desnutrição infantil.

 

De repente, vi lá na entrada da propriedade, cerca de cem metros de onde estávamos, uma pequena multidão! Curiosos, ficamos olhando aquelas pessoas se aproximando e reconheci entre elas a mulher que eu havia visitado, além de outras que também estavam lá.

 

Algumas daquelas pessoas traziam galinhas e até uma ovelhinha! A mulher tinha no colo o menininho que eu “rezara”. Seu neto!

Em seguida ela o colocou no chão e o menino caminhou tropegamente à frente daquelas pessoas. Eu, bestificado e quase gaguejando gritei: “ – Mãe! Foi aquele menino”!

 

Ela já tinha corrido em direção ao menino e o pegara no colo, beijando-o com muita alegria em sua face morena.

 

Aquelas galinhas e a ovelhinha eram presentes daquela família! Fiquei muito impressionado com aquilo. No dia seguinte fomos embora e deixamos os animaizinhos lá mesmo. Não fazia sentido leva-los…

 

Hoje tenho 46 anos, 18 dos quais atuei como Missionário por aí a fora e tenho visto outras coisas que a Ciência não explica. Coisas sobrenaturais”…

 

Encerrei dizendo ao poeta amigo que não era capaz de explicar D’us e que desconfio que no dia em que alguém puder fazê-lo Ele simplesmente deixará de ser D’us!

 

Ronaldo Rhusso

 

 

ciencia-e-fe

 

2 Comentários

  1. NOSSA EMOCIONADA.QUE BELO DEPOIMENTO VERIDICO.SEI QUE TEM AQUELES QUE NÃO CREEM MESMO.MAS PARA MIM D’US É ETERNO E SEM SEU AMOR NADA SERIA.BJUUS.

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